O PagBank (PAGS34) registrou lucro líquido de R$ 549 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa alta de 2,3% na comparação anual e de 0,7% em relação ao trimestre anterior.
O lucro ficou 1% abaixo da estimativa do Banco Safra.
Considerando ajustes que excluem efeitos específicos, o lucro líquido alcançou R$ 576 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 15,6%, enquanto o resultado permaneceu praticamente estável na comparação trimestral.
Volume de pagamentos avança
O volume total de pagamentos processados pelo PagBank alcançou R$ 133,4 bilhões no segundo trimestre de 2026.
O valor representa alta de 4% na comparação trimestral e de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou 1,8% acima da estimativa do Safra e indica uma recuperação gradual dos volumes transacionados.
Apesar do avanço, a receita média por transação permaneceu pressionada. A taxa líquida capturada pelo PagBank ficou em 2,5%, afetada pelo perfil dos produtos e pela concorrência no setor.
O Safra avalia que o aumento do volume pode ter sido impulsionado por operações com menor rentabilidade, como pagamentos instantâneos, e por uma possível elevação das transações relacionadas a apostas esportivas.
Receita cresce pouco
A receita líquida do PagBank somou R$ 3,38 bilhões no segundo trimestre. O resultado representa alta de 1,7% em um ano e de 1,3% na comparação trimestral.
O valor ficou 2,5% abaixo da estimativa do Safra. O resultado financeiro mais fraco compensou parte do crescimento do volume de pagamentos e das receitas bancárias.
Os custos de transação recuaram 2% na comparação anual. Já as despesas financeiras totalizaram R$ 1,27 bilhão, queda de 4,9% em relação ao trimestre anterior e leve redução na comparação anual.
Lucro bruto melhora
O lucro bruto do PagBank alcançou R$ 2 bilhões, alta de 5,8% na comparação trimestral e de 2,8% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O resultado ficou 1,5% acima da estimativa do Safra. A margem bruta aumentou 0,5 ponto percentual no trimestre, para 39,4%.
A melhora foi apoiada pelo menor custo de captação. O PagBank também se beneficiou da migração para fontes de financiamento com prazos mais longos e de uma redução no custo médio desses recursos.
As perdas totais permaneceram estáveis. A redução dos cancelamentos e contestações de transações compensou o aumento de aproximadamente 17% nas perdas esperadas com operações de crédito.
Um efeito positivo de R$ 1 milhão relacionado à baixa de terminais de pagamento também contribuiu para o resultado.
Despesas operacionais aumentam
As despesas operacionais cresceram 13,3% na comparação trimestral e 6,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O aumento compensou parte do desempenho mais forte do lucro bruto e contribuiu para o resultado antes dos impostos de R$ 627 milhões.
O valor representa alta de 1% na comparação trimestral e de 1,8% em um ano. Uma alíquota efetiva de impostos ligeiramente menor ajudou a sustentar o lucro líquido.
Negócio bancário ganha relevância
Os depósitos do PagBank alcançaram R$ 42,8 bilhões, alta de 4,4% em relação ao trimestre anterior e de 15,1% na comparação anual.
A carteira de crédito somou R$ 5,1 bilhões, crescimento de 2% no trimestre e de 30,7% em um ano. Apesar do avanço, o resultado ficou abaixo da projeção do Safra.
A receita do segmento bancário aumentou 5% na comparação trimestral, para R$ 824 milhões. O desempenho ajudou a compensar a fraqueza do negócio de pagamentos, cuja receita caiu 3,4% em um ano.
O segmento bancário vem ganhando participação no resultado do PagBank, enquanto o crescimento da operação de pagamentos permanece mais lento.
Base de lojistas fica estável
A aquisição de novos lojistas continuou desafiadora no segundo trimestre de 2026.
A base de estabelecimentos ativos permaneceu praticamente estável, em 6,2 milhões. As adições líquidas ficaram negativas no período.
O dado reforça a pressão competitiva sobre o negócio principal do PagBank e limita o crescimento da receita média por cliente.
Visão do Safra
Para o Safra, o resultado do PagBank foi amplamente em linha com as expectativas, mas apresenta sinais que exigem cautela.
O avanço do volume de pagamentos foi o principal destaque positivo. No entanto, a menor taxa líquida capturada por operação indica que a recuperação pode estar concentrada em produtos e clientes de menor rentabilidade.
O controle do custo de captação sustentou o crescimento do lucro bruto. Ainda assim, o Safra vê evidências limitadas de uma trajetória consistente de expansão da receita e da rentabilidade que permita ao PagBank alcançar as metas previstas para 2026.
O banco mantém recomendação neutra para as ações. Para uma visão mais positiva, será necessário observar maior consistência no crescimento dos volumes, da receita e do lucro bruto nos próximos trimestres.