O PagBank (PAGS34) reportou lucro líquido de R$ 546 milhões no primeiro trimestre de 2026 pelo critério contábil, com alta de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior e avanço de 9% frente ao trimestre anterior. O número ficou 2% acima da estimativa do Safra.
Na visão ajustada, o lucro líquido foi de R$ 575 milhões, também com crescimento de 4% em 12 meses. O retorno sobre o patrimônio ficou em 15,8%, em linha com o consenso de mercado.
A receita líquida somou R$ 3,335 bilhões, alta de 6% na comparação anual e estabilidade em relação ao trimestre anterior. Segundo o Safra, receitas financeiras mais fortes compensaram leves frustrações nas linhas transacionais e financeiras.
Margem bruta recua com pressão em pagamentos
O lucro bruto do PagBank totalizou R$ 1,889 bilhão, em linha com a estimativa do Safra. Ainda assim, a margem bruta caiu 1,4 ponto percentual na comparação trimestral, para 56,6%.
Esse movimento foi explicado, sobretudo, pela piora na rentabilidade da divisão de pagamentos. A margem do segmento recuou 2,6 pontos percentuais no trimestre, enquanto a de banking permaneceu estável.
Os custos de transação ajudaram a compensar parte dessa pressão. A linha caiu 3% em relação ao mesmo período do ano anterior e 10% frente ao trimestre anterior.
Banking ganha relevância no resultado
Na avaliação do Safra, a área de banking foi o principal destaque do trimestre. Os depósitos totais cresceram 2% em relação ao trimestre anterior e 23% em 12 meses, alcançando R$ 41,6 bilhões.
Ao mesmo tempo, a companhia reduziu o custo de captação. A remuneração dos depósitos com juros caiu para 83,9% no consolidado, com redução tanto nas contas correntes quanto nas emissões bancárias.
A carteira de crédito também seguiu em expansão e atingiu R$ 5 bilhões, com alta de 9% no trimestre. O principal impulso veio dos empréstimos para capital de giro, que avançaram 24% no período.
Esse conjunto reforça a importância crescente do negócio bancário para sustentar o desempenho do grupo.
Pagamentos seguem fracos, mas mostram melhora
Na operação de pagamentos, o volume total processado pelo PagBank chegou a R$ 128,2 bilhões no trimestre. O número caiu 9,9% em relação ao trimestre anterior, mas ficou praticamente estável na comparação anual.
Para o Safra, esse dado indica um ritmo de contração mais lento do que o visto nos trimestres anteriores. Assim, o segmento pode estar se aproximando de um ponto de inflexão, embora ainda siga pressionado por tendências setoriais.
Despesas operacionais limitam surpresa positiva
As despesas operacionais ficaram 2% acima da estimativa do Safra. Gastos menores com marketing e publicidade foram compensados por maiores despesas com pessoal e outras linhas.
Mesmo assim, o lucro antes dos impostos somou R$ 621 milhões, com alta de 7% na comparação anual e ligeiro avanço sobre a projeção do banco. Uma alíquota efetiva de imposto menor ajudou a levar o lucro líquido contábil levemente acima do esperado.
O índice de capital ficou em 24,1% ao fim do trimestre.
O que muda para a ação
O Safra mantém recomendação neutra para PAGS34. Na leitura do banco, o trimestre não trouxe mudanças relevantes para a tese, mas confirmou dois pontos importantes.
O primeiro é a força crescente da área de banking, sustentada por expansão da carteira de crédito, aumento de depósitos e menor custo de captação. O segundo é que a operação de pagamentos ainda enfrenta um ambiente difícil, embora os dados mostrem alguma melhora na trajetória.
Segundo o Safra, essa combinação ajuda a explicar o desempenho relativo melhor da ação em comparação com outros nomes do setor e pode seguir dando suporte ao papel no curto prazo.