A Movida (MOVI3) registrou lucro líquido de R$ 136 milhões no segundo trimestre de 2026, conforme indicado anteriormente na prévia operacional da companhia.
O resultado cresceu 100,7% na comparação anual e foi impulsionado pelo desempenho mais forte nas operações de locação de veículos. Preços maiores e maior ocupação contribuíram para o avanço da rentabilidade.
A margem operacional ajustada de locação aumentou 1 ponto percentual em um ano, para 72,8%.
Receita chega a R$ 3,8 bilhões
A receita líquida consolidada alcançou R$ 3,8 bilhões no trimestre, alta de 2,4% em relação ao segundo trimestre de 2025 e queda de 0,4% na comparação trimestral.
O desempenho foi sustentado principalmente pelo crescimento da terceirização de frotas e da divisão brasileira de aluguel de veículos.
A receita de terceirização de frotas cresceu 15,5% em um ano, para R$ 1,1 bilhão. O avanço refletiu o aumento de 11,5% na receita média mensal por veículo, para R$ 3.289, e o crescimento de 3,6% no volume de diárias alugadas.
Aluguel de veículos ganha força
A receita da divisão brasileira de aluguel de veículos avançou 30,4% na comparação anual, para R$ 1,1 bilhão.
A diária média subiu 6,8%, para R$ 165. O volume de locações cresceu 22,1%, enquanto a taxa de ocupação aumentou 2,1 pontos percentuais, para 76,2%.
O desempenho refletiu a continuidade dos reajustes de preços e a maior utilização da frota.
Venda de seminovos recua
A receita de seminovos caiu 17,7% em um ano, para R$ 1,5 bilhão.
A queda foi explicada principalmente pela redução de 25,1% no número de veículos vendidos. O impacto foi parcialmente compensado pelo aumento de 9,7% nos preços médios de venda, que chegaram a R$ 77,3 mil.
A operação manteve margem operacional ajustada de 1,1%.
Margens avançam
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização consolidado cresceu 22,3%, para R$ 1,7 bilhão.
A margem operacional aumentou 7,31 pontos percentuais na comparação anual, para 44,8%.
A melhora foi impulsionada pelos reajustes de preços no aluguel de veículos, pela maior taxa de ocupação e pelo controle dos custos.
A margem operacional do aluguel de veículos subiu 0,2 ponto percentual, para 68,9%. Na terceirização de frotas, o avanço foi de 1,8 ponto percentual, para 77,9%.
Resultado operacional bate recorde
O resultado operacional da Movida antes de juros e impostos alcançou R$ 1 bilhão, alta de 29,2% na comparação anual.
O indicador cresceu mais rapidamente do que o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Esse desempenho refletiu o ritmo mais lento de crescimento da depreciação.
A despesa de depreciação aumentou 11,4% em um ano, para R$ 672 milhões.
Despesas financeiras aumentam
O desempenho operacional positivo foi parcialmente compensado pelo aumento das despesas financeiras líquidas.
As despesas cresceram 21,8% na comparação anual, para R$ 845,6 milhões.
O aumento refletiu a alta de 17% nas despesas financeiras, provocada pelo crescimento de 8,3% da dívida líquida ajustada, que chegou a R$ 18,8 bilhões, e pelo maior custo médio da dívida.
As receitas financeiras também caíram 13%, devido à redução do saldo médio de caixa no período.
Alavancagem fica estável
Os indicadores de alavancagem permaneceram praticamente estáveis na comparação trimestral.
A relação entre dívida líquida e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização ficou em 2,66 vezes no segundo trimestre, ante 2,65 vezes no primeiro trimestre.
Considerando as cessões de direitos creditórios, a relação entre dívida líquida ajustada e resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização melhorou para 2,91 vezes, ante 2,96 vezes no primeiro trimestre e 3,20 vezes no segundo trimestre de 2025.
Projeção para o terceiro trimestre
A Movida apresentou uma projeção de lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões para o terceiro trimestre de 2026.
A faixa ficou abaixo da estimativa do Banco Safra, de R$ 160,5 milhões. Ainda assim, representa crescimento de 86% a 114% em relação aos R$ 70 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025.
A projeção reforça a expectativa de continuidade da melhora operacional da companhia.
Safra mantém recomendação de compra
O Safra mantém a recomendação de compra para as ações da Movida.
A avaliação considera a execução operacional consistente, a melhora da rentabilidade e a relação entre risco e retorno considerada atrativa.
Apesar do avanço dos resultados, a ação negocia a 5 vezes o lucro projetado para 2026, com desconto de 21% em relação à média histórica de 6,3 vezes.