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ANÁLISE

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Marcopolo vê melhora gradual da demanda

Encontro com a administração reforçou expectativa de recuperação em segmentos domésticos e sustentação de volumes, apoiadas por programas públicos e fatores sazonais


A reunião recente com a administração da Marcopolo (POMO4) levou o Banco Safra a adotar uma visão mais construtiva para a companhia. Apesar de um início de ano mais fraco em segmentos importantes do mercado doméstico, a avaliação é que o cenário pode melhorar ao longo do segundo semestre de 2026.

O principal suporte vem de fatores externos à companhia. Entre eles, destacam-se o programa Move Brasil, voltado ao transporte intermunicipal, e o ciclo de eleições municipais, que tende a estimular a renovação de frotas urbanas.

No exterior, embora alguns mercados ainda apresentem fraqueza, a valorização de moedas latino-americanas ajuda a sustentar o poder de compra dos clientes. Esse movimento pode abrir espaço para preços de exportação mais elevados, compensando parte dos efeitos cambiais negativos.

Programa Caminho da Escola segue sólido

Um dos principais temas da reunião foi o programa Caminho da Escola. Apesar de notícias recentes sobre uma possível revisão do Lote 2, a administração avaliou que o risco de mudança no resultado é limitado.

O Lote 2 representa cerca de 2.000 unidades, o equivalente a 28% do programa, e foi praticamente integralmente conquistado pela Marcopolo. A contestação apresentada por um concorrente teve como base um preço inferior, mas a diferença ficou abaixo do limite previsto e o modelo da companhia contava com certificação Finame, o que garantiu a adjudicação do contrato.

A gestão descartou a hipótese de revisão de preços ou alteração dos termos contratuais. Segundo a companhia, as reportagens sobre o tema refletiram interpretações equivocadas. As entregas devem começar no terceiro trimestre de 2026 e, após a fase inicial, alcançar um ritmo de aproximadamente 600 a 700 unidades por trimestre até o primeiro trimestre de 2028.

Mix doméstico passa por ajustes

No mercado brasileiro, a Marcopolo observa uma mudança relevante no mix esperado para o ano. O segmento urbano deve apresentar desempenho abaixo da média, enquanto intermunicipal e micro-ônibus tendem a ganhar mais peso.

No caso do transporte urbano, o início mais fraco decorreu principalmente do aumento do preço do diesel. Como reajustes tarifários e subsídios costumam ocorrer no começo do ano, a alta posterior do combustível pressionou a rentabilidade dos operadores e atrasou decisões de renovação de frota.

Ainda assim, a companhia avalia que a demanda urbana pode reagir no segundo semestre. O ciclo eleitoral municipal costuma acelerar investimentos e o vencimento da linha de financiamento Refrota pode estimular compras concentradas nesse período.

Intermunicipal ganha suporte do Move Brasil

O segmento intermunicipal deve se beneficiar diretamente do programa Move Brasil. Embora a companhia ainda projete uma queda de 5% a 10% no volume do ano, parte desse recuo pode ser compensada pela demanda associada ao programa.

Além disso, o mix de produtos segue favorável. Desde o primeiro trimestre de 2026, há maior participação de ônibus pesados, o que sustenta um perfil mais robusto de receitas. A expectativa é de um mix ainda mais rico no segundo semestre, apoiando resultados melhores.

Já o segmento de micro-ônibus deve encontrar suporte adicional nos pedidos do Ministério da Saúde, o que contribui para equilibrar o desempenho do mercado doméstico como um todo.

Pedidos do Ministério da Saúde trazem previsibilidade

A Marcopolo entregou cerca de 200 unidades ligadas ao Ministério da Saúde no primeiro trimestre de 2026. Até o fim do segundo trimestre, a companhia espera entregar aproximadamente 1.300 unidades adicionais, concentrando volumes nesse período.

Embora ainda não haja atualizações formais sobre novos contratos, a administração vê potencial para pedidos adicionais. As margens dessas entregas seguem alinhadas às observadas no programa Caminho da Escola, sem surpresas negativas.

Esse fluxo ajuda a dar previsibilidade à produção e contribui para suavizar oscilações de demanda em outros segmentos.

Mercados externos ainda mistos

Nos mercados internacionais, o quadro segue desigual. Argentina e México continuam apresentando demanda mais fraca, enquanto o efeito de conversão cambial ainda representa um obstáculo para os resultados consolidados.

Por outro lado, a valorização de diversas moedas na América Latina fortalece o poder de compra dos clientes locais. Isso pode permitir reajustes de preços nas exportações, o que tende a compensar parte dos efeitos negativos do câmbio.

Além disso, um mix mais forte na operação da Austrália aparece como outro fator de suporte para os resultados ao longo do ano.

Valuation sustenta a tese

Na avaliação do Safra, a Marcopolo segue como uma história atrativa dentro do setor. A companhia negocia a múltiplos considerados interessantes, com lucro projetado para 2026 a um patamar inferior ao de pares e rendimento de dividendos elevado.

Além disso, existe potencial de revisão positiva das estimativas. Entre as principais opcionalidades estão uma demanda maior vinda do Move Brasil, novos pedidos do Ministério da Saúde e efeitos de longo prazo do novo marco do transporte público.

Esse último ponto pode destravar investimentos relevantes em ônibus urbanos nos próximos anos, reforçando a tese estrutural da companhia.

Perspectiva para os próximos meses

O encontro com a administração reforçou a percepção de que os desafios do início do ano tendem a perder força ao longo de 2026. Embora o ambiente ainda exija cautela, há vetores claros de melhora no horizonte.

Para o Safra, a combinação de programas públicos, fatores sazonais e valuation atrativo cria um equilíbrio favorável entre risco e retorno. A execução no segundo semestre, especialmente no mercado doméstico, será determinante para confirmar essa leitura mais construtiva.


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