A Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) divulgou seus dados mensais referentes a março, e os números trazem uma leitura negativa para a Marcopolo (POMO4). O avanço registrado no mês não foi suficiente para sustentar o trimestre. O desempenho consolidado entre janeiro e março ficou 5% abaixo das estimativas do Safra e aponta para um cenário de pressão no mercado doméstico e nas exportações.
Setor avança em março, mas acumula perdas no trimestre
A produção total mensal de carrocerias de ônibus atingiu 2.673 unidades em março, ou 2.326 unidades excluindo a Volare. O resultado representa alta de 10% na comparação anual e de 26% frente a fevereiro. A produção por dia útil alcançou 122 unidades, estável na comparação anual e com recuo de 3% em relação ao mês anterior.
No primeiro trimestre, contudo, a produção totalizou 6.196 unidades (5.373 excluindo Volare), queda de 2% na comparação anual.
Por segmento, os micro-ônibus lideraram o avanço setorial em março, com 885 unidades, alta de 32% na comparação anual e de 33% frente a fevereiro. Os ônibus urbanos somaram 816 unidades, avanço de 2% na comparação anual e de 23% no mês. Já os ônibus rodoviários registraram 625 unidades, queda de 3% na comparação anual, com alta de 24% frente ao mês anterior.
Marcopolo cresce em março, mas perde fôlego no trimestre
Considerando as marcas Neobus e Volare, a Marcopolo produziu 1.282 unidades em março, alta de 11% na comparação anual e de 41% frente a fevereiro. A produção por dia útil somou 58 unidades, estável na comparação anual e com crescimento de 9% no mês.
No primeiro trimestre, a produção consolidada recuou para 2.695 unidades (incluindo Volare), queda de 6,5% na comparação anual e de 18% frente ao trimestre anterior. O resultado ficou 5% abaixo das estimativas do Safra.
Entre os segmentos, os ônibus urbanos somaram 203 unidades em março, com alta de 1% na comparação anual e de 123% frente a fevereiro. No trimestre, porém, acumularam apenas 359 unidades, recuo de 31% na comparação anual. Os ônibus rodoviários encerraram o mês com 282 unidades (queda de 14,5% na comparação anual) e fecharam o trimestre com 602 unidades (queda de 23% na comparação anual). Os micro-ônibus foram o destaque positivo no acumulado trimestral, com 911 unidades e alta de 19% na comparação anual. A Volare registrou 823 unidades no trimestre, crescimento de 1% na comparação anual.
Exportações recuam diante da menor demanda na Argentina
As exportações mensais da Marcopolo totalizaram 103 unidades em março, queda de 41% na comparação anual e de 21% frente a fevereiro. No primeiro trimestre, as exportações somaram 299 unidades, recuo de 16% na comparação anual e de 40% frente ao trimestre anterior.
Os ônibus rodoviários lideraram as vendas externas em março, com 72 unidades, mas registraram queda de 49% na comparação anual e de 19% frente ao mês anterior. A Volare exportou 17 unidades no mês, ante zero em março de 2025.
Para o Safra, a retração nas exportações reflete provavelmente um ambiente de demanda mais fraco na Argentina, cenário também destacado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Juros elevados e férias coletivas limitam o mercado doméstico
Os volumes domésticos da Marcopolo (POMO4) recuaram 5% na comparação anual no primeiro trimestre. O segmento de ônibus urbanos registrou a maior pressão, com queda de 32,5% na comparação anual. Os ônibus intermunicipais caíram 22% na comparação anual no período. O programa Caminho da Escola (CDE) atuou como principal atenuante, com avanço de 52% na comparação anual no acumulado do trimestre e de 75% em março.
O Safra aponta que o mercado doméstico segue limitado por juros elevados. Além disso, janeiro foi impactado por férias coletivas mais longas que o habitual, o que contribuiu para o fraco desempenho trimestral da fabricante.
Com base nos dados da Fabus e no desempenho do primeiro trimestre de 2026, o Safra atribui leitura negativa para a POMO4.