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Marcopolo amplia produção de micro-ônibus, mas ainda preocupa mercado

Dados da Fabus mostram avanço da produção de micro-ônibus da Marcopolo, enquanto ônibus rodoviários e exportações seguem em queda


A Marcopolo (POMO4) registrou crescimento na produção de ônibus em junho e no segundo trimestre de 2026, sustentada pelo forte desempenho do segmento de micro-ônibus. Ainda assim, a composição das vendas trouxe sinais de alerta para o mercado, diante da menor participação de exportações e de ônibus rodoviários, produtos tradicionalmente mais rentáveis.

Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus). A entidade apontou produção total de 2.634 carrocerias em junho, alta de 23% na comparação anual e avanço de 6% frente a maio. Excluindo a Volare, a produção ficou em 2.371 unidades.

No segundo trimestre, a indústria produziu 7.634 unidades, crescimento de 5% sobre o mesmo período do ano anterior.

Micro-ônibus lideram crescimento

A produção da Marcopolo, incluindo Neobus e Volare, somou 1.266 unidades em junho, avanço de 26% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação mensal, o crescimento foi de 5%.

O principal destaque veio do segmento de micro-ônibus. A produção atingiu 600 unidades em junho, salto de 153% em um ano. No segundo trimestre, o volume chegou a 1.724 unidades, avanço de 120%.

Segundo o Safra, o desempenho reflete principalmente o aumento das entregas ligadas ao Ministério da Saúde e ao programa Caminho da Escola.

A Volare também apresentou crescimento. A produção alcançou 263 unidades em junho, alta de 23% na comparação anual.

Ônibus rodoviários e urbanos seguem fracos

Por outro lado, os segmentos de maior valor agregado continuaram pressionados.

A produção de ônibus rodoviários da Marcopolo caiu 23% em junho e recuou 30,5% no acumulado do segundo trimestre. Já os ônibus urbanos registraram retração de 35% em junho e queda de 34% no trimestre.

No mercado brasileiro como um todo, o cenário também mostrou fraqueza nesses segmentos. A produção de ônibus rodoviários recuou 23% em junho, enquanto os urbanos ficaram praticamente estáveis no mês e acumulam queda de 15% no ano.

Exportações perdem participação

As exportações da Marcopolo também perderam força. Em junho, os embarques somaram 122 unidades, queda de 32% na comparação anual. No segundo trimestre, o recuo foi de 29,5%.

O segmento rodoviário respondeu pela maior parte das exportações, com 91 unidades em junho. Ainda assim, o volume ficou 41% abaixo do registrado um ano antes.

Para o Safra, a redução das exportações e da participação dos ônibus rodoviários piora o mix de produtos da companhia. No segundo trimestre, as exportações representaram 10% do volume total, ante 16% no mesmo período de 2025. Já os ônibus rodoviários passaram de 34% para 21% da produção.

Margens podem ficar pressionadas

Na avaliação do Safra, os números trazem uma leitura mista para a Marcopolo. Embora o crescimento dos micro-ônibus tenha sustentado os volumes da companhia, a menor participação de segmentos mais rentáveis pode pressionar as margens nos próximos trimestres.

O banco destaca que a combinação de menor presença internacional e retração dos ônibus rodoviários reduz o potencial de rentabilidade, mesmo diante da expansão da produção total.


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