A MRV (MRVE3) apresentou, em 10 de março, no seu Investor Day, os principais vetores da virada operacional e da recuperação de rentabilidade esperada para os próximos anos. O foco recai sobre expansão de margens, otimização do capital empregado, maior velocidade de vendas, ajustes no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e redução de riscos na operação internacional.
Na avaliação do Safra, a companhia avança na direção correta. O ambiente de acessibilidade recorde do MCMV favorece a estratégia. Ainda assim, a alavancagem permanece como o principal obstáculo. Por esse motivo, o banco mantém recomendação Neutra para a ação.
Expansão de margem e retorno sobre o capital
A expansão da margem bruta e a redução do capital empregado devem liderar o ciclo entre 2026 e 2028. A companhia destacou a queda no custo de aquisição de terrenos, que recuou para 9,9% da receita líquida, ante cerca de 11% em 2024. Ao mesmo tempo, o uso de permutas avançou de 64% em 2024 para 93% em 2025, reduzindo a necessidade de desembolsos iniciais de caixa.
As novas vendas já apresentam margem bruta próxima de 35%, em patamar considerado saudável pela gestão. Segundo os executivos, ainda há espaço adicional para melhora. Com maior participação desses projetos no resultado consolidado, a expectativa é de que o retorno sobre o patrimônio (ROE) atinja um nível recorrente entre 22% e 25%, acima dos atuais 8%.
Vendas mais rápidas e lançamentos concentrados
A MRV projeta aceleração na velocidade de vendas a partir de 2026. A meta é alcançar um índice trimestral em torno de 28%, frente aos 24% registrados no quarto trimestre. Esse movimento deve ser sustentado pelo novo ciclo de lançamentos entre 2025 e 2026, que deve responder por cerca de 76% das vendas em 2026.
Os novos projetos já incorporam menor custo de terreno e maior eficiência no desenho dos produtos. O volume de lançamentos em 2026 deve crescer próximo a dois dígitos, com 42% concentrados em dez cidades consideradas estratégicas, com maior capacidade comercial.
Ajustes no MCMV
A gestão destacou os ajustes esperados nos parâmetros do Minha Casa, Minha Vida como um fator adicional de suporte à demanda. Entre eles estão o aumento dos tetos de renda em todos os segmentos e a elevação dos preços máximos nos Tiers 3 e 4.
Segundo a companhia, a alta estimada entre 6% e 12% nos tetos de renda pode gerar um ganho médio de acessibilidade de 6%. Isso abre espaço para reajustes de preços e redução da necessidade de operações de Pró Soluto. Após a aprovação das mudanças, o estoque potencial deve atingir R$ 3,6 bilhões no Tier 1, R$ 1,2 bilhão no Tier 2 e R$ 5,2 bilhões no Tier 3.
Resia entra em fase de redução de risco
No exterior, a MRV reforçou a reestruturação da Resia, diante de um cenário mais desafiador para o mercado multifamily nos Estados Unidos. A subsidiária não iniciará novos projetos dentro da estrutura da MRV&Co e concentrará esforços na monetização do portfólio existente e na redução do landbank.
Atualmente, apenas um projeto segue em construção, o North City, já estruturado no novo modelo com capital de terceiros e fora do balanço consolidado da MRV. A operação passa por uma redução significativa de escala, com queda de cerca de 67% no número de funcionários desde 2024. A prioridade é gerar caixa com a venda de ativos concluídos e diminuir gradualmente a exposição ao risco da Resia.
Alavancagem ainda limita a tese
Apesar dos avanços operacionais, o Safra avalia que o processo de desalavancagem tende a ser gradual e desafiador. A melhora de rentabilidade deve ocorrer, mas o nível de endividamento segue como um fator de cautela na tese de investimento. Por isso, a recomendação para MRVE3 permanece Neutra.