A produção da Marcopolo (POMO4) somou 961 unidades em agosto, considerando as operações da Neobus e da Volare. O volume representa queda de 13% em relação ao mesmo mês do ano anterior e recuo de 7% frente a julho.
O resultado reforça uma leitura negativa para a companhia. Mesmo após o ajuste pelo número de dias úteis, a produção também caiu 13% na comparação anual, para 46 unidades por dia. Na comparação mensal, porém, houve alta de 2%.
No acumulado de janeiro a agosto, a produção da Marcopolo alcançou 8.374 unidades, baixa de 1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado interrompe a trajetória positiva observada nos meses anteriores.
Micro-ônibus pressionam o desempenho
A produção de micro-ônibus foi o principal fator de pressão sobre os números de agosto. O segmento totalizou 123 unidades, queda de 50% em um ano, embora tenha avançado 8% em relação ao mês anterior.
A retração reflete, sobretudo, a menor entrega de veículos para o Ministério da Saúde e para o programa Caminho da Escola. O programa concluiu a homologação de 4.500 unidades, mas as entregas devem começar apenas no quarto trimestre de 2026.
Ainda assim, a maior parte dos volumes tende a ficar concentrada em 2027. Portanto, a expectativa é de manutenção de um ritmo mais fraco de produção no terceiro trimestre de 2026.
No acumulado do ano, a produção de micro-ônibus da Marcopolo chegou a 2.872 unidades, alta de 40% na comparação anual.
Segmentos urbano e rodoviário também recuam
A produção de ônibus urbanos somou 215 unidades em agosto. O número caiu 7% em um ano, mas avançou 15% ante julho. No acumulado do ano, o segmento registra 1.171 unidades produzidas, queda de 28%.
Já a produção de ônibus rodoviários alcançou 328 unidades. O volume recuou 7% na comparação anual e 10% em relação ao mês anterior. De janeiro a agosto, foram produzidas 2.073 unidades, baixa de 22%.
Excluindo micro-ônibus e Volare, a produção dos demais segmentos caiu 3% em relação a agosto do ano anterior. O desempenho indica uma demanda mais moderada também nas linhas urbanas e rodoviárias.
Volare oferece compensação parcial
A Volare produziu 295 unidades em agosto, alta de 5% na comparação anual. Frente a julho, no entanto, o volume caiu 19%.
No acumulado do ano, a marca somou 2.258 unidades, crescimento de 7%. A expansão anual pode refletir a demanda associada ao programa Move Brasil, que tem sustentado parte dos pedidos de veículos leves.
Apesar disso, o avanço da Volare não foi suficiente para compensar a queda nas demais linhas da Marcopolo.
Exportações mostram recuperação mensal
As exportações da Marcopolo totalizaram 217 unidades em agosto. O resultado representa leve queda de 1% na comparação anual, mas mostra recuperação de 33% frente a julho.
Os embarques de ônibus rodoviários recuaram 26% em um ano, para 138 unidades. A fraqueza nesse segmento deve refletir as condições ainda desafiadoras do mercado argentino.
Por outro lado, as exportações de ônibus urbanos, micro-ônibus e Volare avançaram na comparação anual. Ainda assim, o desempenho não compensou integralmente a queda dos veículos rodoviários.
Produção do setor cresce, mas perde ritmo no mês
A produção total de carrocerias de ônibus no Brasil alcançou 2.390 unidades em agosto, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, a Fabus. O número representa alta de 2% na comparação anual e queda de 4% frente a julho.
Sem considerar a Volare, a produção foi de 2.095 unidades. Já a produção diária avançou 2% em um ano e 5% em relação ao mês anterior, para 114 unidades por dia útil.
O segmento de micro-ônibus foi o principal destaque positivo do setor, com alta anual de 39%. Em sentido contrário, a produção de ônibus urbanos caiu 14%, enquanto os veículos rodoviários recuaram 5%.
Para a Marcopolo, os dados de agosto indicam um trimestre mais fraco, com menor contribuição dos programas públicos e demanda ainda limitada em mercados externos relevantes.