O PagBank (PAGS34) começou 2026 com sinais mais claros de melhora em sua operação de crédito. A companhia vem ampliando a penetração dessa oferta dentro da própria base de clientes, ao mesmo tempo em que aprofunda a integração entre crédito, banco digital e pagamentos.
No primeiro trimestre de 2026, as originações de capital de giro somaram R$ 211 milhões. O número equivale a um ritmo mensal próximo de R$ 70 milhões. Além disso, a evolução ao longo do trimestre sugere uma dinâmica mais forte na reta final do período.
Esse avanço tende a contribuir de forma mais relevante para a receita nos próximos trimestres. O cenário fica mais favorável porque, até aqui, a qualidade dos ativos segue sob controle. Ainda assim, o Safra avalia que a companhia continua diante de um percurso importante de execução antes de alcançar o objetivo implícito no guidance da administração para a carteira de crédito.
Meta ainda parece distante
Apesar da melhora operacional, o Safra mantém uma leitura conservadora para a expansão da carteira. A estimativa do banco aponta para R$ 18,6 bilhões em crédito até 2029, abaixo dos R$ 25 bilhões sugeridos pela meta da companhia.
Essa diferença reflete, sobretudo, a necessidade de uma trajetória mais longa e consistente de crescimento. Em outras palavras, o avanço recente é positivo, mas ainda não basta para eliminar dúvidas sobre a velocidade de entrega da estratégia.
O ponto central da tese está na capacidade de o PagBank transformar a aceleração das originações em receita recorrente, com rentabilidade preservada e risco controlado. Esse processo começou a ganhar forma, porém ainda precisa amadurecer.
Pagamentos ainda impõem limite ao otimismo
Se por um lado o crédito traz uma perspectiva melhor, por outro o ambiente para volumes de pagamentos continua desafiador. Esse fator impede, ao menos por ora, uma visão mais construtiva sobre o papel.
Na avaliação do Safra, o PagBank apresenta hoje uma configuração relativamente mais favorável do que a Stone (STOC31). Mesmo assim, o banco ainda não enxerga um perfil de risco e retorno suficientemente atraente nos níveis atuais de negociação.
Para uma revisão mais positiva da tese, seria importante observar ao menos um dos seguintes vetores: volumes mais fortes, taxas de monetização mais resilientes ou uma contribuição ainda maior da vertical de crédito para os resultados.
Preço-alvo cai e recomendação segue neutra
O Safra reiterou recomendação neutra para PagBank e reduziu o preço-alvo da ação de US$ 12 para US$ 11. A revisão reflete uma postura ainda cautelosa diante dos desafios de execução e do ambiente competitivo.
Pelos cálculos do banco, o novo preço-alvo implica potencial de valorização de 18%. Ainda assim, esse retorno não parece suficiente para justificar uma mudança de recomendação neste momento.
O valuation continua mostrando pontos de interesse. O papel negocia a 5,8 vezes lucro estimado para 2026 e a 5,3 vezes para 2027. Considerando o retorno total estimado, esse múltiplo cai para 5,5 vezes em 2026. Em valor patrimonial, a ação negocia perto de 0,95 vez para 2026 e 0,94 vez para 2027, patamar que sugere alguma assimetria para uma companhia com retorno sobre o patrimônio estimado em 17%.
Ainda assim, o Safra entende que o desconto só deve se traduzir em uma oportunidade mais clara se houver melhora adicional nos fundamentos operacionais.
O que pode destravar a ação
A ação do PagBank pode ganhar tração se a empresa mostrar uma combinação mais robusta entre crescimento e rentabilidade. O mercado deve acompanhar de perto três pontos nos próximos trimestres.
O primeiro é a evolução dos volumes de pagamentos, que seguem como peça importante para a leitura do negócio principal. O segundo é a resiliência das receitas por transação, em um ambiente de concorrência intensa. O terceiro é a capacidade de o crédito aumentar participação no resultado sem comprometer a qualidade da carteira.
Se esses fatores avançarem ao mesmo tempo, a tese pode ganhar força. Até lá, a visão tende a seguir equilibrada entre sinais de melhora e cautela na execução.
Principais riscos para a tese
Entre os principais riscos para a tese de investimento em PagBank, o Safra destaca:
- avanço de novas tecnologias e desintermediação no setor;
- aumento da concorrência;
- mudanças regulatórias;
- deterioração do ambiente macroeconômico;
- baixo custo de troca no mercado de adquirência.
Análise dos especialistas
O PagBank entra em 2026 com um sinal mais favorável vindo da operação de crédito. Esse movimento ajuda a compensar parte das dificuldades ainda presentes no negócio de pagamentos e melhora a leitura sobre o momento operacional da companhia.
Mesmo assim, a ação ainda depende de provas adicionais de execução para oferecer uma relação mais convincente entre risco e retorno. Por enquanto, os especialistas do Safra enxergam evolução, mas não o suficiente para abandonar a cautela.