close

Abra sua conta

Minerva tem trimestre fraco, mas Banco Safra mantém recomendação de compra

A Minerva (BEEF3) registrou queda no resultado operacional e fluxo de caixa livre negativo, mas mantém volumes robustos e perspectivas favoráveis


A Minerva (BEEF3) apresentou resultados mais fracos do que o esperado pelo Banco Safra no segundo trimestre de 2026. O resultado operacional ajustado ficou em R$ 1,23 bilhão, queda de 6% na comparação anual e 12% abaixo da estimativa do banco.

O número, contudo, ficou em linha com o consenso de mercado. A margem operacional ajustada alcançou 8,7%, acima da projeção do Safra e do consenso.

O desempenho foi pressionado pelos menores volumes em alguns países da América do Sul, pelos preços mais elevados do gado e pela deterioração do resultado financeiro.

Volumes mostram recuperação

A receita consolidada da Minerva alcançou R$ 15,07 bilhões, alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025. O valor ficou 15% abaixo da estimativa do Safra.

O Brasil registrou crescimento de 4% nos volumes, enquanto a Argentina avançou 6%. Por outro lado, os volumes recuaram 5% na Colômbia, 30% no Uruguai e 32% no Paraguai.

O negócio de cordeiros na Austrália foi um dos destaques do trimestre. Os volumes cresceram 104% na comparação anual, embora o preço médio tenha recuado 45%.

Na operação de carne bovina, os preços avançaram de forma relevante na Colômbia, no Uruguai e no Paraguai. As altas foram de 40%, 48% e 66%, respectivamente.

A China e os Estados Unidos permaneceram entre os principais destinos das exportações. Nos 12 meses encerrados no segundo trimestre, os dois mercados representaram 32% e 12% das receitas de exportação, respectivamente.

Preços do gado pressionam margem

A margem bruta da Minerva ficou em 16,6%, queda de 0,9 ponto percentual em 12 meses. O principal fator de pressão foi o aumento dos custos do gado.

As despesas administrativas e comerciais, como proporção da receita, recuaram 0,2 ponto percentual, para 9,8%. A melhora refletiu ganhos de eficiência após a integração dos ativos adquiridos pela companhia.

Mesmo com essa redução de despesas, o resultado operacional ajustado caiu para R$ 1,23 bilhão. A margem operacional ajustada ficou em 8,7%, ante 9,3% no segundo trimestre de 2025.

Lucro líquido recua

O resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 35 milhões, ante um resultado positivo de R$ 129 milhões um ano antes. A deterioração ocorreu principalmente devido aos efeitos cambiais.

Com uma alíquota negativa de imposto de renda de 4,1%, o lucro líquido somou R$ 197 milhões. O valor representa uma queda de 57% na comparação anual e ficou 44% abaixo da estimativa do Safra.

A margem líquida recuou 1,9 ponto percentual, para 1,4%.

Fluxo de caixa fica negativo

O fluxo de caixa operacional da Minerva ficou negativo em R$ 55 milhões no segundo trimestre, ante geração positiva de R$ 320 milhões no mesmo período de 2025.

O resultado refletiu principalmente o aumento das necessidades de capital de giro. As contas a receber cresceram R$ 610 milhões, acompanhando o aumento das vendas para a Ásia, onde os clientes costumam negociar prazos de pagamento mais longos.

Como consequência, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 611 milhões. No segundo trimestre de 2025, o indicador havia ficado negativo em R$ 26 milhões. No primeiro trimestre de 2026, o resultado havia sido negativo em R$ 806 milhões.

Apesar do desempenho trimestral, o rendimento do fluxo de caixa livre acumulado em 12 meses alcançou 20%.

O Safra espera uma reversão da dinâmica de capital de giro no terceiro trimestre, com geração positiva de caixa. No entanto, o fluxo provavelmente não repetirá o desempenho atípico registrado no terceiro trimestre de 2025.

Alavancagem aumenta

A relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado encerrou o segundo trimestre em 2,9 vezes.

O indicador melhorou em relação às 3,2 vezes registradas no segundo trimestre de 2025, mas ficou acima das 2,7 vezes do primeiro trimestre de 2026.

A alta trimestral ocorreu em um contexto de fluxo de caixa livre negativo e maior necessidade de capital de giro.

Demanda deve perder força

Os volumes da Minerva permaneceram robustos no segundo trimestre, apoiados pela forte demanda internacional. O Banco Safra, porém, espera uma desaceleração no terceiro trimestre.

A avaliação considera que a cota de exportações para a China está praticamente preenchida. Com isso, os embarques para o país podem perder força no curto prazo.

A expectativa é de retomada das exportações no quarto trimestre, quando a nova cota anual deverá ser atendida.

Safra mantém recomendação de compra

O Banco Safra mantém a recomendação de compra para as ações da Minerva. A avaliação considera o preço atrativo dos papéis, negociados a 3,7 vezes o resultado operacional estimado para 2026.

O banco também destaca a posição favorável da América do Sul para atender à demanda global por carne bovina. A região pode se beneficiar enquanto outros países produtores enfrentam ciclos de oferta mais desafiadores.

Apesar do trimestre fraco, a combinação entre volumes ainda robustos, demanda internacional e potencial de recuperação do fluxo de caixa sustenta a visão positiva do Safra para a Minerva.


Abra sua conta