Os dados divulgados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) mostraram desaceleração relevante nas viagens rodoviárias interestaduais em junho. As vendas de passagens totalizaram 2,4 milhões de unidades, com queda de 25% na comparação anual e de 6% frente a maio.
A receita do setor alcançou R$ 411 milhões, recuo de 19% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho reforça a perda de ritmo do transporte rodoviário de longa distância em meio ao avanço do modal aéreo.
Entre as categorias, o segmento de ônibus executivo registrou queda de 29% nas vendas de passagens na comparação anual. Já o segmento leito apresentou retração de 34%, uma das mais intensas do período.
As vendas de passagens semileito recuaram 14% em um ano, enquanto as passagens convencionais caíram 26%.
Transporte aéreo mantém crescimento
Na direção oposta, os dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) indicaram crescimento de 1% nas vendas de passagens aéreas em junho na comparação anual. O volume atingiu 10,3 milhões de bilhetes vendidos.
O resultado ocorreu mesmo com a forte alta das tarifas aéreas. Segundo dados do IPCA, os preços das passagens subiram 52% em relação a junho do ano passado e avançaram 7% frente ao mês anterior.
No transporte rodoviário interestadual, as tarifas aumentaram 7% em um ano e 1% na comparação mensal.
O movimento mostra maior resiliência da demanda por viagens aéreas no curto prazo, mesmo em um ambiente de preços mais elevados.
Participação do ônibus nas viagens cai
Com o avanço do transporte aéreo, a participação das viagens rodoviárias interestaduais no total de deslocamentos de longa distância caiu para 20% no segundo trimestre de 2026.
No mesmo período do ano anterior, essa participação estava em 23%. Além disso, o indicador ficou abaixo da média histórica de 24%.
Parte da sustentação do tráfego aéreo ocorre porque muitas passagens são compradas com antecedência. Dessa forma, o impacto dos reajustes tarifários sobre a demanda tende a ocorrer de forma gradual.
Visão para Marcopolo
O Safra avalia os dados de junho como negativos para a Marcopolo (POMO4). A forte retração das viagens rodoviárias interestaduais indica um ambiente mais desafiador para o setor de transporte terrestre de passageiros.
Além disso, a migração parcial da demanda para o transporte aéreo reduz a participação do modal rodoviário nas viagens de longa distância. Esse cenário pode limitar o ritmo de renovação de frota e afetar as perspectivas do segmento nos próximos trimestres.