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Nubank investe em busca de oportunidades em IA

Nu Holdings, dona da Nubank, sofre pressão de custos por tecnologia de inteligência artificial e provisões maiores no 4T


Dona do Nubank, a Nu Holdings (ROXO34) teve trimestre misto, mas especialistas do Banco Safra entendem como mais negativo para as ações pela falta de surpresas positivas e menor espaço para ganhos de eficiência no curto prazo. Em meio a um ambiente de maior interesse global sobre modelos expostos à IA, o posicionamento do Nu como potencial beneficiário estrutural segue em debate.

A gestão abordou o tema de forma construtiva na teleconferência de resultados, realizada no dia 25 de fevereiro, colocando a IA como ameaça e oportunidade, embora, na visão do Safra, com viés positivo, já que o Nu é altamente intensivo em tecnologia em todos os processos.

Ainda assim, a percepção que ficou foi de que isso deve pressionar o Opex daqui em diante, pois investimentos de fronteira em tecnologia, principalmente IA, parecem praticamente mandatórios para que a vantagem competitiva seja mantida.

Do ponto de vista fundamental, as tendências subjacentes seguem saudáveis, especialmente em crescimento de crédito, ARPAC e qualidade de ativos. Contudo, na avaliação dos especialistas do Safra, este não foi um trimestre com surpresas positivas capazes de gerar reação favorável no mercado.

Comparação com o 3T

Em comparação ao 3T, que se beneficiou de ECL estruturalmente menor, provisões aumentaram de forma relevante, levando a um miss de gross profit, explicado como custo de crédito antecipado devido à forte originação, que leva tempo para ser acumulativa.

A gestão mencionou expansão de ~US$ 11 bi em limites de crédito não utilizados concedidos no ano. O Nu apresentou um novo P&L gerencial, considerado mais adequado para explicar criação de valor, mas neste trimestre ainda comparamos números contábeis.

Destaque para um miss no Opex, explicado não só pela sazonalidade do 4T, mas por efeitos como retorno ao escritório, tecnologia, IA e globalização, que pressionaram o EBT e geraram um miss de -13%.

Por outro lado, a taxa efetiva de impostos foi menor, explicada por ganho não recorrente na remensuração de ativos fiscais diferidos (DTAs) devido ao aumento da CSLL no Brasil em 2026, parcialmente compensado por outras despesas extraordinárias, além de maior benefício fiscal por investimentos em tecnologia, levando o lucro líquido a ficar em linha com JSe e com o consenso.

O 4T reforça a visão de mais um ano forte, sem mudar a avaliação construtiva do Safra sobre o Nu. No entanto, foi um trimestre menos animador e sem expectativas para reação positiva no pregão seguinte.

Destaques

A receita total foi de US$ 4,686 bi (visão contábil), 2% acima da projeção Safra, por juros e tarifas um pouco maiores.

Em contrapartida, despesas de juros vieram 2% acima do esperado (custo gerencial de funding caiu -2 p.p.T/T para 87%) e provisões ficaram 11% acima (custo de risco ↑ xxx T/T). Assim, o gross profit de US$ 1,943 bi (+7% T/T; +6% FXN) ficou 4% abaixo do número estimado por especialistas do Safra.

O Opex foi outra surpresa negativa, ficando 10% acima do JSe, puxado por G&A e marketing.

A eficiência melhorou 40 bps T/T. O EBT de US$ 1,078 bi ficou -13% abaixo da projeção do Safra (-3% T/T; -5% FXN). A taxa efetiva de imposto foi de 17%, levando a lucro líquido de US$ 895 mi (+14% T/T; +13% FXN), 2% acima da estimativa.

A empresa mencionou impacto positivo de US$ 58 mi pós impostos pela remensuração de DTAs ligadas à CSLL.

Os efeitos negativos relacionados ao adicional das Sofipos e retorno ao escritório somaram US$ 25 mi e US$ 22 mi, respectivamente.


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