As mineradoras de cobre das Américas devem apresentar resultados pressionados no segundo trimestre de 2026, apesar do avanço dos preços da commodity no mercado internacional.
Segundo o Safra, os preços realizados do cobre subiram cerca de 4% na comparação trimestral, mas o setor ainda enfrenta uma combinação de custos mais elevados, valorização de moedas locais e queda nos preços dos metais preciosos.
Esse cenário reduz os créditos de subprodutos, pressiona operações de ouro e limita a expansão das margens operacionais.
Os especialistas do Safra revisaram para baixo as estimativas para praticamente todas as companhias acompanhadas, com exceção da Lundin Mining.
Lundin Mining deve apresentar o melhor desempenho
A Lundin Mining aparece como o principal destaque positivo entre as mineradoras de cobre no segundo trimestre.
O Safra projeta EBITDA ajustado de US$ 650 milhões, resultado 5% superior ao registrado no trimestre anterior e cerca de 2% acima do consenso de mercado.
O desempenho deve ser sustentado principalmente pelos preços mais elevados do cobre, que compensam a redução da produção e o aumento dos custos caixa.
A produção da companhia deve recuar para aproximadamente 78 mil toneladas de cobre, impactada pela menor extração na mina Caserones após um primeiro trimestre mais forte.
Em contrapartida, as operações de Candelaria e Chapada devem apresentar crescimento de produção.
Os custos operacionais devem subir nas principais minas da empresa, refletindo o impacto do diesel mais caro e da valorização cambial.
Capstone Copper deve crescer, mas abaixo do consenso
A Capstone Copper também deve reportar melhora operacional no período, impulsionada pelo avanço do projeto Mantoverde Sulfides.
O Safra estima EBITDA ajustado de US$ 328 milhões no segundo trimestre, alta de 4% frente ao trimestre anterior, mas cerca de 4% abaixo das projeções do mercado.
A produção total de cobre deve subir para aproximadamente 49 mil toneladas, favorecida pelo melhor desempenho de Mantoverde.
Segundo o banco, o crescimento da produção de sulfetos deve compensar parcialmente a menor produção de cátodos e o recuo operacional em Pinto Valley e Cozamin.
Ainda assim, os custos continuam pressionados. O Safra projeta aumento dos custos caixa em Pinto Valley, Cozamin e Mantos Blancos, principalmente por causa da alta dos preços de óleo diesel e ácido sulfúrico.
Hudbay Minerals deve registrar queda mais forte
Entre as companhias analisadas, a Hudbay Minerals deve apresentar uma das maiores deteriorações operacionais do trimestre.
O Safra estima EBITDA de US$ 304 milhões, resultado 33% inferior ao do primeiro trimestre e cerca de 14% abaixo do consenso.
A expectativa reflete menor produção, custos mais altos e preços mais baixos dos metais preciosos.
A produção de cobre deve permanecer próxima de 25 mil toneladas, com queda na operação Constancia parcialmente compensada pelo avanço em Copper Mountain.
Os custos operacionais devem subir em diferentes ativos da companhia, incluindo Constancia, Snow Lake e Copper Mountain.
Ero Copper deve melhorar com apoio do ouro
A Ero Copper deve apresentar recuperação sequencial dos resultados, apoiada pelos preços mais altos do cobre e pela melhora operacional em Xavantina.
O Safra projeta EBITDA de US$ 140 milhões no segundo trimestre, alta de 12% em relação ao trimestre anterior, embora ainda cerca de 14% abaixo do consenso de mercado.
A produção de cobre deve permanecer praticamente estável em aproximadamente 17 mil toneladas.
A operação Caraíba deve registrar menor produção, enquanto Tucumã deve avançar com aumento de processamento.
Por outro lado, a valorização do real deve pressionar os custos caixa das operações de cobre.
Em Xavantina, a expectativa é de crescimento relevante da produção de ouro após a conclusão das obras de ventilação e refrigeração da mina em maio.
O Safra também espera redução importante dos custos operacionais da unidade, impulsionada pela melhora de produtividade ao longo do trimestre.
Setor enfrenta cenário mais seletivo
Na avaliação do Safra, o segundo trimestre reforça um ambiente mais desafiador para as mineradoras de cobre.
Embora o preço da commodity continue em patamar favorável, os ganhos operacionais já não se traduzem automaticamente em expansão de margens.
O avanço dos custos e a volatilidade operacional devem tornar o desempenho das empresas mais dependente da execução de projetos e da eficiência operacional nos próximos trimestres.