O PagBank (PAGS34) já mostrou sinais iniciais de aceleração no crédito, mencionando que a originação de empréstimos de capital de giro mais que dobrou no 3T25 e atualmente está em R$ 70 milhões por mês.
Ainda assim, a empresa tem um longo caminho para atingir o guidance de R$ 25 bilhões e, à luz da incerteza macroeconômica e competitiva, os analistas do Banco Safra preferem usar premissas mais conservadoras.
No cenário do safra, a carteira chegará a R$ 17 bilhões em 2029 (taxa de crescimento anual composta – CAGR de
40%), o que já deve trazer uma contribuição significativa para a rentabilidade consolidada.
Nesse cenário, o Banco Safra acredita que o crédito deverá representar ~25% e ~35% das receitas e do lucro bruto do PagBank, respectivamente.
Para a operação não relacionada a crédito, o Safra considera a tendência de rentabilidade menos empolgante.
Apesar da premissa de queda das taxas de juros, o crescimento fraco da receita observado recentemente pressiona a expansão do lucro bruto, para o qual estimamos um CAGR de dígito baixo.
Yield de 14% até o final de 2026
Considerando os programas de recompra e dividendos já anunciados pela gestão da PAGS, o Safra estima um yield de 14% a ser distribuído até o final de 2026 — muito semelhante aos níveis que estimados que a Stone (STNE) anunciará no mesmo período (excluindo a venda da Linx).
Durante a atualização estratégica, a empresa afirmou que sua meta de índice BIS está na faixa de 18%–22% (atualmente em 28%), reforçando seu foco na otimização de capital.
Por esse motivo, o Safra vê o CAGR de 16% do lucro por ação como a métrica mais fácil de alcançar no guidance de longo prazo da empresa.
Ainda assim, o Safra observa que, dada a meta de acelerar o crescimento do crédito, o capital excedente disponível para distribuição, que estava entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões no 2T25, deverá diminuir daqui em diante.
Crescimento de 6% do lucro bruto em 2026
O Banco Safra refinou a renda contínua não-GAAP para R$ 2,319 bilhões em 2025 e R$ 2,490 bilhões em 2026. O desempenho mais fraco do volume total de pagamento (TPV), particularmente do segmento de médias, pequenas empresas, foi o principal fator negativo para a premissa de lucro bruto, que deve crescer 6% A/A em 2026.
O Safra também reduziu as projeções de despesas operacionais para refletir o controle rigoroso implementado recentemente pela empresa.
Como resultado, o Safra vê o lucro líquido ajustado crescendo 7% A/A em 2026 e o ROE expandindo para 16,6%.
Valuation da ação do PagBank (PAGS34)
O Safra assume um custo de capital próprio (Ke) de 16,0% (10% de taxa livre de risco; beta de 1,20) e taxa de crescimento em perpetuidade de 6,0%. Como resultado, o preço-alvo foi elevado para US$ 12, oferecendo upside de 20%.
Atualmente o Safra vê as ações negociando a 6,2x e 5,2x P/L em 2026 e 2027, respectivamente. Em base de retorno total, o Safra vê o P/L de 2026 em 5,3x (considerando o yield total de 14%).
No múltiplo P/VP, as ações negociam a 1,09x e 1,08x para 2025 e 2026, respectivamente, o que parece uma assimetria interessante para um ROE de 15%–16%.
Ainda assim, o Safra acredita que o upside só seria suficientemente atraente se o PagBank mostrar (i) volumes mais fortes; (ii) take rates resilientes; ou (iii) uma contribuição ainda maior do crédito.
Principais riscos para a tese: (i) desintermediação/novas tecnologias; (ii) competição mais intensa; (iii) mudanças
regulatórias; (iv) deterioração do cenário macroeconômico; (v) baixos custos de troca no adquirência.