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Mercado Livre amplia venda de remédios com receita no Brasil

A plataforma passa a vender medicamentos com receita e prepara parcerias com redes de farmácias, reforçando a relevância da entrega rápida no setor


O Mercado Livre (MELI34) começa a vender medicamentos sujeitos a prescrição médica no Brasil a partir de 25 de setembro. A operação inclui antibióticos e medicamentos da classe GLP-1, como canetas emagrecedoras, usados no tratamento de diabetes e obesidade.

A iniciativa começa em São Paulo e utiliza a farmácia própria da companhia. Em regiões selecionadas, a plataforma promete entregar os produtos em até uma hora.

Para concluir a compra, o cliente deverá enviar a receita pela plataforma. Um farmacêutico analisará o documento antes da aprovação do pedido, em linha com as exigências regulatórias do setor.

Parcerias ganham espaço

A principal frente da estratégia, porém, está nas parcerias com redes tradicionais. O Mercado Livre prepara um modelo no qual as farmácias vendem e dispensam os medicamentos, enquanto a plataforma concentra tráfego, tecnologia e logística.

A companhia busca integrar ao menos 20 redes até o fim do ano. As primeiras conexões devem ocorrer em outubro, na região metropolitana de São Paulo.

O movimento sucede um projeto-piloto voltado a medicamentos sem necessidade de receita, vitaminas e itens de saúde. Agora, a empresa amplia sua presença em uma categoria marcada por compras frequentes e maior recorrência de consumo.

Redes já operam com entrega rápida

As grandes redes de farmácias chegam a essa nova etapa com canais digitais consolidados e ampla cobertura física. No segundo trimestre de 2026, 94% das vendas online da Raia Drogasil (RADL3) vieram de canais próprios. Além disso, 96% dos pedidos foram retirados ou entregues em até uma hora.

Na Pague Menos (PGMN3), os canais próprios responderam por 86% das vendas digitais. A companhia concluiu 83% das entregas em até duas horas.

A Panvel (PNVL3) também manteve forte presença em canais próprios, responsáveis por 88% das vendas online. Os marketplaces representaram 23% das entregas da rede.

Os indicadores mostram que a velocidade de entrega já integra a proposta de valor das principais redes. Portanto, o avanço do Mercado Livre tende a adicionar um canal de aquisição de clientes, e não substituir as plataformas digitais construídas pelas farmácias.

Margens podem sentir efeito limitado

As parcerias com marketplaces podem reduzir a margem bruta das vendas originadas nessas plataformas, devido às comissões cobradas. Ainda assim, o efeito sobre a rentabilidade consolidada tende a ser limitado pela relevância dos canais próprios.

As estimativas já consideram margens de longo prazo mais baixas para as empresas do setor. Para a Raia Drogasil, a projeção é de 29,6%, abaixo dos 30,8% registrados por lojas maduras em 2025. Para a Pague Menos, a estimativa é de 29,9%, ante 30,0% das lojas maduras em 2026. Na Panvel, a projeção indica 30,2%, abaixo dos 30,5% observados nas lojas maduras neste ano.

Além disso, a regulação de preços dos medicamentos limita a chance de uma disputa agressiva e prolongada por descontos. Isso reduz o risco de uma competição estruturalmente mais intensa no segmento.

Alcance pode favorecer grandes redes

O Mercado Livre pode ampliar a visibilidade digital das redes integradas à plataforma. As grandes empresas do setor partem de uma posição mais favorável para capturar essa demanda, pois contam com estoques integrados, capilaridade de lojas, variedade de produtos e estrutura para atender às exigências regulatórias.

Nesse cenário, as parcerias podem acelerar o ganho de participação das grandes redes sobre farmácias independentes. A operação própria do Mercado Livre adiciona concorrência. No entanto, a expansão por meio de parceiros tende a ter caráter complementar para Raia Drogasil, Pague Menos e Panvel.


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