A Mills (MILS3) apresentou resultados mistos no segundo trimestre de 2026.
A receita líquida somou R$ 472,2 milhões, crescimento de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2% frente ao trimestre anterior. O número ficou em linha com a estimativa do Banco Safra, embora tenha vindo 11% abaixo do consenso de mercado.
O avanço refletiu a continuidade do bom desempenho em equipamentos pesados, intralogística e fôrmas e escoramentos. Esses segmentos compensaram parte da pressão observada em plataformas aéreas de trabalho, área que segue afetada pela concorrência regional mais acirrada.
Locação ganha força
A receita de locação da Mills foi beneficiada por maior utilização da frota, ampliação da base de contratos e maior participação de contratos de longo prazo.
Esses contratos representaram 55% da receita de locação no trimestre, avanço de 5 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse movimento contribuiu para dar mais previsibilidade à receita e ajudou a sustentar a expansão operacional da companhia.
Resultado operacional supera projeções
A geração operacional de caixa reportada pela Mills atingiu R$ 284,4 milhões, alta de 25% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 6% frente ao trimestre anterior.
Já o EBITDA ajustado totalizou R$ 268,9 milhões, crescimento de 18% na comparação anual e de 14% na comparação trimestral. O número ficou acima da estimativa do Safra e superou o consenso de mercado em 25%.
A margem EBITDA ajustada chegou a 57%, avanço de 6,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior e de 6 pontos percentuais frente ao primeiro trimestre.
A melhora foi apoiada por ganhos de eficiência operacional, mas também recebeu contribuição relevante de efeitos não recorrentes.
Efeitos extraordinários elevam números
O principal ponto de atenção do balanço foi a influência de efeitos não recorrentes sobre o resultado.
A Mills registrou impacto líquido positivo de R$ 15,6 milhões, ligado principalmente à reversão de R$ 26,5 milhões de obrigação de pagamento adicional relacionada à aquisição da Next Rental.
Esse efeito ajudou a impulsionar a geração operacional de caixa no trimestre e deve ser considerado na análise da qualidade do resultado.
Além disso, ajustes fiscais também contribuíram para elevar o lucro líquido reportado.
Lucro reportado avança
O lucro líquido reportado da Mills alcançou R$ 106,3 milhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O resultado ficou 11,4% acima do consenso de mercado.
No entanto, ao excluir os efeitos não recorrentes, o lucro líquido ajustado foi de R$ 61,8 milhões. Esse valor representa queda de 29% tanto na comparação anual quanto em relação ao trimestre anterior.
A diferença entre o lucro reportado e o lucro ajustado reforça a leitura de que o desempenho final recebeu forte apoio de itens extraordinários.
Despesas limitam avanço
A melhora do lucro reportado refletiu o crescimento da geração operacional de caixa e um resultado financeiro 4,5% menor.
Por outro lado, a Mills enfrentou pressão relevante de depreciação e amortização, que aumentaram 22,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
A companhia também registrou despesa tributária maior, de R$ 55 milhões, fator que limitou a expansão do resultado recorrente.
O que observar na Mills
Na avaliação do Safra, a Mills entregou um trimestre misto.
A receita veio em linha com as estimativas, e a operação mostrou sinais positivos em equipamentos pesados, intralogística e contratos de longo prazo. Além disso, a maior utilização da frota reforçou a resiliência da receita de locação.
Ao mesmo tempo, a concorrência em plataformas aéreas de trabalho continua pressionando o desempenho, enquanto o lucro e a geração operacional de caixa foram impulsionados por efeitos não recorrentes.
Dessa forma, a leitura do trimestre exige cautela. O resultado reportado foi forte, mas o desempenho ajustado mostra uma evolução menos robusta.
O Safra informa o encerramento da cobertura de Mills.