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Mills vende controle para a francesa Loxam

Venda do controle da Mills (MILS3) para a Loxam prevê oferta pelas demais ações e pode fortalecer a atuação da companhia no Brasil


A Mills (MILS3) informou que seus acionistas controladores assinaram um acordo para vender toda a participação que detêm na companhia, equivalente a 50,3% do capital, para a francesa Loxam. O valor acertado foi de R$ 16 por ação, com pagamento em dinheiro no fechamento da transação.

O preço representa um prêmio de 22% em relação ao fechamento de 22 de maio de 2026. Além disso, o valor será corrigido por 70% do Certificado de Depósito Interbancário a partir do 31º dia após o anúncio até a conclusão da operação.

A transação ainda depende do cumprimento de condições usuais, entre elas a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.

Oferta deve alcançar os minoritários

Depois da conclusão da compra do controle, a Loxam deverá lançar uma oferta pública obrigatória pelas ações em circulação, no mesmo valor de R$ 16 por papel. Esse preço ainda será ajustado pela taxa Selic entre a transferência do controle e a liquidação da oferta.

Os investidores minoritários poderão aderir à oferta, mas não terão obrigação de vender suas ações. Por isso, um eventual fechamento de capital da Mills não será automático. Esse desfecho dependerá do nível de adesão dos acionistas que permanecerem fora do bloco de controle.

Preço fica acima da tela, mas abaixo das referências

Na avaliação do Banco Safra, o valor proposto embute um prêmio relevante sobre a cotação recente da Mills. O preço também eleva o patamar de negociação da companhia em relação aos múltiplos observados atualmente no mercado.

Ainda assim, a proposta ficou abaixo do preço-alvo de R$ 17,90 estimado pelo banco e também levemente inferior à média das projeções do mercado, em torno de R$ 16,65 por ação. Na prática, essa diferença pode levar parte dos minoritários a não aderir à oferta pública.

Esse ponto é central para o futuro da empresa na bolsa. Se uma parcela relevante dos investidores decidir manter posição, a Mills poderá seguir listada mesmo após a troca de controle.

Entrada da Loxam muda o cenário

Do ponto de vista estratégico, a operação tem potencial para fortalecer a Mills. Caso a companhia continue listada, a presença da Loxam no comando pode ampliar a capacidade de execução, acelerar o crescimento e melhorar o posicionamento competitivo da empresa no mercado brasileiro.

A leitura é que a entrada de um líder global tende a trazer ganhos operacionais e maior escala em um segmento que ainda oferece espaço para consolidação. Ao mesmo tempo, a transação reforça o valor estratégico da operação brasileira no setor de locação de equipamentos.

Quem é a Loxam

Fundada em 1967, a Loxam é uma grande empresa de locação de equipamentos da Europa. Em 2025, a companhia registrou receita líquida de 2,5 bilhões de euros, contava com cerca de 11,6 mil funcionários e operava aproximadamente 1.130 filiais em mais de 28 países.

O grupo atende setores como construção, infraestrutura, indústria, energia, eventos e serviços. A empresa já atua no Brasil desde 2015, por meio da Loxam do Brasil e da A Geradora. Por isso, a aquisição do controle da Mills (MILS3) aparece como um passo natural de expansão no mercado brasileiro.

O que observar daqui para frente

Os próximos passos da operação devem concentrar a atenção do mercado. Em primeiro lugar, será preciso acompanhar o andamento da análise regulatória. Em seguida, os investidores vão monitorar os detalhes e o calendário da oferta pública pelas ações em circulação.

Além disso, o comportamento dos minoritários será decisivo. Se a adesão for elevada, a estrutura societária da Mills poderá mudar de forma mais profunda. Se for limitada, a companhia poderá seguir na bolsa com um novo controlador e com perspectivas potencialmente mais robustas de crescimento.


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