A expectativa do Banco Safra é que a receita líquida da M. Dias Branco (MDIA3), líder do mercado brasileiro de massas e biscoitos, some R$ 2,275 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com alta de 3% na comparação anual.
O avanço deve vir de uma combinação entre preços médios mais altos e volumes praticamente estáveis em relação ao mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, o ambiente de consumo ainda parece desafiador. Os dados de produção industrial não indicaram uma retomada mais forte no período. Além disso, o consumo das famílias seguiu pressionado por um cenário macroeconômico menos favorável. Ainda assim, a companhia deve sustentar o desempenho com alguma resiliência operacional.
Nos cálculos do Safra, os volumes devem atingir 394 mil toneladas no trimestre. Já os preços médios devem avançar cerca de 3% em um ano, em linha com a inflação observada em categorias relevantes para o portfólio da empresa, como biscoitos, massas, farinha de trigo e margarinas.
Segmentos devem mostrar desempenho equilibrado
A avaliação do Safra aponta crescimento relativamente disseminado entre as divisões da M. Dias Branco (MDIA3). Em Produtos Core, a receita deve alcançar R$ 1,728 bilhão, com alta de 3% em relação ao mesmo trimestre do ano passado.
Em Moagem de Trigo e Óleos Refinados, a projeção é de receita de R$ 428 milhões, também com crescimento anual de 3%. Já o segmento de Adjacências deve voltar a mostrar expansão mais forte, com receita estimada em R$ 119 milhões, alta de 9%.
Embora essa divisão ainda represente parcela pequena do faturamento total, o desempenho reforça a diversificação gradual da operação.
Custos menores devem abrir espaço para recuperação da rentabilidade
O principal destaque do trimestre deve ficar na margem. A queda dos preços de trigo e óleo de palma no mercado internacional, combinada à valorização do real frente ao dólar, tende a aliviar o custo dos produtos vendidos. Com isso, o Safra projeta redução de 7% no custo caixa por quilo na comparação anual.
Esse movimento deve levar a margem bruta da M. Dias Branco para 35,5%, com expansão de 4,5 pontos percentuais em um ano. Em outras palavras, a companhia pode capturar de forma mais clara os efeitos da normalização dos insumos, depois de um período de pressão relevante sobre a estrutura de custos.
Ao mesmo tempo, parte desse ganho deve ser compensada por despesas mais elevadas com marketing e frete. A empresa deve manter investimentos em marca e vendas, enquanto os custos logísticos seguem pressionados por combustíveis mais caros. Mesmo assim, a melhora operacional tende a prevalecer.
Geração operacional deve acelerar
A projeção do Safra indica EBITDA ajustado de R$ 254 milhões no primeiro trimestre de 2026, o que representa avanço de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem EBITDA deve atingir 11,2%, com expansão de 3,6 pontos percentuais.
O resultado sugere uma inflexão importante na rentabilidade da M. Dias Branco. Isso porque a companhia entra em 2026 com uma base comparativa mais favorável e encontra um ambiente mais benigno para os principais insumos da operação.
Dessa forma, mesmo com crescimento modesto de receita, a alavanca de margem deve sustentar um trimestre mais forte.
Lucro líquido deve quase dobrar
A linha final do balanço também deve mostrar recuperação expressiva. O Safra estima lucro líquido de R$ 142 milhões para a M. Dias Branco no primeiro trimestre de 2026, alta de 94% na comparação anual. A margem líquida deve chegar a 6,3%.
A projeção considera um resultado financeiro líquido ainda positivo, em R$ 4 milhões, embora inferior ao observado um ano antes. Além disso, a alíquota efetiva de imposto deve subir para 14%, sem o benefício extraordinário de créditos tributários que ajudaram o resultado no primeiro trimestre de 2025.
Ainda assim, a combinação entre melhor desempenho operacional e base fraca de comparação deve mais do que compensar esses efeitos abaixo da linha operacional.
O que observar nos resultados
Os números da M. Dias Branco devem confirmar se a companhia já entrou em uma fase mais consistente de recuperação de margens. Para o mercado, três pontos tendem a concentrar a atenção.
O primeiro é a intensidade do ganho com matérias-primas mais baratas. O segundo é a capacidade de repassar preços sem prejudicar volumes em um ambiente de consumo ainda fraco. O terceiro é o comportamento das despesas comerciais e logísticas, que podem limitar parte da melhora operacional.
Se a empresa entregar avanço de margem dentro do esperado, o trimestre deve reforçar a leitura de que 2026 começou com sinais mais construtivos para a fabricante de alimentos.
Projeções do Safra para a M. Dias Branco
| Indicador | Projeção |
| Receita líquida | R$ 2,275 bilhões |
| Crescimento anual da receita | 3% |
| Volume vendido | 394 mil toneladas |
| EBITDA ajustado | R$ 254 milhões |
| Crescimento anual do EBITDA | 52% |
| Margem EBITDA | 11,2% |
| Lucro líquido | R$ 142 milhões |
| Crescimento anual do lucro líquido | 94% |
| Margem líquida | 6,3% |
Perspectiva
A prévia para o primeiro trimestre de 2026 sugere um período de recuperação relevante para a M. Dias Branco (MDIA3). A receita deve avançar de forma contida, refletindo um ambiente de demanda ainda moderado. Em contrapartida, a queda dos custos de insumos e a base comparativa mais fraca devem impulsionar as margens e o lucro.
Para o investidor, o ponto central será entender se essa melhora tem caráter pontual ou se marca o início de uma trajetória mais duradoura de expansão da rentabilidade. Hoje, os sinais do trimestre apontam para um começo de ano mais forte para a companhia.