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Nubank tem trimestre misto, com pressão no crédito e melhora de eficiência

Nubank (ROXO34) tem receitas em linha e ganho de eficiência, mas avanço do risco de crédito e das provisões pesa no resultado


O Nubank (ROXO34) divulgou resultados mistos no primeiro trimestre de 2026. Na leitura do Safra, o balanço trouxe um viés levemente mais negativo, principalmente por causa da evolução dos indicadores de crédito.

Para o banco, olhar apenas para a inadimplência ou para os créditos em estágio mais avançado de deterioração não captura toda a história. O ponto central do trimestre esteve no avanço relevante das operações classificadas em estágio intermediário de risco, que cresceram muito acima da sazonalidade histórica.

Esse movimento importa porque a migração inicial de uma carteira saudável para um estágio de maior risco já exige uma parcela relevante das provisões esperadas ao longo da vida do crédito. Em outras palavras, parte importante da pressão no resultado já apareceu agora, antes mesmo de uma eventual piora adicional nos próximos trimestres.

Provisões sobem e lucro fica abaixo do esperado

A receita total do Nubank somou US$ 4,968 bilhões, em linha com a estimativa do Safra. O desempenho refletiu receitas com tarifas ligeiramente maiores e receitas de juros um pouco menores.

As despesas com juros vieram abaixo do esperado, ajudadas pela queda do custo de captação. Ainda assim, esse alívio não foi suficiente para compensar a alta das provisões para perdas com crédito, que avançaram 27% em relação à estimativa do banco.

Com isso, o lucro bruto chegou a US$ 1,865 bilhão, abaixo da projeção do Safra. Já o lucro antes dos impostos somou US$ 955 milhões, com recuo trimestral e resultado 17% inferior ao esperado.

O lucro líquido reportado ficou em US$ 872 milhões, 6% abaixo da projeção do Safra. Parte desse número foi favorecida por uma alíquota efetiva de imposto de 8,7%, abaixo do patamar que a própria companhia espera para os próximos trimestres.

Estágio intermediário do crédito preocupa mais que a inadimplência

Na avaliação do Safra, o dado mais relevante do trimestre foi o forte crescimento das operações classificadas em estágio intermediário e avançado de risco. Só as novas provisões ligadas ao estágio intermediário somaram US$ 535 milhões, muito acima dos US$ 183 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Esse dado sugere que o Nubank provisionou o necessário diante da piora observada, sem sinal de conservadorismo excessivo. Para o banco, essa leitura parece mais realista do que uma análise focada apenas na inadimplência acima de 90 dias.

Agora, a trajetória do segundo trimestre dependerá do comportamento dessas carteiras que migraram recentemente para uma faixa de risco maior. Se elas permanecerem nesse estágio, a pressão pode ser mais limitada. Por outro lado, se avançarem para um nível mais crítico, novas provisões devem voltar a pesar sobre o resultado.

Eficiência melhora e gestão tenta reduzir preocupações

Do lado positivo, o trimestre trouxe sinais favoráveis na operação. O índice de eficiência melhorou e a relação entre custos e receitas caiu para 21%, ante 23% no trimestre anterior.

Além disso, a administração reiterou que não enxerga um problema estrutural na qualidade dos ativos. A companhia destacou que a cobertura de provisões sobre a carteira de crédito chegou a 16,2%, acima dos níveis históricos de perdas efetivas, o que indicaria um balanço mais preparado para enfrentar o ciclo atual.

A gestão também afirmou que a margem financeira ajustada ao risco deve se recuperar ao longo do ano. Outro ponto que ajudou a reduzir incertezas foi o compromisso de limitar o impacto da expansão nos Estados Unidos sobre a eficiência em menos de 1 ponto percentual por ano até 2027.

Imposto menor ajuda, mas efeito não deve se repetir no mesmo nível

Um dos fatores que aliviaram a leitura final do trimestre foi a carga tributária mais baixa. A alíquota efetiva ficou em 8,7%, nível que favoreceu o lucro líquido reportado.

No entanto, a própria companhia indicou que esse patamar tende a subir nos próximos trimestres. A expectativa da administração é de convergência para uma faixa entre 15% e 20%, o que reduz a chance de repetição desse benefício na mesma magnitude.

Assim, mesmo com receitas resilientes e melhora operacional, o efeito positivo do imposto menor não muda a principal mensagem do trimestre, que segue concentrada na deterioração do crédito.

Análise dos especialistas

Na visão do Safra, o resultado do Nubank combinou sinais contraditórios. De um lado, houve avanço de eficiência, controle do custo de captação e uma mensagem mais tranquila da administração sobre a estrutura do balanço. De outro, a piora do risco de crédito apareceu de forma mais clara e pressionou provisões e lucro.

Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra para a ação. A avaliação parte da leitura de que o balanço segue bem preparado, a rentabilidade operacional continua sólida e a margem financeira ajustada ao risco tende a melhorar ao longo do ano.

Em resumo, o Nubank começou 2026 com um trimestre mais pressionado no crédito, mas ainda com fundamentos que sustentam uma visão positiva para o papel no horizonte mais longo.


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