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Transporte aéreo ganha espaço frente ao rodoviário

Menor volume de passagens de ônibus e avanço do transporte aéreo reforçam um ambiente mais desafiador para o setor


Os dados de maio divulgados pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) apontam queda relevante no volume de viagens rodoviárias interestaduais. As vendas de passagens somaram 2,57 milhões de unidades, retração de 14% na comparação anual e de 6% em relação a abril.

A receita total alcançou 419 milhões de reais, com recuo de 6% na base anual e de 8% na comparação mensal. O desempenho reflete um ambiente de demanda mais fraca, especialmente diante do aumento das tarifas médias.

Segmentos mostram desempenho desigual

Entre os diferentes tipos de serviço, o transporte convencional apresentou o pior desempenho. O volume caiu 20% em relação a maio do ano anterior e 18% frente ao mês anterior, enquanto a receita recuou 12% na base anual e 21% na mensal.

No segmento executivo, as vendas diminuíram 19% na comparação anual e 6,5% na mensal, com queda de 17% na receita anual. Já o segmento leito mostrou maior resiliência. O volume caiu 12% na base anual, mas cresceu 8% frente a abril, enquanto a receita avançou 3% em relação ao ano anterior.

O semileito apresentou estabilidade no volume anual, com leve queda mensal, enquanto a receita cresceu 5% na comparação anual. Outros serviços seguiram com retração tanto em volume quanto em receita.

Transporte aéreo avança apesar de tarifas mais altas

Na direção oposta, os dados da Agência Nacional de Aviação Civil indicam crescimento nas vendas de passagens aéreas. Em maio, foram comercializadas 10,5 milhões de passagens, alta de 1% na comparação anual e de 3% frente a abril.

Mesmo com esse avanço no volume, as tarifas aéreas subiram de forma expressiva. Segundo o índice oficial de inflação, os preços das passagens aéreas aumentaram 43% em relação a maio do ano anterior e 3% na comparação mensal, bem acima da inflação geral.

Diferença de preços altera escolha do consumidor

Enquanto as tarifas aéreas subiram de forma acentuada, as tarifas rodoviárias interestaduais avançaram 7% na base anual e 0,5% na mensal. Ainda assim, o transporte rodoviário perdeu participação nas viagens de longa distância.

No segundo trimestre de 2026, considerando abril e maio, o modal rodoviário respondeu por cerca de 20% das viagens, abaixo da média histórica de 24%. Em maio de 2025, essa participação era de aproximadamente 22%.

Impacto negativo para a Marcopolo

Esse movimento é avaliado como negativo para a Marcopolo (POMO4). A queda de 14% nas vendas de passagens rodoviárias interestaduais, combinada com a retração menor da receita, sugere que o aumento das tarifas médias, estimado em cerca de 9% na comparação anual, ajudou a sustentar o faturamento, mas reduziu o volume transportado.

Ao mesmo tempo, o crescimento do transporte aéreo indica que as companhias aéreas absorveram parte do aumento dos custos de combustível, mantendo preços apenas levemente acima dos níveis anteriores a conflitos internacionais. Medidas do governo para mitigar esses custos também contribuíram para sustentar a demanda por viagens aéreas.

Mudança estrutural no curto prazo

O conjunto dos dados aponta para uma mudança relevante no comportamento do consumidor no curto prazo. Mesmo com tarifas aéreas mais elevadas, o modal aéreo ganhou espaço, enquanto o transporte rodoviário perdeu participação. Esse cenário reforça um ambiente mais desafiador para fabricantes de ônibus, como a Marcopolo, no contexto atual.


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