O holding da Nubank (ROXO34) apresentou lucro líquido gerencial de US$ 1,061 bilhão no segundo trimestre de 2026. O resultado cresceu 21,8% em relação ao trimestre anterior e ficou 9,2% acima da estimativa do Safra.
A companhia combinou receitas de crédito acima do esperado, menor custo de captação e redução do custo de crédito. Com isso, o lucro bruto alcançou US$ 2,441 bilhões, alta de 30% na comparação trimestral e resultado 16,7% superior à projeção do Safra.
O retorno sobre o patrimônio ficou em 33%, patamar elevado em relação aos principais concorrentes do setor financeiro.
Na avaliação do Safra, o resultado foi positivo para as ações do Nubank (NU). A recomendação de compra foi reiterada.
Crédito impulsiona o resultado
As receitas totais do Nubank somaram US$ 5,876 bilhões, 2,1% acima da estimativa do Safra.
O desempenho refletiu principalmente o crescimento das receitas de crédito e das tarifas. A receita de aplicações financeiras, por outro lado, ficou abaixo do esperado e limitou parcialmente o resultado.
As receitas de crédito aumentaram 14% em relação ao trimestre anterior. O avanço foi impulsionado pela expansão dos rendimentos dos ativos que geram receita, observada desde o trimestre anterior.
Ao mesmo tempo, o custo de captação ficou 4,5% abaixo da previsão. O custo de crédito também foi 8,9% inferior à estimativa do Safra.
Essa combinação elevou a margem financeira ajustada ao risco para 12,4%, alta de 2,92 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. O avanço representou uma recuperação mais forte do que a esperada com base no comportamento sazonal dos negócios.
Despesas aumentam
As despesas operacionais ficaram 13,4% acima da projeção do Safra. O aumento foi concentrado em gastos gerais e administrativos, marketing e suporte aos clientes.
Apesar da pressão sobre as despesas, o avanço da receita líquida de juros e a redução dos custos de crédito compensaram o impacto negativo.
O índice de eficiência ficou em 19,5%. O indicador mostra quanto da receita é consumido pelas despesas operacionais. Quanto menor o índice, maior tende a ser a eficiência da instituição.
O lucro antes dos impostos alcançou US$ 1,630 bilhão, alta de 32,6% no trimestre e 18,2% acima da estimativa do Safra.
Após o pagamento de US$ 569 milhões em impostos, o lucro líquido reportado ficou em US$ 1,061 bilhão.
Inadimplência exige atenção
Embora a rentabilidade continue elevada, o Nubank apresenta sinais de deterioração na qualidade dos ativos à medida que o ciclo de crédito amadurece.
A carteira de créditos em estágio mais avançado de atraso cresceu 16% no trimestre. Além disso, o índice de inadimplência superior a 90 dias aumentou 0,4 ponto percentual, para 6,9%.
O aumento dos atrasos também contribuiu para a expansão das receitas com tarifas de atraso. Essas receitas cresceram 9,5% no trimestre e passaram a representar 18% da receita total de tarifas.
A administração informou que o impacto do programa Desenrola permaneceu limitado. Segundo a companhia, o programa reduziu as perdas de crédito esperadas em menos de 5%.
Para o Safra, os indicadores de qualidade dos ativos continuam sendo o principal ponto de atenção. Ainda assim, a instituição avalia que a capacidade de geração de resultados do Nubank (NU) permanece superior à dos concorrentes.
Carteira cresce 5,9%
A carteira total de crédito do Nubank aumentou 5,9% em relação ao trimestre anterior, para US$ 40,3 bilhões.
A carteira de empréstimos cresceu 4,1%, enquanto a de cartões de crédito avançou 6,8%.
Os depósitos de clientes subiram 6,8%, para US$ 43,5 bilhões. O crescimento dos depósitos ficou acima da expansão do balanço geral e fortaleceu a estrutura de financiamento da companhia.
O avanço da carteira mostra que o Nubank continua ampliando a oferta de crédito mesmo em um cenário de maior seletividade no setor financeiro.
Rentabilidade sustenta expansão
Na avaliação do Safra, o Nubank continua apresentando níveis de rentabilidade muito superiores aos dos principais concorrentes.
A margem financeira ajustada ao risco, de 12,4%, oferece capacidade para absorver perdas maiores e, ao mesmo tempo, sustentar a expansão da carteira de crédito.
Esse diferencial pode favorecer a companhia enquanto os bancos tradicionais permanecem mais cautelosos na concessão de crédito para clientes de maior risco.
O Safra considera que o Nubank ainda tem espaço para ganhar participação de mercado. A estratégia, no entanto, dependerá do equilíbrio entre crescimento, qualidade dos ativos e controle dos custos.
Capital permanece sólido
O Nubank encerrou o segundo trimestre com índice de capital principal de 11,9%, alta de 0,63 ponto percentual em relação ao trimestre anterior.
O índice de capital de nível 1 também avançou, para 13,4%.
A evolução dos indicadores reforça a capacidade da companhia de sustentar o crescimento da carteira e enfrentar eventuais oscilações na qualidade dos ativos.
A posição de capital também reduz a necessidade de desacelerar a expansão do crédito no curto prazo, embora o cenário continue exigindo monitoramento dos níveis de inadimplência.
Safra mantém recomendação de compra
O resultado do segundo trimestre mostrou que a capacidade de geração de resultados do Nubank continua prevalecendo sobre os efeitos do ciclo de crédito.
A companhia superou as estimativas de lucro, ampliou a margem financeira ajustada ao risco e manteve retorno sobre o patrimônio de 33%.
Por outro lado, a alta da inadimplência superior a 90 dias e o crescimento dos créditos em estágio avançado de atraso indicam que os riscos do ciclo ainda estão presentes.
Na avaliação do Safra, a forte rentabilidade oferece margem suficiente para sustentar o crescimento da carteira e continuar ampliando a participação de mercado.
Diante desse cenário, o Safra reiterou a recomendação de compra para as ações do Nubank.