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Juros elevados pressionam e-commerce, mas Mercado Livre segue em destaque

Safra revisa projeções para empresas de comércio eletrônico após piora do cenário econômico no Brasil e mantém preferência por Mercado Livre diante do crescimento consistente


O Banco Safra revisou suas estimativas e preços-alvo para as principais empresas de comércio eletrônico da América Latina após a deterioração do cenário macroeconômico brasileiro. Mesmo diante de juros mais altos e maior pressão sobre o consumo, o banco manteve o Mercado Livre (MELI34) como sua principal recomendação para o setor em 2026.

A revisão incorpora os resultados mais recentes das companhias e novas premissas econômicas. O Safra passou a considerar uma taxa Selic média mais elevada entre 2026 e 2027, cenário que tende a reduzir a renda disponível das famílias e elevar as despesas financeiras das empresas.

Nesse contexto, o banco reduziu o preço-alvo do Mercado Livre para US$ 2.300 em 12 meses, ante US$ 2.400 anteriormente. Ainda assim, a recomendação de compra foi mantida.

Mercado Livre combina crescimento e rentabilidade

Segundo o Safra, o Mercado Livre continua se destacando pela combinação entre crescimento acelerado, ganhos de eficiência e posição financeira sólida.

A companhia acumula mais de 30 trimestres consecutivos com crescimento superior a 30%, além de apresentar retorno sobre capital investido médio estimado em 39% entre 2025 e 2028.

O banco também destaca que as ações negociam a múltiplos inferiores à média histórica. O Mercado Livre opera atualmente a cerca de 36 vezes o lucro projetado para 2027, abaixo da média histórica de 55 vezes.

Além disso, o Safra avalia que a empresa segue bem posicionada para capturar o avanço estrutural do comércio eletrônico na América Latina, apoiada por investimentos em tecnologia e expansão logística.

Pressão sobre margens deve continuar

Apesar da visão positiva para o longo prazo, o Safra espera pressão sobre as margens do Mercado Livre nos próximos trimestres.

Entre os fatores citados estão a abertura de novos centros de distribuição, o aumento da oferta de crédito e campanhas comerciais mais agressivas, incluindo frete grátis e cupons promocionais.

Com isso, o banco reduziu sua estimativa de margem operacional de longo prazo de 10,5% para 9%. Ainda assim, o patamar continua acima da projeção de margem para 2026.

O Safra também projeta crescimento médio anual de receita líquida de 32% entre 2025 e 2028 para a companhia.

Magalu enfrenta cenário mais desafiador

Para Magazine Luiza (MGLU3), o Safra manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo para R$ 6, ante R$ 10 anteriormente.

O banco avalia que o ambiente de juros elevados continua pressionando categorias de consumo mais dependentes de crédito, o que limita a recuperação operacional da companhia.

Além disso, a geração de caixa permanece como um ponto de atenção. Nos últimos 12 meses encerrados no primeiro trimestre de 2026, o Magazine Luiza registrou fluxo de caixa operacional após investimentos negativo em R$ 600 milhões.

O Safra espera crescimento modesto das vendas no segundo trimestre de 2026, com margem operacional praticamente estável na comparação anual.

Casas Bahia continua pressionada

O Safra manteve recomendação de venda para Casas Bahia (BHIA3) e reduziu o preço-alvo da ação para R$ 1,20, ante R$ 3 anteriormente.

A principal preocupação segue sendo o consumo de caixa da companhia. Nos últimos 12 meses, a empresa queimou R$ 1,6 bilhão em caixa, segundo o banco.

Além disso, o Safra estima retorno sobre capital investido médio de apenas 4% entre 2025 e 2028, patamar considerado baixo quando comparado ao Mercado Livre.

Embora as ações negociem a múltiplos inferiores à média histórica, o banco avalia que os desafios operacionais e financeiros justificam uma postura mais cautelosa.

Quais são os principais riscos para o setor

O Safra aponta quatro fatores principais de risco para o setor de comércio eletrônico na América Latina:

  1. Piora do cenário macroeconômico, com impacto sobre consumo e inadimplência.
  2. Dificuldade na execução operacional e captura de ganhos de margem.
  3. Concorrência mais intensa de plataformas internacionais com estratégias agressivas de preço.
  4. Exposição do Mercado Livre à economia argentina.

Mesmo diante desse cenário, o Safra segue vendo o Mercado Livre como a empresa mais bem posicionada para capturar o crescimento estrutural do comércio eletrônico na região.


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