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ANÁLISE

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Mercado Livre segue entre as preferências para 2026

Safra reitera recomendação de compra para a ação do Mercado Livre, embora tenha reduzido o preço-alvo de US$ 2.800 para US$ 2.400 ao fim de 2026


O Banco Safra reiterou a recomendação de compra para as ações do Mercado Livre (MELI) e manteve a companhia entre suas preferências para 2026, mesmo após revisar para baixo o preço-alvo ao fim do período, de US$ 2.800 para US$ 2.400.

A atualização incorpora os resultados do quarto trimestre de 2025, uma pressão adicional sobre a lucratividade no curto prazo para sustentar o crescimento e mudanças nas premissas macroeconômicas, com piora moderada no Brasil.

Na avaliação dos especialistas do banco, a pressão de curto prazo sobre os resultados parece agora mais refletida nos preços, enquanto a tese estrutural segue apoiada na capacidade da companhia de combinar crescimento elevado de receita com retorno sobre o capital investido acima da média do setor.

Crescimento segue forte, mas rentabilidade perde fôlego

O Safra projeta para o Mercado Livre uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de receita bruta de 25% entre 2025 e 2028, ao lado de um retorno sobre capital investido (ROIC) médio de 25% no mesmo intervalo.

Essa combinação sustenta a visão positiva para o papel, mesmo em um contexto de revisões negativas para lucro e margens.

No preço-alvo atualizado, o banco estima que MELI negocie a um P/L implícito de 38 vezes, patamar em linha com o nível atual e abaixo da média histórica de 49 vezes.

Para o Safra, esse desconto relativo ajuda a sustentar a recomendação positiva, sobretudo porque a empresa continua entregando o maior retorno sobre o capital entre os nomes sob cobertura da casa no universo de varejo.

O que mudou nas projeções para o Mercado Livre (MELI)

As mudanças nas estimativas refletem uma combinação de fatores operacionais e macroeconômicos. Do lado positivo, o Safra elevou em 5% sua premissa para GMV em 2026, 2027 e 2028, diante de melhores perspectivas de crescimento em todas as regiões onde a companhia atua.

No braço financeiro, os analistas também fizeram ajustes marginais que apontam para uma carteira de crédito ligeiramente maior e inadimplência acima de 90 dias menor, apoiadas por modelos mais eficientes de concessão. Com isso, a expectativa para a receita líquida da operação fintech subiu 6% nos próximos três anos em relação ao cenário anterior.

Por outro lado, no e-commerce, o banco passou a trabalhar com um avanço menor da receita líquida, de cerca de 2% a 3% abaixo da estimativa anterior, em razão de uma hipótese mais conservadora para o take rate no Brasil. Ainda assim, a receita líquida consolidada foi revista para cima em 4% para os próximos três anos.

Pressão de margens pesa mais do que o esperado

Se a revisão de receita foi positiva, o mesmo não ocorreu com a rentabilidade. O Safra reduziu suas projeções de margem bruta para os próximos três anos em 170 pontos-base em 2026, 206 pontos-base em 2027 e 249 pontos-base em 2028. O principal vetor dessa piora foi o impacto mais intenso da nova política de frete grátis no Brasil.

Além disso, o banco adotou postura mais conservadora para despesas. A leitura é que a maior oferta de crédito na Argentina tende a pressionar provisões, enquanto os gastos com vendas devem subir por causa de cupons e de esforços comerciais no Mercado Pago.

Esse movimento levou a uma redução das projeções de margem EBIT de 210 pontos-base em 2026, 287 pontos-base em 2027 e 340 pontos-base em 2028 frente às estimativas anteriores.

Lucro líquido foi revisado para baixo

Com pior desempenho operacional e despesas financeiras líquidas mais elevadas, o Safra revisou para baixo suas estimativas de lucro líquido em:

  • 15% para 2026
  • 18% para 2027
  • 21% para 2028

Na visão do banco, esse ajuste ainda não está totalmente refletido nas projeções de mercado. Por isso, a instituição espera revisões para baixo no consenso ao longo dos próximos meses.

Safra vê consenso ainda otimista

Segundo a análise, os números atualizados do banco estão agora consideravelmente abaixo da média da Bloomberg para 2026 e 2027. A diferença é de cerca de 10% em EBIT e 17% em lucro líquido, o que sugere espaço para cortes adicionais nas expectativas do mercado.

Essa divergência é relevante porque, em geral, revisões negativas de consenso costumam influenciar o comportamento das ações no curto prazo. Ainda assim, para o Safra, a correção parcial das expectativas não compromete a atratividade de longo prazo do ativo.

Avaliação por fluxo de caixa reforça recomendação de compra

O novo preço-alvo de US$ 2.400 por ação para o fim de 2026 foi calculado com base em fluxo de caixa descontado para a firma (DCF/FCFF), considerando:

  • taxa de crescimento na perpetuidade de 5,5%
  • Ke de 13,6%
  • custo de capital inalterado

A leitura central do banco é que, embora o mercado enfrente um período de maior pressão sobre margens, o Mercado Livre continua bem posicionado para capturar crescimento em comércio eletrônico e serviços financeiros na América Latina, preservando níveis de retorno que justificam múltiplos superiores aos de pares do varejo.

Principais riscos para a tese:

O Safra destaca cinco riscos principais para a recomendação:

  • Deterioração do cenário macroeconômico
  • Risco de execução, especialmente em ganhos de margem
  • Aumento da concorrência, sobretudo de players internacionais agressivos em preço
  • Exposição relevante à Argentina
  • Mudanças no calendário de trabalho

Conclusão

A atualização do Safra para Mercado Livre combina uma mensagem de curto e longo prazo. No curto prazo, a instituição reconhece uma deterioração da rentabilidade, com impacto de frete, despesas comerciais e crédito pressionando margens e lucro.

No horizonte estrutural, porém, a visão permanece favorável, sustentada por crescimento robusto, retorno elevado sobre o capital e valuation mais comportado em relação à média histórica.


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