close

Abra sua conta

Motiva tem mudança societária e reduz pressão sobre as ações

A venda da participação do Grupo Mover para o Bradesco BBI elimina um vendedor da estrutura acionária da Motiva, sem alterar o controle da companhia


A Motiva (MOTV3) anunciou a assinatura dos documentos definitivos para a venda da participação integral do Grupo Mover na companhia. O negócio envolve 14,86% do capital social, equivalente a 300,1 milhões de ações ordinárias, que serão adquiridas pelo Bradesco BBI (Banco Bradesco de Investimentos).

A operação representa o capítulo final de um processo iniciado em abril e avançado ao longo de junho. Como os demais integrantes do bloco de controle, Soares Penido, Itaúsa e Votorantim, optaram por não exercer o direito de preferência, o Bradesco BBI foi confirmado como comprador da participação.

A conclusão do negócio ainda depende de aprovações regulatórias, autorização do poder concedente e homologação pelo juízo responsável pela recuperação judicial das empresas vendedoras.

O que muda com a saída do Grupo Mover

O Grupo Mover é controlado por Sucea e Sincro, empresas que atualmente passam por recuperação judicial. Sua saída da estrutura acionária elimina uma fonte conhecida de pressão sobre os papéis da companhia.

Na avaliação do Banco Safra, a transação é administrável para os acionistas minoritários porque não altera o controle da Motiva. Na prática, ocorre apenas a substituição de um integrante do bloco controlador por outro.

Por esse motivo, a operação não aciona direitos de tag along nem exige a realização de oferta pública obrigatória para os demais investidores.

A participação negociada possui duas naturezas distintas. Do total de 14,86%, cerca de 10,33% está vinculada ao acordo de acionistas e aos direitos relacionados ao controle da companhia. Os outros 4,53% correspondem a ações em circulação no mercado, que podem ser negociadas separadamente no futuro.

Impacto para os investidores

O Safra considera a notícia neutra a levemente positiva no curto prazo.

O principal fator favorável é a retirada de um acionista que enfrentava dificuldades financeiras e que poderia representar uma pressão adicional sobre o papel. Além disso, a venda ocorreu por um valor considerado compatível com o mercado, sem indicação de prêmio relevante de controle.

A proposta vinculante divulgada em junho indicava um valor aproximado de R$ 14,26 por ação. Isso equivaleria a cerca de R$ 4,28 bilhões pela participação negociada e a um valor implícito próximo de R$ 28,8 bilhões para toda a Motiva. O valor final da operação, contudo, não foi divulgado.

As dúvidas sobre o papel do Bradesco BBI

Apesar da leitura positiva inicial, algumas questões permanecem abertas.

O Bradesco BBI é uma instituição financeira e não um operador de concessões. Por isso, o mercado pode interpretar a aquisição como uma posição temporária, funcionando como uma ponte até a entrada de um investidor estratégico.

Nesse cenário, uma das principais dúvidas é se o Bradesco BBI passará a integrar formalmente o acordo de acionistas e ocupará posição no conselho de administração ou se atuará apenas como investidor financeiro até uma futura alienação da participação.

Também permanece a possibilidade de venda futura da parcela de 4,53% das ações que estão em circulação no mercado, o que pode gerar efeitos técnicos sobre a negociação dos papéis.

Próximo passo será a entrada de um investidor estratégico

Para o Safra, o principal catalisador para a tese de investimento da Motiva não está na saída do Grupo Mover, mas na eventual entrada de um investidor estratégico para a fatia de 10,33% vinculada ao bloco de controle.

A definição sobre quem poderá assumir essa participação e em qual momento isso ocorrerá tende a ser mais relevante para a governança e para a percepção de valor da companhia no longo prazo.

Por enquanto, a operação assinada representa uma mudança importante na composição acionária da empresa, mas não altera sua estrutura de controle nem suas diretrizes operacionais.

Visão do Safra

O Safra avalia a operação como neutra a levemente positiva para a Motiva no curto prazo. A transação elimina um fator conhecido de pressão sobre as ações, preserva os direitos dos minoritários e não provoca mudanças no controle da companhia.

Ao mesmo tempo, a troca de um acionista em recuperação judicial por um investidor financeiro transfere a atenção do mercado para a estratégia futura do Bradesco BBI e para a possível chegada de um investidor estratégico à estrutura de controle da empresa. Até a conclusão do processo, a operação segue sujeita às aprovações regulatórias e judiciais necessárias.


Abra sua conta