A Motiva (MOTV3), antiga CCR, divulgou números operacionais neutros para janeiro de 2025. Segundo os analistas do Banco Safra, os principais destaques incluem:
- (i) Rodovias com pedágio – o tráfego comparável (excluindo ViaOeste, Sorocabana e PRVias) cresceu 1,7% ano contra ano (a/a), alcançando 86,6 milhões de veículos equivalentes. Os principais contribuintes para esse crescimento foram RioSP (+10,9% a/a) devido ao início da cobrança em free flow, SPVias (+2,1% a/a), Renovias (+1,6% a/a) e AutoBan (+1,7% a/a). Desconsiderando o efeito do free flow, assumindo que o tráfego da RioSP cresceu 9,5% a/a, o tráfego comparável teria crescido 1,6% a/a;
- (ii) Operações de mobilidade – o tráfego comparável (excluindo Barcas) caiu 2,7% a/a, totalizando 57,8 milhões de passageiros, principalmente devido ao VLT Carioca (-7,8% a/a) e ao MetroBahia (-2,9% a/a);
- (iii) Aeroportos – com a remoção das operações aeroportuárias do portfólio da Motiva, os dados de tráfego aéreo mensal não são mais incluídos neste relatório preliminar.
Safra mantém recomendação de compra para MOTV3
O Banco Safra mantém recomendação de Compra para a ação da Motiva (MOTV3). Conforme as estimativas, a Motiva está atualmente sendo negociada a uma taxa interna de retorno (TIR) real alavancada de 10,8%, o que representa 320 pontos-base acima do rendimento dos títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs 2035).
Balanço da Motiva referente ao 4º trimestre de 2025
A Motiva reportou um resultado positivo no 4T25, com lucro líquido ajustado de R$ 606 milhões (+68% A/A), em linha com a estimativa do Banco Safra e 16,4% acima do consenso, refletindo uma melhora no desempenho operacional. O EBITDA ajustado avançou 25% A/A para R$ 2,5 bilhões (em linha com a estimativa e 1,7% acima do consenso), enquanto a margem EBITDA expandiu 542bps A/A para 62,7%, sustentada por ganhos de margem em todos os segmentos.
Por fim, o crescimento do resultado líquido foi parcialmente compensado por maiores despesas financeiras líquidas, que subiram 22,8% A/A para R$ 992 milhões, impulsionadas por um aumento de 26% A/A na dívida líquida, para R$ 34 bilhões.
Com base em estimativas do Safra, a empresa negocia atualmente a um IRR real de 10,7%, oferecendo um spread de 309bps sobre os títulos NTN-Bs 2035, que rendem cerca de 7,61%. A receita líquida ajustada da Motiva cresceu 6,8% A/A, para R$ 4,3 bilhões, refletindo a dinâmica dos segmentos:
- (i) Rodovias – receita aumentou 11,7% A/A para R$ 2,4 bilhões, impulsionada por um crescimento de 3,7% A/A no tráfego comparável, um aumento de 7,7% A/A nas tarifas médias e o início da cobrança nas concessões Rota Sorocabana e PRVias. Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo fim da concessão ViaOeste; (ii) Aeroportos – receita ajustada cresceu 1,3% A/A para R$ 1,7 bilhão;
- (iii) Ativos de Mobilidade – receita caiu 4,2% A/A para R$ 1,0 bilhão, explicada por (a) término da concessão Barcas (R$ 23 milhões no 4T24); (b) redução de 23% A/A na receita de mitigação (para R$ 78 milhões no 4T25); e (c) queda de 24% A/A na receita de ativos financeiros (para R$ 205 milhões), parcialmente compensadas por um aumento de 3,2% na receita tarifária ajustada, para R$ 687 milhões.
O EBITDA ajustado totalizou R$ 2,7 bilhões (+24% A/A), impulsionado pelo crescimento da receita e por margens melhores em todos os segmentos. Os principais motores foram:
- (i) expansão de margem de 13,9 p.p. A/A no segmento de Trilhos, para 65,7%, ajudada pelo fim da concessão deficitária da Barcas e pela reversão de provisões de IPTU na ViaQuatro e ViaMobilidade – Linhas 5 e 17, totalizando R$ 75 milhões;
- (ii) margem EBITDA do segmento de Rodovias ampliada em 620bps A/A, para 79,7%, refletindo o impacto positivo da renegociação contratual da Motiva Pantanal
(ex-MSVia) e o fim do contrato ViaOeste.
O lucro líquido ajustado cresceu 68,3% A/A para R$ 606 milhões (em linha com a estimativa do Safra, mas 16,4% acima do consenso), impulsionado pelo bom desempenho operacional, ainda que parcialmente compensado pelo aumento de 23% A/A das despesas financeiras líquidas, para R$ 992 milhões, devido ao crescimento da dívida líquida (+26% A/A para R$ 34 bilhões) e juros maiores. A alavancagem, medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado, ficou em 3,6x, estável em relação ao 3T25, mas acima dos 3,3x do 4T24.