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Natura frustra na receita, mas recupera rentabilidade

Queda nas vendas pressiona o topo do balanço, enquanto cortes de custos e ajustes sustentam forte expansão da margem EBITDA no trimestre


A Natura &Co (NTCO3) apresentou um desempenho misto no quarto trimestre de 2025. A companhia voltou a frustrar no crescimento da receita, apesar de sinais claros de recuperação operacional. A receita líquida consolidada caiu 12,1% na comparação anual. Em moeda constante, a retração foi de 3,4%. O número ficou 3,4% abaixo da estimativa do Safra.

O desempenho fraco refletiu a queda disseminada nas vendas. A Natura Hispânica foi a única divisão a registrar crescimento em moeda constante no período. As demais operações mantiveram trajetória negativa, pressionadas pelo ambiente macroeconômico e por efeitos cambiais adversos.

Margem EBITDA avança com cortes de custos

O principal destaque do trimestre veio da rentabilidade. O EBITDA ajustado alcançou R$ 978 milhões, acima do esperado. A margem EBITDA ajustada chegou a 15,8%, avanço de 700 pontos-base em um ano e 280 pontos-base acima da projeção do Safra.

Esse movimento decorreu de iniciativas consistentes de redução de custos e despesas. Além disso, a companhia reduziu os chamados custos de transformação não recorrentes. Esses gastos somaram R$ 134 milhões no trimestre, ante R$ 254 milhões no quarto trimestre de 2024. No total, os ajustes positivos chegaram a cerca de R$ 530 milhões, sustentando a expansão das margens.

Lucro volta ao azul, mas fica abaixo do esperado

No resultado final, a Natura registrou lucro líquido de R$ 186 milhões. Um ano antes, a companhia havia reportado prejuízo de R$ 227 milhões. Apesar da melhora relevante, o lucro ficou abaixo da estimativa do Safra, de R$ 297 milhões.

O desvio decorreu de despesas pontuais acima do previsto e de um desempenho mais fraco das operações descontinuadas. Esses fatores limitaram a conversão da melhora operacional em resultado líquido mais robusto.

Brasil e Avon seguem pressionados

No recorte operacional, o Brasil voltou a mostrar desaceleração. As vendas no país recuaram 4,8% em moeda constante. A marca Natura registrou queda de 2,2%, refletindo o enfraquecimento do consumo de cosméticos em um cenário macroeconômico mais restritivo.

A Avon Brasil seguiu como ponto de atenção. As vendas caíram 11,5% em moeda constante, impactadas pela falta de inovação no portfólio de produtos. Na América Latina Hispânica, a Avon também apresentou desempenho fraco, com retração de 14,7% em moeda constante, influenciada pelo processo de integração da chamada Wave 2.

Em contraste, a Natura Hispânica cresceu 6,7% em moeda constante, apoiada por uma recuperação gradual no México. Ainda assim, esse avanço não foi suficiente para compensar a fraqueza das demais regiões.

Casa & Estilo mantém desempenho fraco

A categoria Casa & Estilo seguiu como um dos principais vetores negativos do trimestre. As vendas recuaram 21,5% no Brasil e 26,8% na América Latina Hispânica. O desempenho confirma uma tendência estrutural de enfraquecimento da categoria, sem sinais claros de reversão no curto prazo.

Além disso, o número de consultoras de beleza continuou em queda. No Brasil, a base diminuiu 4,9% na comparação anual. Na América Latina Hispânica, a retração foi ainda mais intensa, de 22,2%.

Visibilidade limitada sustenta recomendação neutra

Na avaliação do Safra, a Natura entregou um resultado operacional melhor do que o esperado em margens, mas ainda enfrenta desafios relevantes no crescimento. A dependência de ajustes e custos não recorrentes segue elevada, o que limita a qualidade da recuperação do EBITDA.

A fraqueza das vendas no Brasil parece ligada, em grande parte, ao ambiente macroeconômico. Isso reduz a visibilidade para uma retomada consistente. Além disso, o turnaround da Avon na América Latina continua incerto.

Com a ação negociando a um múltiplo de preço sobre lucro estimado para 2026 de 9,7 vezes, o Safra vê opções mais atrativas dentro do universo de consumo discricionário. Diante desse cenário, o banco mantém recomendação neutra para NTCO3.


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