Os resultados dos neobancos brasileiros no segundo trimestre de 2026 devem mostrar trajetórias distintas entre Nubank (ROXO34) e Inter (INBR32), segundo avaliação do Safra.
O banco projeta um cenário mais positivo para o Nubank, apoiado pela expansão da margem financeira, crescimento da carteira de crédito e menor custo de risco.
Por outro lado, o Inter deve continuar enfrentando desafios relacionados à qualidade dos ativos, desaceleração da originação de crédito e pressão sobre rentabilidade.
Nubank deve acelerar lucro e margem financeira
O Safra espera que o Nubank reporte lucro líquido de US$ 972 milhões no segundo trimestre, avanço de 12% em relação ao trimestre anterior e de 53% na comparação anual.
O desempenho deve ser sustentado pelo crescimento da carteira de crédito, estimado em 7% no trimestre, além da expansão da margem financeira.
O banco projeta alta de 91 pontos-base na margem financeira ajustada ao risco, refletindo uma geração mais forte de receitas e um custo de risco potencialmente menor.
Além disso, o programa Desenrola pode trazer efeitos positivos adicionais para recuperação de crédito, embora a magnitude desse impacto ainda seja incerta.
Crescimento do crédito segue robusto
Segundo o Safra, o Nubank continua apresentando forte ritmo de originação de crédito e não demonstra sinais relevantes de deterioração da carteira capazes de limitar o crescimento.
Ainda assim, a inadimplência de operações mais problemáticas deve avançar levemente, com o índice Stage 3 estimado em 8,2%.
As provisões para perdas de crédito também devem crescer no trimestre, embora em ritmo mais moderado diante da expectativa de menor custo de risco.
Com isso, o lucro bruto do Nubank pode alcançar US$ 2,09 bilhões, com crescimento de 11% frente ao trimestre anterior.
Expansão global deve elevar despesas do Nubank
O Safra projeta crescimento de 30% nas despesas operacionais do Nubank na comparação anual.
A expansão internacional, o retorno ao trabalho presencial e os investimentos em tecnologia devem pressionar os custos da companhia.
Mesmo assim, o banco avalia que a expansão das receitas deve compensar o aumento das despesas, ainda que o índice de eficiência apresente piora no trimestre.
Apesar da expectativa mais positiva para os resultados de curto prazo, o Safra observa que investidores estrangeiros continuam cautelosos em relação ao horizonte de longo prazo da companhia.
Segundo o banco, dúvidas estruturais sobre crescimento futuro e movimentos globais de realocação para mercados desenvolvidos seguem no radar dos investidores.
Inter deve continuar enfrentando pressão
Para o Inter, o Safra projeta lucro líquido de R$ 405 milhões no segundo trimestre, crescimento de 3% frente ao trimestre anterior.
Ainda assim, o banco avalia que as tendências de qualidade dos ativos continuam sendo um dos principais pontos de preocupação.
A expectativa é de desaceleração marginal da carteira de crédito, enquanto o custo de risco deve subir 41 pontos-base no trimestre, para 6%.
Segundo o Safra, o aumento da participação de operações de financiamento e o amadurecimento da carteira de crédito consignado privado devem pressionar os indicadores de risco.
Crédito consignado e cartões desaceleram
O Inter também deve reduzir o ritmo de originação do crédito consignado privado ao longo do trimestre.
Além disso, o crescimento da carteira de cartões de crédito tende a desacelerar, refletindo uma postura mais conservadora em relação ao risco.
O Safra projeta expansão anual de 24% na carteira de cartões, abaixo do ritmo observado no primeiro trimestre de 2026.
Ao mesmo tempo, a margem financeira ajustada ao risco deve continuar pressionada, com leve retração na comparação trimestral.
Valuation baixo não elimina cautela
Apesar do valuation considerado descontado, o Safra avalia que ainda é difícil sustentar uma visão mais positiva para as ações do Inter.
O banco destaca que os sinais de desaceleração operacional e a pressão persistente sobre a qualidade dos ativos continuam limitando uma recomendação mais otimista no curto prazo.
Por outro lado, o controle das despesas operacionais pode contribuir para alguma melhora de eficiência ao longo do trimestre.