A Orizon (ORVR3) apresentou um resultado fraco no segundo trimestre de 2026, em linha com o esperado pelo Safra. A pressão de custos e a expansão mais lenta das unidades de biometano limitaram o desempenho da companhia.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização das operações antigas, sem considerar o resultado de empresas controladas em conjunto, somou R$ 112 milhões. O valor representa queda de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 11% abaixo da estimativa do Safra.
O resultado também ficou 16% abaixo do consenso do mercado. A comparação foi afetada por R$ 16,4 milhões em despesas relacionadas à aquisição da Vital.
Excluindo esses efeitos, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado alcançou R$ 128 milhões, alta de 3% na comparação anual e resultado praticamente em linha com a projeção do Safra.
A Orizon registrou prejuízo líquido de R$ 20 milhões, sem considerar a parcela atribuída aos acionistas não controladores. O Safra esperava lucro líquido de R$ 20 milhões.
Aterros apresentam crescimento
A receita das operações antigas da Orizon alcançou R$ 349 milhões, alta de 32% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O resultado ficou 14% acima da estimativa do Safra e 16% acima do consenso do mercado. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento dos volumes nos aterros e pela recuperação das tarifas cobradas pelo recebimento de resíduos.
Os volumes dos aterros cresceram 11% em um ano e ficaram 12% acima da projeção do Safra. O avanço refletiu o início das operações de novos ativos.
As tarifas de recebimento de resíduos aumentaram 8,5% na comparação anual e ficaram 2,8% acima da estimativa.
O desempenho mostra que a unidade de Gestão e Disposição de Resíduos continua sendo o principal suporte operacional da Orizon.
Biometano avança lentamente
A produção de biogás caiu 13% na comparação anual. O movimento reflete a transição das unidades de Jaboatão e Paulínia Verde para a produção de biometano.
A geração de biogás ficou 7,6% abaixo do nível registrado um ano antes, em linha com a estimativa do Safra.
A produção de biometano, contudo, ficou abaixo do esperado. Em Jaboatão, o volume ficou 44% abaixo da projeção. Em Paulínia, a diferença negativa foi de 23%.
O desempenho indica que o processo de expansão e estabilização das novas unidades ainda demanda mais tempo do que o previsto.
Na avaliação do Safra, a recuperação dos resultados da Orizon depende, em grande parte, da normalização da produção de biometano e da evolução operacional dos novos ativos.
Vital amplia a operação
Na Vital, os volumes de gestão e coleta de resíduos ficaram em linha com as estimativas do Safra. A produção de biogás, porém, permaneceu mais fraca.
Considerando a contribuição da Vital, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado, sem o resultado de empresas controladas em conjunto, alcançou R$ 286 milhões.
A Vital contribuiu com R$ 158 milhões para esse resultado. O valor ficou estável em relação ao segundo trimestre de 2025, mas 7% abaixo da projeção do Safra.
As operações da Vital apresentaram margem de 25%, abaixo dos 30% estimados. A diferença refletiu principalmente o processo de integração e a expansão das novas operações.
A aquisição amplia a presença da Orizon no mercado de gestão de resíduos, mas também aumenta a complexidade operacional no curto prazo.
Custos aumentam
Os custos e as despesas consolidados, sem considerar depreciação e amortização, cresceram 70% na comparação anual.
O valor ficou 32% acima da estimativa do Safra. A alta refletiu a consolidação dos novos ativos, as despesas relacionadas à aquisição da Vital, o aumento da remuneração variável dos funcionários e a expansão das operações.
A pressão de custos ocorreu justamente durante o período de expansão dos novos ativos. Com isso, o crescimento da receita não foi suficiente para compensar totalmente o aumento das despesas.
O resultado final também foi afetado por um desempenho abaixo do esperado das empresas controladas em conjunto, especialmente em Paulínia e na OneBio.
A alíquota de impostos mais elevada contribuiu para ampliar a diferença entre o resultado operacional e o lucro líquido.
Dívida recua
A relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização caiu para 1,8 vez no segundo trimestre, ante 2,6 vezes no primeiro trimestre de 2026.
A redução foi favorecida pela integração da Vital, que apresenta menor alavancagem em comparação com o balanço original da Orizon.
A melhora do indicador reduz a pressão financeira e oferece maior espaço para a companhia avançar na integração dos ativos adquiridos.
Ainda assim, a evolução da dívida continuará dependendo da capacidade de os novos projetos aumentarem a geração de caixa.
Safra aguarda evolução do biometano
Para o Safra, o resultado da Orizon foi fraco, mas não trouxe surpresas relevantes.
O desempenho positivo dos aterros, apoiado pelo início de novos ativos e pela recuperação das tarifas, compensou apenas parcialmente a lenta expansão do biometano.
A produção abaixo do esperado em Jaboatão e Paulínia continua sendo o principal ponto de atenção. A companhia também precisa capturar ganhos de eficiência nas operações da Vital para recuperar as margens.
O Safra mantém recomendação de compra para as ações da Orizon. A avaliação considera que a companhia pode se beneficiar dos ativos adquiridos, da integração com a Vital e dos projetos de biometano quando a expansão operacional atingir um ritmo mais normalizado.