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ANÁLISE

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Holding do Nubank aposta em pequenas e médias empresas

Análise do Safra mostra que o crédito para micro e pequenas empresas pode gerar alto retorno e valor incremental relevante para a Nu Holdings (ROXO34)


O mercado de crédito para pequenas e médias empresas no Brasil apresenta uma oportunidade relevante de crescimento. Apesar do tamanho expressivo, o segmento segue estruturalmente subpenetrado e concentrado em instituições financeiras tradicionais. Dados do Banco Central do Brasil, de outubro de 2025, mostram que o estoque total de financiamento a pequenas e médias empresas soma cerca de R$ 715 bilhões. Capital de giro, cartões de crédito e cheque especial respondem por aproximadamente 91% desse volume. Para o Safra, esses produtos representam oportunidades de entrada mais imediatas para a Nu Holdings (ROXO34), uma das maiores plataformas de serviços financeiros digitais do mundo, dona da Nubank.

Ao restringir a análise às micro e pequenas empresas, onde as vantagens de distribuição e uso de dados do Nubank se mostram mais evidentes, o mercado endereçável recua para cerca de R$ 370 bilhões em 2025. Esse recorte aparece como o segmento mais realista e executável para a companhia no médio prazo.

Crescimento acelerado a partir de uma base ainda pequena

Na avaliação do Safra, o mercado ainda subestima o valor que pode ser destravado com a atuação da Nu Holdings no crédito para empresas de menor porte. A companhia atende atualmente cerca de 4 milhões de clientes ativos nesse segmento, mas sua carteira de crédito soma apenas R$ 4,2 bilhões.

Esse volume representa menos de 1% do mercado endereçável implícito, o que evidencia um amplo espaço para crescimento mesmo sem uma expansão relevante da base de clientes. Além disso, o ritmo de avanço já se acelera. Em 2025, a carteira de crédito para empresas quase dobrou na comparação anual.

Nesse contexto, o Nubank passou a se destacar como um dos principais nomes entre as instituições financeiras digitais. O Safra avalia que o direito competitivo de vencer é mais claro no segmento de microempresas, que apresenta maior fragmentação. Já os ganhos de participação entre pequenas empresas tendem a ganhar tração à medida que a companhia amplia sua oferta de produtos.

Retorno potencial elevado no médio prazo

O potencial de rentabilidade reforça a atratividade da tese. O Safra estima que o crédito para pequenas e médias empresas pode alcançar níveis de retorno semelhantes aos do crédito pessoal, ainda que em menor escala.

Em um exercício de economia unitária com horizonte até 2030, o banco estima que, no nível do sistema, operações bem executadas de capital de giro podem atingir retorno sobre o patrimônio líquido próximo de 40%. O cenário assume gestão sólida da qualidade dos ativos e elevado grau de relacionamento principal com o cliente.

As premissas incluem taxa mensal de empréstimos ao redor de 5%, custo de captação equivalente a 100% do CDI, custo de risco próximo de 25% e alavancagem em torno de oito vezes.

Para a Nu Holdings, o Safra vê um caminho para um retorno sobre o patrimônio líquido próximo de 100% em 2030. Esse desempenho seria impulsionado por uma estrutura de custos mais eficiente, menor custo de captação, em linha com a força da franquia no Brasil, e um perfil tributário mais favorável.

Ainda assim, o banco pondera que a escalabilidade tende a ser mais limitada do que no crédito pessoal. A maior complexidade operacional e a necessidade de um portfólio mais amplo de produtos podem restringir a penetração nas faixas mais altas do segmento empresarial.

Valor relevante ainda não refletido na avaliação da companhia

Ao traduzir o potencial operacional em avaliação, o Safra estima que a vertical de crédito para pequenas e médias empresas pode gerar cerca de R$ 4,1 bilhões em lucro líquido até 2030. Com a aplicação de um múltiplo de preço sobre lucro de 6,1 vezes, em linha com o múltiplo atual da companhia e com o consenso de mercado, o valor implícito da operação chega a R$ 25 bilhões.

Esse montante representa um potencial de valorização de 6,4% em relação ao valor de mercado atual da Nu Holdings. Para o Safra, mesmo sob premissas conservadoras de penetração, o segmento de pequenas e médias empresas tende a se consolidar como uma fonte incremental relevante de lucros e um componente ainda subavaliado do valor da companhia ao longo do tempo.


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