O Banco Safra apresentou novos preços-alvo para o final de 2025 e estimativas para as empresas de e-commerce sob sua cobertura, após incorporar seus resultados recentes e novas premissas macroeconômicas.
Consequentemente, o banco manteve Mercado Livre (MELI34) (Compra; Preço Alvo para o final de 2025 US$2.600 vs. US$2.500, anteriormente) como a principal escolha no setor, pois a empresa continua a apresentar um desempenho excepcional, combinando rápido crescimento, ganhos de lucratividade e geração de caixa.
Quanto às Casas Bahia (BHIA3), o Safra continua a ver a empresa como um retardatário devido ao nível de retorno inferior em comparação aos pares (apenas 2% ROIC de 2024E a 2027 vs. 6% da MGLU e 59% da MELI), juntamente com uma queima de caixa ainda alta (R$1,1bn em 2024A), e um potencial de queda implícito de 31%, o que levou o banco a manter a recomendação de Venda, com um novo Preço Alvo para o final de 2025 de R$4,0 vs. R$3,2, anteriormente.
Por fim, o crescimento ligeiramente menor da receita da Magazine Luiza (MGLU3) e o nível mais alto de despesa financeira líquida levaram o banco a reduzir a estimativa de lucro líquido em 14% em 2025, implicando um P/L de 26x para 2025 ou 13x para 2026E, o que os analista consideram uma avaliação razoável. Portanto, o Safra mantém a recomendação Neutra para MGLU, com um novo Preço Alvo para o final de 2025 de R$12 vs. R$8,5, anteriormente.
Resultados do setor
O banco Safra espera que MELI seja o destaque positivo em sua cobertura de e-commerce, com forte crescimento da receita e margem EBIT quase estável na temporada de lucros do 1T25.
O Grupo Casas Bahia deve apresentar um leve crescimento da receita (+4% a/a), combinado com ganho de margem EBITDA (+189bps a/a). No entanto, as despesas financeiras continuam a impactar o lucro líquido.
Por fim, a MGLU deve apresentar um crescimento de 4% a/a na receita e um aumento de 9% a/a no EBITDA, impulsionado por uma margem bruta mais alta, sustentando um aumento de +19% a/a no lucro líquido.
MELI: Superando o desempenho do setor, novamente
O Banco Safra esera mais um trimestre de desempenho melhorado para o Mercado Livre. A receita líquida deve chegar a US$5,4bn, um aumento de 25% a/a, apoiado pelo crescimento de 21% no e-commerce e 29% na fintech.
Em termos de receita operacional, o Safra espera uma margem quase estável (-9bps a/a) devido às despesas mais altas necessárias para apoiar o crescimento da empresa e maiores provisões relacionadas ao negócio de fintech.
O EBIT deve ser de US$653mn, um aumento de 24% a/a. Por fim, o Safra espera que o lucro líquido seja de US$408mn, crescendo em um ritmo mais lento (+19% a/a) devido a uma combinação de EBIT ligeiramente menor e uma taxa de imposto de renda mais alta.
MGLU3: Melhoria contínua
Espera-se que a MGLU reporte R$9,6bn em vendas (+4% a/a), impulsionadas por:
- (i) crescimento de B&M (+8% a/a); e
- (ii) desempenho mais forte de 3P (+3%), apoiado por um GMV mais alto e uma taxa de comissão maior.
Enquanto isso, o segmento de eletrônicos e eletrodomésticos continua sob pressão, mantendo 1P como o retardatário com uma queda de -2% a/a.
Os resultados sólidos de 3P e B&M devem sustentar um aumento de 40bps a/a na margem bruta, o que, por sua vez, deve impulsionar uma melhoria de 35bps na margem EBITDA, que deve atingir 7,8%.
O EBITDA está projetado em R$749mn (+9% a/a)
O lucro líquido deve totalizar R$36mn no 1T25 (+19% a/a), apesar das despesas financeiras mais altas, compensadas pelo melhor desempenho de 3P.
BHIA3: Crescimento da receita e ganhos de margem sinalizam progresso na recuperação.
O Safra espera que a receita líquida cresça 4% a/a, apoiada por:
(i) crescimento de +9% a/a em B&M; e
(ii) aumento de +24% a/a em 3P, impulsionado por um GMV mais alto, refletindo uma maior variedade e um número maior de vendedores em comparação com o 1T24.
Esses fatores devem mais do que compensar uma queda de -7% a/a em 1P, que foi impactada por ajustes de variedade e ofertas de crédito mais restritas.
Espera-se que a margem bruta se expanda em 40bps a/a, apoiada por uma maior contribuição dos serviços, uma mistura de vendas melhorada e crescimento geral da receita.
Isso, combinado com maior eficiência, deve levar a um aumento de 190bps a/a na margem EBITDA ajustada para 8,0%, já que o 1T24 foi negativamente afetado por ajustes relacionados à recuperação.
Apesar da melhoria operacional, o Safra espera um prejuízo líquido de R$417mn, principalmente devido às despesas financeiras mais altas.