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Movida (MOVI3) tem avanço em locação e melhora margens

Expansão das margens em locação e guidance mais forte para o início de 2026 reforçaram a leitura positiva sobre a operação da Movida (MOVI3), apesar da pressão financeira causada pelos juros elevados


A Movida (MOVI3) apresentou um resultado robusto no quarto trimestre de 2025, com avanço operacional nas divisões de aluguel de carros e gestão de frotas. O desempenho confirmou os sinais já antecipados pela prévia operacional e mostrou uma execução comercial consistente em um ambiente ainda desafiador para o setor.

A receita líquida consolidada somou R$ 3,7 bilhões no período, com alta de 12,6% em relação ao mesmo trimestre de 2024. O crescimento veio acompanhado de melhora de rentabilidade, à medida que a companhia elevou preços nos segmentos de Rent-a-Car e Gestão de Frotas e reduziu a participação relativa da venda de seminovos no mix de receita.

Com isso, o EBITDA consolidado alcançou R$ 1,5 bilhão, avanço de 19,8% na comparação anual. A margem EBITDA subiu 2,5 pontos percentuais e chegou a 40,7%, em um movimento que refletiu tanto os reajustes tarifários quanto a alavancagem operacional.

Gestão de frotas e aluguel de carros avançam

O segmento de gestão e terceirização de frotas foi um dos destaques do trimestre. A receita da divisão cresceu 14,9% em um ano, para R$ 1,084 bilhão. O avanço foi impulsionado principalmente pela alta de 12,3% nas tarifas médias, além do crescimento de 1,9% no volume de diárias alugadas.

No aluguel de carros no Brasil, a receita avançou 19,8%, para R$ 969 milhões. O resultado refletiu aumento de 6,6% na diária média, que chegou a R$ 161, além de expansão de 12,3% no volume de locações. A taxa de ocupação também melhorou e atingiu 75,8%.

Já a divisão de seminovos mostrou evolução mais moderada, mas ainda positiva. A receita cresceu 7,2%, para R$ 1,563 bilhão, sustentada por alta de 1,2% no número de veículos vendidos e por aumento de 6% no preço médio de venda, que chegou a R$ 72,3 mil.

Margens melhoram com estratégia comercial

A expansão das margens foi um dos principais pontos do balanço. Na gestão de frotas, a margem EBITDA subiu 2,4 pontos percentuais, para 74,9%. No Rent-a-Car, a margem avançou 1 ponto percentual, para 67%.

Em seminovos, a margem EBITDA ficou estável em 1%. Essa estabilidade teve leitura positiva, porque indica um patamar mais normalizado e sustentável para a operação, sem depender de condições extraordinárias de mercado.

Além disso, o EBIT da companhia cresceu 24,1% em relação ao quarto trimestre de 2024 e atingiu R$ 851 milhões. O movimento contou com um crescimento mais lento da depreciação, que avançou 14,3%, para R$ 639 milhões, beneficiado por uma melhora no mix de vendas.

Lucro sobe, mas juros seguem como pressão

O lucro líquido da Movida (MOVI3) somou R$ 102 milhões no trimestre, com alta de 65% na comparação anual. Ainda assim, o resultado poderia ter sido mais forte sem a pressão das despesas financeiras.

As despesas financeiras líquidas cresceram 26% em um ano e totalizaram R$ 764 milhões. O aumento refletiu tanto a elevação da dívida líquida ajustada, que chegou a R$ 17,5 bilhões, quanto o custo mais alto da dívida em um cenário de juros elevados.

Parte desse efeito foi compensada por um crédito tributário de R$ 15,5 milhões. No mesmo período de 2024, a companhia havia registrado despesa de imposto de renda de R$ 16 milhões.

Alavancagem recua e retorno melhora

Os indicadores de alavancagem mostraram melhora na comparação com o trimestre anterior. A relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 2,6 vezes no quarto trimestre de 2025, ante 2,7 vezes no terceiro trimestre. Já a alavancagem ajustada, que inclui cessões de direitos creditórios, recuou para 3 vezes, abaixo das 3,1 vezes registradas no trimestre anterior e das 3,2 vezes vistas um ano antes.

Ao mesmo tempo, o spread de retorno sobre o capital investido dos últimos 12 meses, conforme divulgado pela companhia, avançou para 5,8%, acima dos 4,1% do terceiro trimestre. O dado indica melhora da rentabilidade operacional, em linha com o desempenho mais forte das operações de locação.

Guidance surpreende

Outro ponto relevante foi a divulgação da projeção de lucro líquido para o primeiro trimestre de 2026. A Movida indicou resultado entre R$ 110 milhões e R$ 130 milhões, acima da estimativa de R$ 106 milhões.

Se confirmado, o número representará crescimento de 40% a 66% sobre o primeiro trimestre de 2025, quando a empresa registrou lucro líquido de R$ 78,5 milhões. Também poderá marcar o trimestre mais forte dos últimos três anos para a companhia.

Visão segue neutra para a ação da Movida

Mesmo com a melhora operacional e um início de 2026 mais promissor, a leitura para a ação segue equilibrada. O desempenho do quarto trimestre mostrou ganhos relevantes em execução, rentabilidade e disciplina comercial. Ainda assim, o ambiente macroeconômico continua desafiador e reduz a atratividade da relação entre risco e retorno.

Por isso, a avaliação permanece neutra para MOVI3. O resultado reforça a qualidade da operação, mas os juros elevados ainda limitam uma visão mais construtiva para o papel no curto prazo.


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