A Motiva (MOTV3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 663 milhões no segundo trimestre, alta de 67% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado ficou acima das projeções do Banco Safra e também superou as expectativas do mercado, refletindo principalmente a melhora operacional observada ao longo do período.
O EBITDA ajustado, desconsiderando o segmento de aeroportos, alcançou R$ 2,45 bilhões, avanço de 29,1% na comparação anual. A margem EBITDA atingiu 65,4%, com expansão de 4,3 pontos percentuais.
Segundo o Safra, o principal destaque foi a capacidade da companhia de ampliar a rentabilidade em todos os segmentos de atuação.
Rodovias impulsionam crescimento da receita
A receita líquida ajustada da Motiva totalizou R$ 3,74 bilhões, crescimento de 20,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O segmento de Rodovias respondeu pela maior parte desse avanço. A receita da divisão atingiu R$ 2,54 bilhões, alta de 26,9%.
O desempenho foi sustentado pela incorporação de novas concessões, incluindo PR Vias, Sorocabana e Minas-SP. Além disso, o tráfego comparável apresentou crescimento e as tarifas médias também avançaram no período.
Parte desse efeito foi compensada pelo encerramento da concessão da ViaOeste.
Mobilidade mantém trajetória positiva
A unidade de Ativos de Mobilidade registrou receita de R$ 1,10 bilhão, crescimento de 9,4% na comparação anual.
O resultado foi impulsionado pelo aumento das receitas associadas a ativos financeiros e pela expansão da receita tarifária.
O tráfego consolidado avançou, acompanhado por reajustes tarifários que contribuíram para a evolução da receita do segmento.
Por outro lado, houve redução das receitas relacionadas a mecanismos de mitigação contratual, o que limitou parte do crescimento.
Ganhos de eficiência elevam rentabilidade
O EBITDA ajustado cresceu em ritmo superior ao da receita, evidenciando ganhos operacionais relevantes.
No segmento ferroviário, a margem EBITDA avançou para 63,5%, refletindo receitas mais robustas e uma estrutura de custos mais eficiente.
As despesas com pessoal e os gastos com serviços de terceiros apresentaram queda na comparação anual, contribuindo para o avanço da rentabilidade.
Já o segmento de Rodovias registrou margem EBITDA de 78,7%, beneficiada pelo encerramento da operação deficitária da ViaOeste, pelo amadurecimento de novas concessões e pelo bom desempenho dos ativos mais consolidados.
Crescimento da dívida teve impacto limitado
A dívida líquida da companhia atingiu R$ 33,1 bilhões, alta de 20,9% em relação ao ano anterior.
Mesmo assim, as despesas financeiras líquidas cresceram em ritmo mais moderado, com avanço de 11,1%.
Isso ocorreu porque uma parcela maior dos custos financeiros foi incorporada aos investimentos em andamento, em vez de ser reconhecida diretamente no resultado do período.
Como consequência, o aumento do endividamento teve impacto reduzido sobre o lucro líquido.
Perspectivas
Na avaliação do Safra, os resultados reforçam a capacidade da Motiva de combinar crescimento operacional com expansão de margens, mesmo em um cenário de investimentos relevantes e aumento da alavancagem.
O desempenho das novas concessões, aliado à evolução dos ativos maduros, continua sustentando a geração de caixa e a rentabilidade da companhia.
Além disso, a empresa segue negociando a níveis considerados atrativos em relação aos títulos públicos indexados à inflação, o que reforça a tese de valor para investidores com horizonte de longo prazo.