O grupo MRV & Co (MRVE3) de construção registrou receita líquida de R$ 2,78 bilhões no primeiro trimestre de 2026. O número ficou em linha com a estimativa do Safra, com queda de 9% em relação ao trimestre anterior e alta de 22% na comparação anual.
Apesar do crescimento da receita em 12 meses, a margem bruta ajustada da MRV Inc. caiu 0,3 ponto percentual frente ao trimestre anterior, para 34,3%. Segundo o Banco Safra, o recuo refletiu provisões mais conservadoras para inflação em um ambiente de custos crescentes.
Na comparação anual, ainda houve avanço de 1,5 ponto percentual, mas o resultado ficou 0,5 ponto abaixo da projeção do banco.
Backlog segue saudável, mas não evita piora no trimestre
A margem do backlog permaneceu estável em 44% no trimestre, com leve melhora na comparação anual. Para o Safra, esse nível ainda deve sustentar expansão de rentabilidade nos próximos trimestres, à medida que vendas mais recentes, feitas com margens mais altas, avancem no mix de receita.
Ainda assim, esse efeito futuro não foi suficiente para compensar a piora imediata no resultado das operações principais.
Lucro da MRV Brasil cai forte
A operação MRV Brasil entregou lucro líquido de R$ 51 milhões no trimestre. O valor representa queda de 74% em relação ao trimestre anterior e ficou 58% abaixo da estimativa do Safra.
O desempenho foi pressionado por despesas comerciais acima do esperado, sobretudo com campanhas de marketing, além de um resultado financeiro líquido mais fraco. Também pesou no trimestre o prejuízo de R$ 54 milhões vindo da operação de true sale, em linha com o observado no período anterior.
Resia segue pressionando o consolidado
A Resia continuou a afetar negativamente o resultado consolidado da MRV. A operação reportou prejuízo líquido de R$ 119 milhões, em linha com a estimativa do Safra.
Segundo o banco, o resultado refletiu também uma despesa de R$ 35 milhões com impostos sobre propriedades. Com isso, a companhia encerrou o trimestre com prejuízo líquido consolidado de R$ 69 milhões, acima da projeção de perda de R$ 28 milhões.
Geração de caixa melhora, mas alavancagem preocupa
Um ponto positivo do trimestre foi a geração de caixa de R$ 392 milhões. Mesmo assim, a alavancagem da MRV segue em patamar elevado.
Ao fim do trimestre, a relação entre dívida líquida e patrimônio ficou em 103%. Quando se incluem as obrigações de cessão de crédito, esse indicador sobe para 179%.
Para o Safra, esse continua sendo um dos principais pontos de atenção da tese, já que limita a visibilidade sobre a evolução dos resultados e reduz o espaço para uma leitura mais construtiva no curto prazo.
Pressão de custos afeta perspectiva de margem
Na avaliação do Safra, o trimestre traz um sinal relevante para os próximos meses. A piora na perspectiva de margens, em meio à pressão inflacionária sobre custos, pode pesar sobre a percepção do mercado.
Embora o banco reconheça que a acessibilidade do programa Minha Casa, Minha Vida segue em níveis historicamente elevados, o que favorece repasses de preços, o ambiente operacional ainda exige cautela.
Recomendação segue neutra
O Safra mantém recomendação neutra para MRV. O banco entende que a empresa ainda precisa avançar de forma mais consistente no processo de desalavancagem para melhorar a visibilidade dos resultados.
Além disso, após a recente correção do setor, o Safra vê outras companhias do segmento com menos gargalos operacionais e perfil mais atraente neste momento.