O Nu Holdings (ROXO34) mantém conversas preliminares com a Monzo sobre uma possível aquisição da fintech britânica, segundo reportagem da Sky News publicada em 26 de setembro.
A notícia atribuiu à Monzo um valor entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras. A faixa equivale a cerca de 16% a 20% do valor de mercado atual do Nu Holdings. A operação poderia envolver caixa e ações da companhia brasileira.
No entanto, as empresas não confirmaram as negociações. Também não divulgaram preço, forma de pagamento, ativos incluídos na transação, estrutura de governança ou cronograma. Portanto, o mercado ainda trata todos os termos como informações reportadas, sem confirmação oficial.
Monzo oferece escala no mercado britânico
A aquisição daria ao Nu uma entrada imediata no Reino Unido. A Monzo reúne uma marca conhecida, plataforma bancária consolidada e operação voltada tanto a pessoas físicas quanto a empresas.
A fintech também possui uma porta de entrada regulada na União Europeia por meio da Irlanda. Esse ativo pode ampliar a relevância estratégica da operação para o Nu Holdings, que busca expandir sua presença fora da América Latina.
Ao fim do ano fiscal de 2026, a Monzo tinha 15,2 milhões de clientes e 10,4 milhões de usuários ativos mensais. Segundo a própria metodologia da companhia, 49% dos usuários ativos de varejo consideravam a Monzo seu banco principal.
Além disso, 79% dos novos clientes chegaram por indicação. O indicador reforça a força da marca e a capacidade de crescimento orgânico da instituição no mercado britânico.
Crescimento e depósitos fortalecem a tese
A Monzo acelerou o crescimento no último ano fiscal. A receita avançou 39% em relação ao período anterior, enquanto o lucro bruto cresceu 35%.
Os depósitos aumentaram 55% e alcançaram 25,7 bilhões de libras. A empresa também registrou relação bruta entre empréstimos e depósitos de 10,2%, além de índice de capital de melhor qualidade de 33,45%.
Os números indicam uma base de captação relevante e espaço para ampliar a monetização dos clientes. Para o Nu Holdings, a Monzo poderia acrescentar distribuição, depósitos, licenças regulatórias e presença local.
Em contrapartida, o banco digital brasileiro poderia levar à operação sua experiência em concessão de crédito, venda de produtos adicionais, análise de dados e eficiência operacional.
Preço pode pressionar a percepção do mercado
A possível transação, porém, levanta dúvidas sobre o preço. Na faixa de valor reportada, a Monzo seria avaliada entre 6,2 vezes e 7,8 vezes seu valor patrimonial projetado para 2026.
A avaliação também corresponderia a entre 6,6 vezes e 8,3 vezes o lucro bruto estimado para 2027, considerando crescimento próximo de 20% no próximo ano. O Nu Holdings, por sua vez, negocia atualmente a cerca de 6 vezes seu valor patrimonial.
A diferença sugere que os acionistas do Nu Holdings poderiam financiar antecipadamente uma parcela relevante dos lucros futuros da Monzo. A preocupação central, portanto, não está na qualidade da franquia britânica, mas no risco de uma alocação de capital exigente.
Expansão ocorre em momento sensível
O Nu Holdings dispõe de capital excedente para viabilizar uma eventual aquisição. A restrição não parece ser financeira.
Ainda assim, a possível expansão para outro continente acontece em um momento delicado. O principal motor de lucro do grupo, no Brasil, enfrenta um ciclo de crédito mais desafiador e a possibilidade de medidas para limitar o endividamento das famílias.
Ao mesmo tempo, as operações no México e nos Estados Unidos ainda não atingiram o mesmo nível de maturidade. Uma expansão mais agressiva do crédito no Reino Unido também exigiria capital e elevaria o risco da carteira.
A compra da Monzo poderia acelerar a internacionalização do Nu Holdings. Contudo, a operação não garante, por si só, retornos atrativos aos acionistas. O avanço das conversas e os termos finais serão decisivos para a reação do mercado.