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M. Dias Branco enfrenta pressão sobre as margens

Preços menores de commodities e aumento das despesas operacionais reduziram o resultado do segundo trimestre, apesar do avanço dos volumes


A M. Dias Branco (MDIA3) registrou resultados abaixo das estimativas do Safra no segundo trimestre de 2026. A combinação de preços médios menores e aumento das despesas operacionais pressionou as margens da companhia.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado alcançou R$ 301 milhões, queda de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou 8% abaixo da projeção do Safra, mas 3% acima do consenso do mercado.

A receita líquida somou R$ 2,699 bilhões, redução de 1% na comparação anual e desempenho em linha com a estimativa do Safra.

Na avaliação do Safra, o cenário para o consumidor continua desafiador, principalmente no mercado de massas. Por isso, a recomendação para as ações da M. Dias Branco permanece neutra.

Volumes avançam

Os volumes vendidos pela M. Dias Branco totalizaram 477 mil toneladas, alta de 4% em relação ao segundo trimestre de 2025. O resultado também representou crescimento de 17% na comparação trimestral.

Apesar do avanço dos volumes, os preços médios recuaram 5% em 12 meses. O movimento refletiu principalmente a composição das vendas e a redução dos preços em categorias vinculadas a commodities, como a farinha de trigo.

Nos principais produtos da companhia, a receita caiu 2% na comparação anual. O desempenho foi afetado pela queda de 1% nos volumes de biscoitos, bolachas e massas.

Dados da Nielsen apresentados pela empresa mostram que a receita nominal do mercado de biscoitos e bolachas cresceu 5% em um ano, enquanto os volumes recuaram 1%.

No mercado de massas, tanto a receita nominal quanto os volumes caíram 1% no período.

Mesmo com o ambiente mais difícil, a M. Dias Branco informou que continuou ganhando participação de mercado.

Commodities reduzem preços

A receita das operações de moagem de trigo e refino de óleos vegetais caiu 1% em relação ao segundo trimestre do ano anterior.

Os volumes vendidos aumentaram, mas o avanço foi compensado por preços menores, acompanhando a queda das commodities.

As operações adjacentes tiveram desempenho melhor. A receita dessa divisão cresceu 12% na comparação anual, ajudando a limitar a retração consolidada.

Ao todo, a receita líquida da M. Dias Branco ficou 2% acima do consenso do mercado, embora tenha permanecido praticamente em linha com a estimativa do Safra.

Margem bruta melhora

O custo dos produtos vendidos por quilo caiu 6% em relação ao segundo trimestre de 2025. A redução foi impulsionada principalmente pela queda de 11% nos custos de materiais.

O resultado, contudo, foi parcialmente compensado pelo aumento de 4% nos custos de embalagens por quilo.

A margem bruta alcançou 34,2%, alta de 0,82 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o indicador ficou 0,62 ponto percentual abaixo da projeção do Safra.

A melhora na margem bruta não foi suficiente para compensar o aumento das despesas operacionais.

Despesas pressionam o resultado

As despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram como proporção da receita. O avanço foi de 2,94 pontos percentuais em um ano.

A alta refletiu o crescimento dos volumes vendidos, o aumento dos preços do diesel e maiores gastos com marketing.

Excluindo despesas consideradas não recorrentes, como os custos relacionados ao Projeto Acelera, a reversão de provisões e créditos tributários registrados fora do resultado operacional, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado ficou em R$ 301 milhões.

A margem ajustada foi de 11,2%, queda de 1,98 ponto percentual na comparação anual.

Para o Safra, a combinação de receita mais fraca e margens pressionadas não indica uma recuperação consistente no curto prazo.

Lucro ajustado recua

O resultado financeiro líquido passou para R$ 38 milhões positivos, ante resultado negativo de R$ 18 milhões no segundo trimestre de 2025.

A melhora ocorreu principalmente devido à redução das despesas financeiras.

Por outro lado, a alíquota de imposto de renda aumentou para 12,7% negativos, ante 3,3% negativos um ano antes.

O lucro líquido ajustado alcançou R$ 204 milhões, queda de 9% na comparação anual e resultado 4% acima da estimativa do Safra.

A melhora do resultado financeiro ajudou a reduzir o impacto da pressão operacional, mas não alterou a leitura de um trimestre mais fraco para as margens.

Capital de giro melhora

O ciclo de conversão de caixa da M. Dias Branco diminuiu 15 dias em relação ao trimestre anterior.

A melhora refletiu principalmente a redução de 13 dias nos estoques, de 7 dias nas contas a receber e de 5 dias nas contas a pagar.

O fluxo de caixa livre alcançou R$ 191 milhões no trimestre, queda de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A companhia encerrou o trimestre com caixa líquido de R$ 767 milhões. A posição representa uma relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização de menos 0,7 vez.

No segundo trimestre de 2025, a M. Dias Branco tinha dívida líquida de R$ 328 milhões. No primeiro trimestre de 2026, o caixa líquido era de R$ 688 milhões.

Safra mantém recomendação neutra

A M. Dias Branco apresentou crescimento dos volumes, mas o avanço não foi suficiente para compensar a queda dos preços médios e o aumento das despesas operacionais.

O cenário do consumidor segue desafiador, especialmente no mercado de massas. Além disso, o aumento dos preços de biscoitos e bolachas vem acompanhado de redução dos volumes, indicando maior resistência da demanda.

A companhia mantém uma posição financeira saudável e continua ganhando participação de mercado. No entanto, a pressão sobre as margens reduz a visibilidade de recuperação dos resultados no curto prazo.

Diante desse cenário, o Safra manteve a recomendação neutra para as ações da M. Dias Branco.


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