O Mercado Livre (MELI34) reportou um EBIT abaixo do esperado, já que a empresa manteve sua estratégia de ganhar participação no mercado de e-commerce, o que pressionou a margem mais do que o previsto devido a uma redução no valor mínimo para frete grátis e menores cobranças de frete para vendedores.
Por outro lado, a área de fintech manteve seu desempenho sólido e foi o destaque do trimestre, já que o Mercado Pago apresentou um NIMAL praticamente estável trimestre contra trimestre, em 23%, devido a taxas encorajadoras da operação de cartão de crédito (75% da carteira brasileira está atualmente lucrativa vs. 50% no 3T25) e cobertura de provisão praticamente estável ano contra ano em 150%.
No entanto, o destaque negativo foi o lucro líquido ajustado, que ficou 9% abaixo da estimativa do Safra e 18% abaixo do consenso Bloomberg devido a maiores despesas financeiras e maior alíquota de imposto de renda, combinadas com um EBIT ajustado marginalmente menor (5% abaixo da Safra e -11% abaixo do consenso Bloomberg).
Em relação à alavancagem, a empresa encerrou o trimestre com um saudável índice de dívida líquida/EBITDA de 1,2x.
Análise dos especialistas sobre o Mercado Livre (MELI34)
A empresa continua sendo o operador de melhor desempenho no espaço de e-commerce na América Latina, com sólido crescimento de receita e ganho de participação de mercado. Os especialistas do Safra veem como muito positivo o contínuo avanço da operação do Mercado Pago, especialmente na carteira de cartão de crédito.
Na visão do Safra, este foi o principal destaque do trimestre. Além disso, a empresa continuou apresentando um sólido desempenho de fluxo de caixa, o que sustenta seus investimentos na plataforma e deve apoiar a manutenção dos ganhos de market share na região. Contudo, essa conquista veio a um custo, já que as margens (EBIT e lucro líquido) ficaram sob pressão maior do que o esperado.
Portanto, será acompanhado com atenção como essa tendência evoluirá nos próximos trimestres.
E-commerce continua superando concorrentes
- O MELI34 registrou receita líquida de e-commerce de US$ 5 bilhões (+40% A/A e 3% acima da estimativa) devido à expansão do GMV para US$ 19,9 bilhões (+37% A/A e +6% acima da estimativa), impulsionada por um aumento no número de itens vendidos (725 milhões no 4T25, +43% A/A e +5% acima da projeção do Safra), já que a empresa ampliou sua oferta de frete grátis no Brasil para compras acima de R$ 19 feitas por qualquer comprador (vs. R$ 79 anteriormente) e pela aceleração do 1P, principalmente na categoria de eletrônicos, o que mais que compensou:
- (i) o menor tíquete médio (-28% A/A) e
- (ii) a redução da take rate para 20,1% (queda de apenas 46bps A/A e 67bps abaixo de nossa estimativa), além dos incentivos mencionados acima.
Contudo, é importante observar que o Mercado Livre reduziu as tarifas de envio para vendedores na faixa de R$ 79–R$ 200. Sem essa campanha, a take rate poderia ter crescido A/A.
Breakdown de receita
- (i) Brasil: US$ 2,8 bilhões, +41% A/A e em linha com a estimativa do Safra;
- (ii) México: US$ 1,4 bilhão, +51% A/A e em linha;
- (iii) Argentina: US$ 545 milhões, +11% A/A e +16% vs. estimativa do Safra;
- (iv) Outros: US$ 232 milhões, +49% A/A e +28% vs. projeção Safra.
Vale mencionar que a receita de anúncios cresceu 70% A/A.
Fintech: crescimento acelerado
A empresa reportou receita líquida de sua operação fintech de US$ 3,8 bilhões, +51% A/A e em linha com a estimativa, impulsionada por:
(i) TPV chegando a US$ 84 bilhões (+42% A/A e +4% vs. projeção Safra), com take rate praticamente estável (+27bps A/A);
(ii) Carteira de crédito expandindo para US$ 12,5 bilhões (+90% A/A e -1% vs. Safra), com melhoria de take rate de 44bps A/A.
Os especialistas destacam que o 4T25 foi o terceiro trimestre consecutivo em que o PDA cresceu em ritmo menor que a carteira (+87% vs. 90%), sinalizando maturidade da carteira de cartão, 75% da carteira de cartões no Brasil já é lucrativa (vs. 50% no 3T25).
A carteira com atraso superior a 90 dias ficou levemente menor, em 16,8%, enquanto a cobertura de provisões permaneceu elevada, em 150%, em linha com trimestres anteriores (146% no 3T25 e 4T24).
Vale ressaltar que, após o aumento da oferta de crédito, este foi o terceiro trimestre consecutivo com NIMAL praticamente estável T/T (23%).
Breakdown da receita fintech
- (i) Brasil: US$ 1,9 bilhão, +51% A/A e -4% vs. Safra;
- (ii) México: US$ 730
- milhões, +64% A/A e +6% vs. estimativa do Safra;
- (iii) Argentina: US$ 1,1 bilhão, +30% A/A e -3% vs. Safra;
- (iv) Outros: US$ 119 milhões, +68% A/A e +8% vs. Safra.
Margens sob pressão maior que o esperado
O EBIT do MELI34 ajustado totalizou US$ 790 milhões, queda de 4% A/A e 5% abaixo da estimativa. A margem caiu 415bps A/A e ficou 72bps abaixo do estimado.
- Essa pressão veio principalmente de:
- (i) estratégia comercial no e-commerce no Brasil (frete grátis mais amplo e menores tarifas de envio para vendedores), que impactou negativamente a margem bruta em 330bps A/A (vs. 260bps no 3T25);
- (ii) despesas de vendas e marketing, que impactaram negativamente o EBIT em 140bps (vs. 60bps no 3T25).
O aumento do PDA foi mais que compensado pela diluição de despesas G&A e P&D. A empresa reportou lucro líquido de US$ 488 milhões, queda de 24% A/A, devido a menores receitas financeiras e maior imposto de renda, somados ao desempenho operacional mais fraco.
Balanço sólido
O Mercado Livre (MELI34) manteve um índice de dívida líquida/EBITDA saudável de 1,2x (vs. 0,7x no 4T24 e igual ao 3T25), com dívida líquida total de US$ 4,7 bilhões. O principal motivo para o aumento da dívida líquida foi a necessidade de funding da operação Mercado Pago, considerada normal após o crescimento de +90% A/A da carteira