A indústria de alimentos M. Dias Branco (MDIA3) apresentou resultados fracos no 4T25. A receita cresceu 9% A/A, em linha com as expectativas, sustentada parcialmente por bases de comparação fáceis e ganhos sequenciais de market share em categoriaschave.
Embora os custos de matérias-primas e embalagens tenham permanecido benignos e o resultado financeiro tenha surpreendido positivamente, o trimestre foi marcado por significativa pressão de margens.
Os preços médios caíram na comparação anual apesar da inflação da categoria, e os custos de mão de obra dispararam bem acima das estimativas (+20% A/A), amplificados por uma base de comparação excepcionalmente favorável no 4T24.
Além disso, incentivos fiscais menores do que o esperado e SG&A ligeiramente maiores pesaram ainda mais na lucratividade. Como resultado, o EBITDA ficou bem abaixo da estimativa do Banco Safra, encerrando 27% abaixo de do previsto (-18% vs. consenso) e em queda de 21% A/A.
Safra mantém recomendação neutra para MDIA3
Maiores volumes, menores preços: os volumes de 475 mil toneladas aumentaram 10% A/A (-2% T/T e +3% vs. Safra), em linha com o foco da companhia em execução, iniciativas de go-to-market e investimentos em trade marketing.
Segundo a MDIA, com base em dados Nielsen, o desempenho de biscoitos em termos de reais melhorou 3% A/A, enquanto os volumes do mercado recuaram 4% A/A.
Marca Piraquê ajuda M.Dias a ganhar mercado
A companhia ganhou market share em volumes de forma sequencial, atingindo 31,8% no 4T25 (+40bps A/A e +150bps T/T), refletindo crescimento sustentado pela marca Piraquê.
No mercado de massas, o valor e o volume da indústria caíram 3% A/A no trimestre, enquanto a MDIA recuperou market share de volume de forma sequencial (+140bps T/T, mas ainda -90bps A/A), alcançando 27,5%.
Enquanto isso, os preços médios caíram 1% A/A (3% abaixo da estimativa do Safra), levando a uma receita líquida consolidada de R$ 2.721 milhões (+9% A/A, em linha com Safra, e +3% vs. consenso).
Custos de mão de obra e incentivos fiscais pressionando margens: EBITDA ajustado cai 23% A/A, -27% vs. estimativa do Safra e -18% vs. consenso. O custo de produtos vendidos (COGS) aumentou 11% A/A, pressionado pelos custos de mão de obra (+9% A/A por kg e 9% acima do esperado pelo Safra), com uma comparação A/A desfavorável devido à reversão de PLR no ano anterior.
Embalagens também exerceram leve pressão, com custo por kg subindo 4% A/A (+2% vs. estimativa do Safra). Além disso, os incentivos fiscais caíram 17% A/A (13% abaixo do previsto pelo Safra).
Como resultado, a margem bruta atingiu 31,6% (-185bps A/A e 372bps abaixo do Safra). Enquanto isso, SG&A cresceu 223bps A/A devido a maiores despesas de marketing.
Excluindo itens considerados não recorrentes (principalmente reversão de provisões e créditos tributários extemporâneos em outros resultados operacionais), o EBITDA ajustado teria sido de R$ 273 milhões (-23% A/A e -27% vs. Safra), com margem EBITDA ajustada de 10,0% (-415bps A/A e 379bps pior que a estimativa do Safra.
Além disso, o resultado financeiro líquido melhorou 420% A/A devido à maior posição de caixa, enquanto a alíquota de imposto foi ligeiramente pior do que o esperado, em 14,7%, levando a um lucro líquido ajustado de R$ 154 milhões (-12% A/A, – 35% vs. estimativa do Safra e 24% abaixo do consenso).
Capital de giro e alavancagem
O ciclo de conversão de caixa aumentou 3 dias T/T, impulsionado por aumento de 2 dias em estoques e 3 dias em contas a pagar (+4 dias T/T em contas a receber). A companhia manteve balanço saudável, com posição de caixa líquido de R$ 554 milhões no 4T25 (DL/EBITDA de -0.5x) vs. R$ -721 milhões no 3T25 (DL/EBITDA de -0.6x) e R$ 25 milhões no 4T24 (DL/EBITDA de 0.0x).