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Marcopolo sente impacto de fevereiro e fica atrás da indústria

Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus indicam queda na produção da Marcopolo, com pressão nos segmentos de urbanos e rodoviários


A Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus) divulgou os dados de fevereiro de 2026. A produção total somou 2.128 carrocerias, ou 1.831 unidades ao excluir a Volare. O volume caiu 2,5% na comparação anual, mas avançou 52% frente a janeiro.

No acumulado do ano, a produção alcançou 3.523 unidades, queda de 10% em relação a 2025. Ainda assim, a produção por dia útil subiu 14,7% na comparação anual, reflexo do efeito calendário.

Segmentos mostram desempenho desigual

Os ônibus urbanos lideraram a fraqueza. O segmento produziu 662 unidades, recuo de 22% em um ano. No acumulado, a queda chegou a 21%.

Os rodoviários também cederam. Foram 503 unidades em fevereiro, baixa de 10% na base anual. Desde janeiro, o segmento acumula retração de 20%.

Em sentido oposto, os micro-ônibus sustentaram o crescimento. A produção atingiu 666 unidades, alta de 46,4% em um ano. No acumulado, o avanço foi de 32%.

Marcopolo fica abaixo do mercado

Para a Marcopolo (POMO4), considerando Neobus e Volare, a produção de fevereiro somou 912 unidades. O volume caiu 14% na comparação anual, mas subiu 82% frente a janeiro.

No acumulado do ano, a companhia produziu 1.413 unidades, queda de 18%. A produção por dia útil ficou em 54 unidades, leve alta anual de 1%.

Urbanos e rodoviários pressionam resultados

A Marcopolo produziu 91 ônibus urbanos em fevereiro, recuo de 54% em um ano. No acumulado, a queda chegou a 51%.

Nos rodoviários, a produção somou 207 unidades, baixa de 30% na base anual e retração de 29% no acumulado.

Os micro-ônibus mitigaram parte da pressão. O segmento cresceu 15% em um ano, com 317 unidades, e avançou 7% no acumulado.

A Volare produziu 297 unidades, estabilidade anual, mas queda de 10% no acumulado.

Exportações mostram resiliência

As exportações da Marcopolo alcançaram 130 unidades em fevereiro. O volume cresceu 6,6% na comparação anual e quase dobrou frente a janeiro.

Os embarques de rodoviários lideraram, com 89 unidades. Os urbanos somaram 12 unidades. Os micro-ônibus alcançaram 25 unidades. A Volare exportou quatro unidades.

Análise dos especialistas

O Banco Safra avalia a leitura como negativa para a Marcopolo. Os volumes caíram 14% em um ano, puxados por urbanos e rodoviários. Parte do desempenho reflete o calendário, já que o Carnaval ocorreu em fevereiro de 2026.

No ajuste por dias úteis, a produção da companhia teria ficado próxima da estabilidade anual. Ainda assim, a Marcopolo ficou atrás do mercado. A indústria, ao excluir a companhia, cresceu 9% na comparação anual e 28% no ajuste por dias úteis.

Na margem, a forte alta mensal decorre de uma base fraca em janeiro, período em que a empresa estendeu o recesso diante de demanda menor. O ponto positivo ficou nas exportações, que avançaram mesmo após um 2025 forte.


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