A Motiva (MOTV3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 627 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número ficou 18% acima da estimativa do Safra e 14% acima do consenso do mercado.
O resultado refletiu, прежде de tudo, uma operação mais eficiente. Além disso, a companhia contou com o reforço das operações descontinuadas de aeroportos, cujo resultado avançou 50% na mesma base de comparação e somou R$ 153 milhões.
Margens avançam em todos os negócios
O EBITDA ajustado, desconsiderando aeroportos, alcançou R$ 2,3 bilhões, com crescimento de 9% em um ano. O indicador veio em linha com a estimativa do Safra. Já a margem EBITDA subiu 1,98 ponto percentual e atingiu 67,3%.
Na avaliação do banco, o trimestre mostrou uma expansão consistente de rentabilidade em todos os segmentos. Esse movimento reforça a leitura de que a companhia conseguiu combinar crescimento de receita com maior disciplina de custos.
Rodovias lideram o desempenho
A receita líquida ajustada da Motiva avançou 5,8% no primeiro trimestre, para R$ 3,4 bilhões. O principal vetor veio do segmento de rodovias, cuja receita cresceu 9%, para R$ 2,3 bilhões.
Esse desempenho teve três motores. O primeiro foi o aumento de 3,2% no tráfego total. O segundo foi a alta de 5,7% nas tarifas médias consolidadas. O terceiro foi o início da cobrança de pedágio nas concessões Sorocabana e Paraná.
Por outro lado, o fim da concessão da ViaOeste limitou parte desse avanço.
A margem EBITDA de rodovias subiu 4,1 pontos percentuais e chegou a 82,4%. Segundo o Safra, o resultado foi favorecido pelo encerramento da ViaOeste, que tinha rentabilidade mais baixa no mesmo trimestre do ano anterior, além da evolução operacional de PR Vias e Sorocabana.
Duas concessões também se destacaram. A AutoBAn registrou margem EBITDA de 89%, com avanço de 2,5 pontos percentuais. Já a SPVias alcançou margem de 80%, com expansão de 6,5 pontos percentuais.
Ferrovia melhora rentabilidade
No segmento de mobilidade, a receita recuou 1,2%, para R$ 1,0 bilhão. O movimento ocorreu por causa da queda de 31,8% na receita de mitigação, que somou R$ 90 milhões, e da retração de 9,1% na receita de ativos financeiros, para R$ 180 milhões.
Ainda assim, a receita tarifária cresceu 6,5% e atingiu R$ 674 milhões, o que ajudou a compensar parte da pressão.
Na ferrovia, a margem EBITDA avançou 2 pontos percentuais e alcançou 59,6%. O resultado refletiu o crescimento da receita tarifária e, sobretudo, a redução dos custos operacionais em caixa, que caíram 5,9%.
Entre as principais linhas, o gasto com pessoal recuou 6,5%, para R$ 157 milhões. Já a despesa com energia caiu 30%, para R$ 42 milhões. Com isso, a melhora de eficiência mais do que compensou a fraqueza nas receitas de mitigação e de ativos financeiros.
Aeroportos reforçam a surpresa positiva para MOTV3
O desempenho dos aeroportos teve papel relevante na surpresa positiva do trimestre. Embora a análise operacional principal exclua esse efeito, o resultado das operações descontinuadas somou R$ 153 milhões, com alta de 50% em um ano.
Na prática, essa contribuição elevou o lucro líquido e ampliou a diferença entre o resultado reportado e as projeções do mercado.
Despesa financeira sobe menos que a dívida
A despesa financeira líquida da Motiva cresceu 3,2%, para R$ 784 milhões, mesmo com aumento de 17,5% no endividamento líquido, que chegou a R$ 30,9 bilhões.
Segundo o Safra, essa dinâmica ficou mais benigna porque uma parcela maior dos juros foi capitalizada em ativos em construção. A capitalião de encargos financeiros avançou 62,7% e atingiu R$ 270 milhões.
Em outras palavras, parte relevante do custo financeiro deixou de passar diretamente pelo resultado do trimestre, o que reduziu a pressão sobre o lucro.
O que os especialistas esperam para a ação
Na visão dos especialistas do Safra, o trimestre reforça a tese positiva para a Motiva (MOTV3). A companhia segue negociando, com base nas estimativas do banco, a uma taxa interna de retorno real de 12%. Isso implica um prêmio de 4,44 pontos percentuais em relação às NTN-Bs com vencimento em 2035, que rendem cerca de 7,51%.
Para o Safra, esse nível ainda sugere uma relação atrativa entre risco e retorno, especialmente após um trimestre marcado por melhora operacional, expansão de margens e contribuição adicional dos aeroportos.
Leitura final
A Motiva entregou um primeiro trimestre de 2026 melhor do que o esperado. O resultado combinou crescimento de lucro, avanço de margens e maior eficiência operacional. Rodovias puxaram a expansão, a ferrovia mostrou controle de custos e os aeroportos ajudaram a ampliar a surpresa positiva.
Com isso, a companhia começou o ano com sinais mais fortes de execução e rentabilidade, em um quadro que sustenta a visão favorável do Safra para a ação.