A prévia operacional da MRV & Co (MRVE3) no primeiro trimestre de 2026 veio abaixo do esperado em indicadores relevantes para a leitura de curto prazo da tese.
Embora a incorporadora tenha registrado lançamentos ligeiramente acima das estimativas, o trimestre foi marcado por velocidade de vendas mais suave no segmento principal e por uma geração de caixa recorrente inferior ao projetado pelos analistas do Banco Safra.
Os lançamentos no braço de desenvolvimento imobiliário somaram R$ 2,9 bilhões em PSV líquido, com alta de 2% na comparação trimestral e de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, ficando 5% acima da estimativa do Safra. Já as vendas líquidas atingiram R$ 2,5 bilhões, avanço de 1% ante o 4T25 e de 14% na base anual, mas ainda 5% abaixo da projeção da equipe de análise.
Velocidade de vendas perde tração
O principal ponto de atenção do trimestre foi a taxa de velocidade de vendas (SoS) da operação da MRV, que ficou em 20,1%, com recuo de 2,7 pontos percentuais frente ao trimestre anterior e estabilidade na comparação anual. O indicador veio 140 pontos-base abaixo da estimativa do Safra, reforçando uma leitura de demanda mais moderada no período.
Preço médio avança, mas não compensa perda de ritmo
Apesar do enfraquecimento na absorção comercial, o preço médio de venda apresentou evolução, com alta de 4% em relação ao ano anterior e de 2,5% na comparação trimestral. O movimento sugere alguma sustentação de preço, mas insuficiente para neutralizar a desaceleração da velocidade de vendas no trimestre.
Resia melhora ocupação e ameniza leitura negativa
Se, por um lado, a operação principal mostrou perda de fôlego, por outro a Resia contribuiu para suavizar a leitura do trimestre. A subsidiária alugou 199 novas unidades, elevando a taxa de ocupação para 70% nos quatro empreendimentos remanescentes, acima dos 59% registrados no 4T25.
Esse avanço operacional da Resia se somou à venda de ativos no período, ajudando a sustentar o caixa consolidado da companhia.
Caixa recorrente decepciona, apesar de entrada extraordinária
A geração de caixa consolidada da MRV & Co encerrou o trimestre em R$ 290 milhões. Desse total, R$ 310 milhões vieram da Resia, impulsionados pela venda de ativos realizada no período, incluindo R$ 480 milhões provenientes do empreendimento Tributary e dos terrenos Marine Creek e Tucker.
Ainda assim, o dado mais relevante para a leitura da operação corrente foi a geração de caixa principal da MRV, desconsiderando a venda de recebíveis, que somou apenas R$ 22 milhões, abaixo da estimativa de R$ 62 milhões do Safra e muito inferior aos R$ 175 milhões registrados no 4T25.
Menor volume de transferências pesou no trimestre
Segundo a leitura dos analistas, o desempenho mais fraco do caixa refletiu, sobretudo, a queda no volume de transferências na comparação trimestral, em um contexto no qual a companhia manteve ritmo acelerado de construção. O volume de unidades construídas caiu apenas 1% frente ao trimestre anterior, indicando descasamento entre produção e monetização.
A companhia ainda contou com um efeito positivo de R$ 47 milhões relacionado à mudança na política de pagamentos da Caixa, o que ajudou parcialmente o resultado de caixa no período.
Safra mantém recomendação neutra para MRVE3
Na avaliação dos especialistas em investimentos do Banco Safra, a prévia do 1T26 traz uma combinação de resultados operacionais mais suaves e geração de caixa recorrente aquém do esperado, ainda que parcialmente compensada pela evolução da Resia.
A leitura prospectiva, porém, é de alguma melhora à frente. O Safra avalia que o fluxo de caixa livre tende a avançar nos próximos trimestres, à medida que o volume de transferências se aproxime do número de unidades construídas. Ainda assim, a instituição opta por manter recomendação Neutra para MRVE3, enquanto aguarda sinais mais consistentes de desalavancagem.