A Moura Dubeux Engenharia (MDNE3) apresentou resultados fortes no segundo trimestre de 2026. A companhia registrou lucro líquido de R$ 174 milhões, alta de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior e 3% acima da estimativa do Banco Safra.
A receita alcançou R$ 731 milhões, crescimento de 10% na comparação anual e de 16% ante o primeiro trimestre. O resultado ficou 5% acima da projeção do Safra.
O desempenho refletiu principalmente o reconhecimento de R$ 349 milhões em taxas de desenvolvimento de terrenos. Esse fator impulsionou a receita da divisão de condomínios, que cresceu 17% em um ano, para R$ 493 milhões.
Margem ganha força
A maior participação de taxas relacionadas a terrenos adquiridos por meio de permuta física contribuiu para a expansão da margem bruta dos condomínios. O indicador chegou a 42%, avanço de 7,3 pontos percentuais em 12 meses.
A margem ficou 3,1 pontos percentuais abaixo da estimativa do Safra. A diferença ocorreu devido à maior participação de vendas de condomínios a preço fechado, que apresentam margens próximas de 30%.
No modelo tradicional de incorporação, a margem bruta avançou 2,5 pontos percentuais na comparação anual. Com isso, a margem bruta ajustada consolidada da Moura Dubeux atingiu 40,2%, alta de 5,8 pontos percentuais.
Lucro supera projeções
O lucro líquido de R$ 174 milhões também contou com a contribuição de um resultado financeiro líquido acima do esperado. O indicador alcançou R$ 35 milhões, contra estimativa de R$ 23 milhões do Safra.
O desempenho financeiro foi beneficiado pela correção monetária das taxas de desenvolvimento de terrenos. Esse efeito compensou a perda de 1,2 ponto percentual na alavancagem operacional, provocada principalmente pelo aumento de 35% nas despesas gerais e administrativas.
As despesas judiciais também avançaram. O valor chegou a R$ 14 milhões no segundo trimestre, ante R$ 5 milhões no mesmo período de 2025.
Mesmo com essas pressões, a margem líquida alcançou 23,8%, alta de 5,6 pontos percentuais em um ano. O retorno anualizado sobre o patrimônio ficou em 30,3%, avanço de 1,8 ponto percentual na comparação anual e 0,7 ponto percentual acima da projeção do Safra.
Caixa permanece positivo
A Moura Dubeux registrou geração de caixa de R$ 27 milhões no trimestre, resultado já divulgado anteriormente.
A companhia encerrou o segundo trimestre com uma relação entre dívida líquida e patrimônio líquido de 2,5%, redução de 1,5 ponto percentual em relação ao trimestre anterior. O indicador reforça a posição financeira equilibrada da incorporadora.
Safra mantém recomendação
Na avaliação do Banco Safra, os resultados foram fortes e o lucro ficou ligeiramente acima das estimativas da instituição e do consenso de mercado.
O banco destaca a diversificação do calendário de lançamentos da Moura Dubeux , com foco em segmentos considerados mais defensivos. A companhia também mantém um dos menores níveis de estoque entre as incorporadoras listadas, equivalente a cerca de 12 meses de vendas.
O Safra segue confiante no desempenho da empresa e mantém a recomendação de compra para as ações. A análise considera que os papéis são negociados a um múltiplo de 4,3 vezes o lucro projetado para o fim de 2026, entre os menores níveis da cobertura do banco.
Por isso, a Moura Dubeux Engenharia continua entre as ações preferidas do Safra no segmento de média e alta renda.