A MRV (MRVE3) apresentou resultados mistos no segundo trimestre de 2026. A operação brasileira retomou a trajetória de recuperação, mas a Resia continuou pressionando o desempenho consolidado.
A receita líquida alcançou R$ 3 bilhões, alta de 11% na comparação anual e de 8% em relação ao primeiro trimestre. O resultado ficou 4% acima da estimativa do Banco Safra.
A melhora da receita refletiu o avanço das operações principais e a recuperação gradual das margens no Brasil.
Margem da operação brasileira melhora
A margem bruta ajustada da operação brasileira avançou 0,4 ponto percentual em relação ao primeiro trimestre, para 34,7%.
O indicador também ficou 1 ponto percentual acima do segundo trimestre de 2025. O resultado superou em 0,2 ponto percentual a estimativa do Safra.
A margem das vendas contratadas permaneceu em 44%, alta de 0,4 ponto percentual em 12 meses. Esse nível deve apoiar a expansão da rentabilidade nos próximos trimestres, à medida que vendas com margens maiores aumentem sua participação na receita.
Na avaliação do Banco Safra, a evolução indica que a operação brasileira continua avançando apesar dos efeitos da inflação sobre os custos.
Lucro cresce no Brasil
A operação brasileira registrou lucro líquido ajustado de R$ 101 milhões no segundo trimestre. O resultado representa alta de 98% em relação ao primeiro trimestre e ficou 15% acima da estimativa do Safra.
A operação de venda de recebíveis, por outro lado, apresentou prejuízo líquido de R$ 45 milhões. O resultado melhorou 18% em relação ao trimestre anterior.
Mesmo assim, a evolução da operação brasileira ajudou a compensar parte do impacto negativo gerado pela Resia.
Resia amplia prejuízo
A Resia registrou prejuízo líquido de R$ 667 milhões no trimestre. O resultado foi afetado principalmente por uma perda contábil de R$ 570 milhões relacionada à venda de ativos antigos.
A perda reduziu de forma significativa o resultado consolidado da MRV. Como consequência, a companhia registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 540 milhões.
O valor ficou abaixo da estimativa do Safra, que previa prejuízo de R$ 232 milhões.
Na avaliação do banco, a perda está relacionada ao último projeto antigo vendido pela Resia. Por isso, a expectativa é de que a subsidiária exerça menor pressão sobre os resultados consolidados daqui em diante.
Caixa fica positivo
A MRV encerrou o trimestre com geração de caixa de R$ 68 milhões. O resultado já havia sido divulgado anteriormente.
Apesar da geração positiva, a estrutura financeira continua exigindo atenção. A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido alcançou 113%, alta de 10 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre e ao mesmo período de 2025.
Quando são incluídas as obrigações relacionadas à cessão de recebíveis, o indicador sobe para 204%. Nesse caso, houve aumento de 25 pontos percentuais no trimestre e de 34 pontos percentuais em 12 meses.
Desalavancagem é desafio
A elevada alavancagem continua como um dos principais obstáculos para a recuperação da MRV.
Embora a operação brasileira tenha apresentado melhora de rentabilidade, a posição financeira ainda limita a visibilidade sobre os resultados futuros. A redução da dívida e das obrigações relacionadas à cessão de recebíveis será essencial para fortalecer a tese de investimento.
O Banco Safra também destaca que outras incorporadoras do setor, com menos restrições financeiras, podem oferecer uma relação entre risco e retorno mais atrativa após a recente queda das ações do segmento.
Safra mantém visão neutra
Na avaliação do Banco Safra, as operações principais da MRV retomaram a trajetória de recuperação após um primeiro trimestre mais fraco.
A melhora da margem bruta e o crescimento do lucro da operação brasileira são sinais positivos. No entanto, o prejuízo da Resia e a elevada alavancagem ainda reduzem a visibilidade sobre o desempenho consolidado.
Por isso, o Safra mantém a recomendação neutra para as ações da MRV. O banco espera uma evolução mais significativa no processo de redução da dívida antes de adotar uma visão mais construtiva para a companhia.