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Rentabilidade da Marcopolo é pressionada por mudança no mix de vendas

Avanço das entregas impulsiona receita da fabricante de ônibus, mas maior participação de veículos de menor valor agregado reduz margens e lucro


A Marcopolo (POMO4) apresentou resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026. Embora a companhia tenha ampliado as receitas e aumentado os volumes entregues, a mudança no perfil das vendas reduziu a rentabilidade e pressionou os indicadores operacionais.

O principal fator por trás do desempenho mais fraco foi o crescimento da participação dos micro-ônibus, veículos de menor valor agregado e margens inferiores aos modelos rodoviários e urbanos.

Como consequência, o EBITDA e o lucro líquido recuaram na comparação anual, mesmo diante da expansão da demanda doméstica.

Receita cresce com avanço das entregas

A receita líquida da Marcopolo somou R$ 2,37 bilhões no trimestre, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado ficou ligeiramente acima das estimativas do Banco Safra e do consenso de mercado.

O crescimento foi sustentado por um aumento de 6% nos volumes faturados, impulsionado principalmente pela recuperação da demanda doméstica.

As entregas no Brasil avançaram 19% na comparação anual, com forte destaque para os micro-ônibus, cujos volumes cresceram 135%.

Por outro lado, os segmentos de ônibus rodoviários e urbanos registraram retração de 34% e 35%, respectivamente.

Programas governamentais impulsionam micro-ônibus

Grande parte do crescimento das vendas domésticas esteve associada a programas governamentais.

As entregas ligadas ao programa Caminho da Escola e às compras realizadas pelo Ministério da Saúde responderam por aproximadamente metade dos volumes faturados no mercado brasileiro durante o trimestre.

Com isso, os micro-ônibus e veículos da marca Volare passaram a representar 37% da receita líquida da companhia, ante 28% no mesmo período do ano anterior.

Na prática, essa mudança alterou significativamente o mix de vendas e reduziu a participação de produtos com maior rentabilidade.

Segundo a avaliação do Safra, esse foi o principal fator por trás da deterioração das margens observada no período.

Mercado internacional perde força

Enquanto o mercado doméstico apresentou crescimento, as operações internacionais enfrentaram um cenário mais desafiador.

Os volumes vendidos no exterior recuaram 43% na comparação anual, refletindo uma demanda mais fraca em mercados relevantes como México, Argentina e África do Sul.

A receita das operações internacionais caiu 16%, para R$ 621 milhões.

O México registrou a maior retração, com queda de 75% na receita. Em contrapartida, a operação na Austrália apresentou crescimento de 20%.

As exportações realizadas a partir do Brasil tiveram desempenho mais positivo, impulsionadas principalmente por vendas para Peru e Chile e por um mix mais concentrado em ônibus rodoviários de maior valor agregado.

Margens sofrem pressão

A rentabilidade foi o principal ponto negativo do trimestre.

O EBITDA alcançou R$ 339 milhões, queda de 15% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e das projeções do consenso de analistas.

A margem EBITDA recuou para 14,3%, redução de três pontos percentuais na comparação anual.

Além do mix de vendas menos favorável, a companhia enfrentou aumento nos custos de matérias-primas relacionados a contratos de programas governamentais que haviam sido precificados anteriormente com premissas de custos mais baixas.

A valorização do real e a redução dos volumes internacionais também contribuíram para pressionar a rentabilidade.

Mesmo desconsiderando despesas não recorrentes associadas à reestruturação da operação Metalsur, a margem permaneceu significativamente abaixo dos níveis observados um ano antes.

Lucro cai apesar de fatores positivos

O lucro líquido da Marcopolo totalizou R$ 271 milhões no trimestre, queda de 15,5% na comparação anual.

O resultado teria sido ainda mais fraco sem alguns fatores que ajudaram a compensar parcialmente a deterioração operacional.

Entre eles estão o aumento da contribuição das empresas investidas contabilizadas por equivalência patrimonial, uma menor carga tributária e efeitos favoráveis relacionados ao câmbio.

Ainda assim, esses fatores não foram suficientes para neutralizar o impacto da redução das margens operacionais.

Metalsur gera impacto extraordinário

A companhia também registrou despesas extraordinárias ligadas à reestruturação da Metalsur, sua operação na Argentina.

Os custos somaram R$ 10,4 milhões e afetaram diretamente o EBITDA do trimestre.

Além disso, outras despesas operacionais cresceram de forma relevante na comparação anual, influenciadas principalmente por esse processo de reorganização.

O que esperar das ações da Marcopolo

Os resultados mostram que a Marcopolo continua se beneficiando da demanda doméstica aquecida e dos programas governamentais voltados ao transporte público e escolar.

Por outro lado, a composição das vendas e a fraqueza de alguns mercados internacionais reduziram a rentabilidade da companhia e limitaram a geração de valor para os acionistas no trimestre.

Na visão do Safra, o desempenho operacional ficou abaixo do esperado principalmente devido ao mix menos favorável e à pressão de custos. Os próximos trimestres deverão ser acompanhados de perto para avaliar a evolução da demanda internacional e a recuperação das margens da fabricante de ônibus.


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