O Magazine Luiza (MGLU3) reportou resultados mistos no segundo trimestre de 2026. A receita líquida somou R$ 8,9 bilhões, em linha com a estimativa do Safra, mas caiu 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior.
As vendas das lojas físicas seguiram como o principal destaque. O canal cresceu 10,3% em um ano e ficou 2,3% acima da projeção do Safra. Já as vendas totais no comércio digital recuaram 11,9% na comparação anual, também em linha com as estimativas do banco.
O lucro operacional ajustado somou R$ 709 milhões, em linha com a projeção do Safra. O número representa queda de 2,5% em relação ao segundo trimestre de 2025. A margem ficou em 8,0%, praticamente em linha com a expectativa.
Prejuízo supera estimativa
O Magazine Luiza registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50 milhões no segundo trimestre. O resultado ficou abaixo da expectativa do Safra, que projetava prejuízo de R$ 30 milhões.
A principal diferença veio das provisões para perdas com crédito, que somaram R$ 130 milhões. O valor ficou 30% acima da estimativa do Safra, de R$ 100 milhões, impulsionado pelo crescimento da carteira de crédito direto ao consumidor.
As despesas financeiras líquidas também pressionaram o resultado. Elas somaram R$ 572 milhões, alta de 15,5% em um ano, em linha com a projeção do Safra. O avanço refletiu juros mais elevados na comparação anual e maior volume de desconto de recebíveis.
Lojas físicas avançam
As vendas totais do Magazine Luiza alcançaram R$ 14,5 bilhões no trimestre. O número caiu 5,1% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 0,6% abaixo da estimativa do Safra.
As lojas físicas, no entanto, mantiveram trajetória positiva. As vendas mesmas lojas cresceram 9,7% e a companhia continuou ganhando participação de mercado nas unidades convencionais.
Em junho, as vendas das lojas físicas aceleraram para uma alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Esse desempenho reforçou a resiliência do canal, mesmo em um ambiente de consumo ainda desafiador.
Vendas digitais recuam
O comércio digital continuou sofrendo com as condições de mercado. No canal de venda direta pela internet, o Magazine Luiza ficou 4,0% abaixo da estimativa do Safra e recuou 11,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.
Segundo o Safra, o desempenho refletiu a pressão dos aumentos globais de preços em categorias intensivas em chips de memória, como smartphones, televisores e equipamentos de informática. Esse movimento reduziu a demanda dos consumidores.
No marketplace, as vendas de terceiros caíram 12,6% em um ano. O resultado ficou amplamente em linha com a projeção do Safra e refletiu a estratégia da companhia de priorizar a curadoria de vendedores e a rentabilidade da operação.
Apesar da queda nas vendas digitais, houve avanço operacional. A penetração do fulfillment atingiu 29% dos pedidos online, alta de 2 pontos percentuais em um ano.
Eficiência ajuda margens
A margem bruta ajustada do Magazine Luiza ficou em 30,6%, alta de 0,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado veio em linha com a estimativa do Safra.
O desempenho contou com margens sólidas nas lojas físicas e crescimento das receitas ligadas ao crédito direto ao consumidor. Além disso, a companhia manteve disciplina nas despesas.
As despesas com vendas recuaram 0,2 ponto percentual em um ano, para 18,5% da receita líquida. Já as despesas gerais e administrativas permaneceram praticamente estáveis em valores nominais, apesar das pressões inflacionárias.
Esse ganho de eficiência quase compensou a fraqueza das vendas. Ainda assim, as maiores provisões para perdas com crédito e as despesas financeiras limitaram a melhora do resultado final.
Caixa preocupa
O consumo de caixa segue como a principal preocupação do Safra em relação ao Magazine Luiza. Nos últimos doze meses, a companhia registrou aumento de R$ 987 milhões na dívida líquida.
Esse valor inclui R$ 63 milhões em dividendos e cerca de R$ 80 milhões em aportes de capital em subsidiárias. Excluindo esses efeitos, o consumo de caixa subjacente foi de R$ 844 milhões no período.
Para o Safra, a baixa geração de caixa ainda limita uma visão mais construtiva para a tese de investimento. O banco reconhece que o ambiente macroeconômico segue desafiador para a companhia e para o setor, mas avalia que a frente de caixa precisa mostrar sinais mais claros de melhora.
Safra mantém visão Neutra
O Safra considera os resultados do segundo trimestre de 2026 ligeiramente negativos para o Magazine Luiza. Os números operacionais vieram, em geral, em linha com as estimativas, mas o prejuízo líquido ficou pior que o esperado.
A combinação de queda nas vendas digitais, aumento das provisões de crédito e consumo de caixa mantém a cautela do banco em relação à companhia. Além disso, as condições macroeconômicas de curto prazo continuam difíceis para o setor de comércio eletrônico.
Com isso, o Safra mantém recomendação Neutra para Magazine Luiza.