A Motiva (MOTV3), antiga CCR, venceu o leilão da concessão da rodovia Fernão Dias, oferecendo um desconto tarifário de 17,05%.
Com 569 km ao longo da BR-381/MG/SP, este projeto conecta Belo Horizonte (MG) a São Paulo (SP). O corredor serve como rota estratégica ligando dois dos principais polos econômicos do país.
A concessão de 15 anos prevê R$ 9,5 bilhões em capex e R$ 5,4 bilhões em opex (data-base: mar-23). As obras planejadas incluem 0,83 km de duplicações, 108,3 km de faixas adicionais e implantação de 14 km de vias marginais.
O Banco Safra vê a notícia como ligeiramente negativa para as ações MOTV3. Com base em estimativas, a um desconto tarifário de 17,05%, o banco projeta um VPL negativo de R$ 382 milhões (1,2% do valor de mercado atual) e uma TIR real alavancada de 3,0%, 431 bps abaixo do NTN-B brasileiro de 10 anos e 15 p.p. abaixo da TIR projetada para o portfólio da companhia.
Após o leilão, a Motiva realizou uma teleconferência com investidores para detalhar os fundamentos da proposta. Segundo seus executivos, a Motiva estima uma TIR real não alavancada de 14% e uma TIR real alavancada acima de 20%, impulsionadas principalmente pela otimização do opex e capex abaixo da projeção do governo federal, devido a soluções de engenharia, o que levaria o VPL para um valor positivo.
O Safra considera importante notar que a companhia não divulgou quais soluções de engenharia reduziriam o capex do projeto, considerando essa informação material e potencialmente prejudicial à competitividade da Motiva nos leilões previstos para 2026.
Além disso, a administração prevê tráfego ligeiramente superior à estimativa do governo (CAGR de 1,5% vs. 1,4%), o que deve ser parcialmente
compensado pelo compartilhamento de receita com o poder concedente. Por fim, os executivos afirmaram ter sido conservadores nas premissas de alavancagem, dado o ambiente de crédito mais restrito.