A Movida (MOVI3) apresentou um desempenho sólido no 3T25, registrando EBITDA de R$ 1,5 bilhão — 5% acima da
projeção do Banco Safra e 6% acima das expectativas do mercado.
O desempenho superior foi impulsionado principalmente pela execução consistente nas operações de locação (RAC + GTF), refletindo a eficácia de sua estratégia comercial.
Reajustes de preços nos segmentos de Rent-a-Car e Gestão de Frotas, aliados a uma combinação de receitas mais favorável — marcada por menor exposição à venda de seminovos — sustentaram uma expansão anual de 620 pontosbase na margem EBITDA consolidada, que atingiu 39,3%.
Por outro lado, o lucro líquido foi pressionado por um aumento anual de 33,8% nas despesas financeiras líquidas, que totalizaram R$ 795 milhões.
Apesar disso, o spread do ROIC de 12 meses da companhia melhorou para 4,1% (vs. 3,1% no 2T25), acompanhando o avanço operacional.
O Banco Safra mantém a recomendação Neutra para MOVI3
Na avaliação do Safra, o balanço alavancado da companhia, somado às incertezas macroeconômicas, continua limitando o perfil risco-retorno das ações.
A receita líquida consolidada da Movida foi de R$ 3,8 bilhões no 3T25 (-0,3% a/a, +2,4% t/t e 3,8% acima da estimativa
do Safra), sustentada por:
- (i) desempenho robusto no segmento de gestão de frotas (GTF), cuja receita subiu 16,2% a/a para R$ 1,033 bilhão, impulsionada por um aumento de 12,2% nas tarifas médias e crescimento de 3,4% no volume diário de locações;
- (ii) resultados resilientes na divisão de Rent-a-Car (RAC) no Brasil, cuja receita avançou 14,3% a/a para R$ 977 milhões, refletindo um aumento de 12,2% na diária média para R$ 159 e alta de 1,3% no volume de locações, parcialmente compensados por uma queda de 6,3 p.p. na taxa de ocupação; e
- (iii) queda de 13,6% a/a na receita de Seminovos, para R$ 1,755 bilhão, explicada por uma redução de 20,0% no número de veículos vendidos, parcialmente compensada por um aumento de 8,4% no preço médio de venda, para R$ 73,4 mil.
O EBITDA consolidado cresceu 18,5% a/a para R$ 1,5 bilhão, com margem EBITDA expandindo 620 p.b. a/a para 39,3%.
A melhora da margem foi impulsionada por reajustes contínuos de preços em RAC e GTF, além de alavancagem operacional.
A margem EBITDA da GTF subiu 50 p.b. a/a para 76,5%, enquanto a margem da RAC avançou 420 p.b. a/a para 68,8%.
A margem EBITDA de Seminovos manteve-se estável em 1,1% a/a, o que o Safra avalia positivamente, pois reflete um nível normalizado e sustentável.
O EBIT cresceu 22,7% a/a para R$ 854 milhões, apoiado por um ritmo mais moderado de aumento da depreciação, que subiu 13,3% a/a para R$ 625 milhões devido à melhora no mix de vendas.
O lucro líquido totalizou R$ 70 milhões, queda de 10,5% a/a, mas 44% acima da projeção do Safra. O forte desempenho
operacional foi parcialmente compensado por um aumento de 33,8% a/a nas despesas financeiras líquidas, que atingiram R$ 795 milhões.
Esse aumento reflete alta de 12,3% na dívida líquida ajustada, para R$ 17,4 bilhões, e maior custo da dívida em razão das taxas de juros elevadas.
Indicadores de alavancagem da Movida melhoram
Os indicadores de alavancagem melhoraram sequencialmente: dívida líquida/EBITDA caiu para 2,7x no 3T25 (vs. 2,9x no 2T25), enquanto dívida líquida ajustada/EBITDA (incluindo cessões de direitos creditórios) recuou para 3,1x, ante 3,2x no 2T25 e 3,4x no 3T24.
A Movida também divulgou sua projeção de lucro líquido para o 4T25, entre R$ 75 milhões e R$ 90 milhões (vs. estimativa do Safra de R$ 72 milhões), implicando crescimento anual entre 21% e 45% em relação ao 4T24 (R$ 62 milhões), o que tornaria o 4T25 o trimestre mais forte dos últimos três anos.