O Banco Safra iniciou a cobertura da ação da Indústria alimentícia M. Dias Branco (MDIA3) com recomendação neutra e preço alvo de 12 meses de R$ 29,00 por ação.
A M. Dias Branco tem posição de liderança nos segmentos de biscoitos e massas no Brasil e presença nacional.
No longo prazo, a tese de investimento enfrenta desafios, como:
- (i) dificuldade em elevar estruturalmente vendas e margens devido à combinação de um setor de baixo crescimento, forte exposição a preços de commodities e câmbio, e um ambiente altamente competitivo; e
- (ii) potenciais ventos contrários crescentes para a indústria relacionados à demanda por alimentos ultraprocessados e maior penetração de medicamentos GLP 1.
Por outro lado, o curto prazo parece mais favorável devido a:
- (i) preços de commodities e câmbio mais comportados, que devem contribuir para alguma recuperação de margem; e
- (ii) valuation que não parece elevado.
Segundo os especialistas do Banco Safra, a execução é fundamental e pode destravar potencial adicional se a companhia entregar crescimento de volume acima do setor, reajustes de preço sustentáveis ao menos em linha com insumos e diluição de custos fixos (planta e mão de obra).
Recomendação de compra para MDIA3
Pesando o cenário estrutural desafiador de longo prazo e as tendências positivas de curto prazo, o Safra atribui recomendação neutra a MDIA3, com preço alvo de R$ 29,00/ação.
Desafios estruturais de longo prazo: As baixas taxas de crescimento do setor, ambiente competitivo agressivo e custos muito expostos a commodities e câmbio trazem um desafio estrutural para crescimento de receita e expansão de margem. Há pouco espaço para manobra em custos fixos, como pessoal e gestão industrial, o que torna a execução essencial para ganho de market share, manutenção de preços ao menos acompanhando a inflação de insumos e diluição de custos fixos.
Além disso, potenciais mudanças nos hábitos de consumo devido a preocupações com ultraprocessados e maior penetração de medicamentos GLP 1 podem representar um vento contrário adicional no longo prazo
No curto prazo, o Banco Safra vê ambiente mais benigno, considerando os seguintes fatores:
- (i) safras favoráveis, estoques globais confortáveis e crescimento contido da demanda devem manter preços do trigo equilibrados;
- (ii) o óleo de palma recuou após pico recente em 2025; e
- (iii) a tendência de depreciação do dólar contribui para custos mais benignos em reais.
Assim, a margem bruta deve ter um suporte no curto prazo, o que, na visão do Safra, dá sustentação ao preço da ação.
Valuation: A ação negocia a 5,7x EV/EBITDA 2026 segundo as estimativas do Safra, versus média de 8,1x para pares latino americanos. Considerando o crescimento limitado de EBITDA projetado para os próximos anos (CAGR 9% entre 2025–2028e, após CAGR de 10% nos últimos três anos) e o cenário geral para a ação, o Safra vê o múltiplo atual como pouco exigente, embora com pouco espaço para re-rating.
O Safra nota que estimativas de longo prazo do consenso parecem otimistas, mas mesmo em números mais conservadores o valuation não parece deslocado em relação aos pares na região.
Riscos: (i) preços de commodities e câmbio; (ii) ambiente competitivo; (iii) mudanças no arcabouço tributário no Brasil; (iv) mudança nos hábitos de consumo; (v) cenário macroeconômico.