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Marcopolo avança em volume, mas enfrenta desafios no mix de produção

Produção cresce em maio, puxada por micro-ônibus, enquanto rodoviários e exportações seguem em queda


A Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) divulgou os dados de produção de maio com um sinal misto para o setor. A produção total alcançou 2.480 carrocerias no mês, alta de 4% na comparação anual, mas recuo de 2% frente a abril. No acumulado do ano, o volume chegou a 11.196 unidades, crescimento de 2% em relação a 2025.

O desempenho reflete dinâmicas distintas entre os segmentos. Enquanto micro-ônibus avançaram de forma expressiva, os segmentos urbano e rodoviário continuaram pressionados.

Micro-ônibus lideram crescimento do setor

O segmento de micro-ônibus somou 1.042 unidades em maio, com alta de 126% na comparação anual e avanço de 7% sobre o mês anterior. No acumulado do ano, o crescimento chega a 56%. Em contraste, os ônibus urbanos registraram queda de 35% em relação a maio de 2025, enquanto os rodoviários recuaram 27,5% na mesma base de comparação.

Esse movimento reforça a dependência do setor de encomendas específicas, em especial ligadas a programas públicos.

Marcopolo cresce em volume, mas perde força em rodoviários

A Marcopolo (POMO4), considerando também Neobus e Volare, produziu 1.208 unidades em maio. O volume representa alta de 7% na comparação anual, mas leve queda de 0,4% frente a abril. No acumulado do ano, a produção soma 5.116 unidades, praticamente estável em relação a 2025.

O crescimento veio principalmente dos micro-ônibus, que avançaram 107% em um ano, e da Volare, com alta de 23%. Por outro lado, os segmentos de urbanos e rodoviários tiveram quedas relevantes, de 47% e 43%, respectivamente, na comparação anual.

Exportações recuam e pressionam o mix

As exportações da companhia somaram 114 unidades em maio, queda de 27% em relação ao mesmo mês do ano passado. O recuo reflete um ambiente externo ainda desafiador, com destaque para a Argentina, além de menor participação de modelos de maior valor agregado.

A menor contribuição das exportações e dos rodoviários resultou em um mix menos favorável, o que tende a pressionar a rentabilidade no curto prazo.

Expectativa de melhora gradual no segundo semestre

Apesar do avanço nos volumes em abril e maio, o Banco Safra avalia que a rentabilidade do trimestre pode sentir os efeitos do mix mais fraco. Ainda assim, a administração da Marcopolo indica expectativa de recuperação gradual no segmento rodoviário no segundo semestre de 2026, o que pode contribuir para uma melhora do mix ao longo do ano.

O cenário segue de cautela, com suporte vindo de programas públicos, mas dependente de uma retomada mais consistente da demanda por veículos de maior valor agregado.


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