A Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) revisou sua projeção para a produção do setor em 2026. A estimativa inicial de queda próxima de 5% deu lugar a um cenário de volumes estáveis ou levemente positivos.
A mudança reflete, sobretudo, maiores entregas no programa Caminho da Escola e pedidos ligados ao Ministério da Saúde. Esses fatores tendem a compensar a demanda ainda fraca por ônibus urbanos.
Para a Marcopolo (POMO4), o novo cenário reduz riscos de volume no curto prazo e melhora a perspectiva operacional no segundo semestre.
Demanda rodoviária pode sustentar margens
O segmento de ônibus rodoviários deve apresentar recuperação ao longo do segundo semestre de 2026. A expectativa é de volumes estáveis na comparação anual, mas com um mix mais pesado, marcado por maior participação de veículos double-decker.
O aumento das tarifas aéreas favorece o transporte rodoviário de passageiros, o que pode sustentar a demanda e contribuir para margens mais elevadas no setor. Esse movimento tende a beneficiar fabricantes com maior exposição ao segmento rodoviário, como a Marcopolo.
O programa Move Brasil também aparece como fator de suporte. Os recursos já destinados especificamente a ônibus foram integralmente utilizados, mas operadores ainda podem acessar verbas remanescentes para aquisição de veículos em geral.
Ônibus urbanos seguem pressionados
O cenário para ônibus urbanos permanece mais desafiador. Operadores enfrentam custos elevados, especialmente com o diesel, o que limita investimentos e a renovação de frota.
Além disso, o novo marco do transporte público foi aprovado com vetos. Mesmo com expectativa de reversão parcial, o ambiente regulatório ainda gera incerteza e pode adiar decisões de compra no curto prazo.
Esse contexto mantém a demanda urbana em níveis deprimidos e reduz a visibilidade para uma recuperação mais rápida.
Visibilidade limitada para 2027
A perspectiva para 2027 segue incerta. A Fabus avalia que o resultado das eleições será determinante para o direcionamento do setor. O avanço do ajuste fiscal pode reduzir programas governamentais e pressionar a atividade econômica.
Juros elevados também devem atuar como freio adicional à demanda. Por isso, a associação trabalha com a hipótese de um mercado mais fraco no próximo ano.
Ainda assim, existem fatores de suporte. O programa Caminho da Escola deve manter execução relevante em 2027. Além disso, a demanda reprimida por renovação de frota urbana pode gerar uma recuperação gradual, caso o ambiente regulatório se torne mais favorável.
Estratégia de preços permanece disciplinada
Do ponto de vista competitivo, o setor de ônibus segue estruturalmente protegido contra guerras de preços agressivas. Os fabricantes adotam uma estratégia de precificação considerada saudável, mesmo com mudanças pontuais de participação de mercado.
Segundo a Fabus, uma guerra de preços ampla só seria esperada em um cenário de queda de demanda superior a 15%. No ambiente atual, a rentabilidade dos principais players permanece preservada, o que reduz riscos para empresas como a Marcopolo.