O Banco Safra revisou para baixo suas projeções para a M. Dias Branco (MDIA3) após resultados recentes abaixo do esperado. O banco avalia que o ambiente macroeconômico segue desafiador para a indústria de alimentos, especialmente nos segmentos de biscoitos, crackers e massas.
Diante desse cenário, o Safra manteve recomendação neutra para as ações da companhia e reduziu o preço-alvo de R$ 29 para R$ 21,50. Segundo a análise, o mercado já precifica parte das dificuldades operacionais da empresa, mas ainda faltam sinais mais consistentes de recuperação dos resultados para justificar uma valorização mais forte do papel.
Consumo pressionado limita reajustes de preços
O Safra destaca que a renda disponível mais apertada continua afetando o consumo das famílias. Como consequência, o ambiente competitivo permanece intenso e dificulta repasses de preços.
A avaliação do banco é que a M. Dias Branco (MDIA3) segue avançando em execução comercial, mas enfrenta pouco espaço para ampliar margens de forma sustentável por meio de aumentos de preços.
Ao mesmo tempo, os custos de matérias-primas mostram comportamento mais favorável no curto prazo. Os preços do trigo seguem próximos de mínimas históricas, enquanto o óleo de palma perdeu força após altas recentes. Ainda assim, o Safra alerta para riscos climáticos relacionados ao fenômeno El Niño, que pode afetar safras no Brasil e na Argentina.
Safra reduz projeções de lucro operacional
Com a combinação de demanda mais fraca e menor capacidade de expansão de margens, o Safra reduziu em cerca de 19%, em média, suas estimativas de EBITDA para o período entre 2026 e 2028.
As novas projeções ficaram abaixo do consenso de mercado. Além disso, o banco adotou uma visão mais conservadora para os investimentos da companhia.
A expectativa é de aceleração do capex nos próximos anos, com foco em automação e modernização industrial. Embora esses investimentos possam melhorar a eficiência operacional no longo prazo, o Safra acredita que eles devem pressionar a geração de caixa no curto prazo.
Prévia aponta resultados mais fracos
Para o segundo trimestre de 2026, o Safra projeta crescimento de volumes de apenas 2% na comparação anual. Ao mesmo tempo, estima queda de 3% nos preços médios, refletindo o ambiente de consumo enfraquecido e efeitos de mix de produtos.
Mesmo com redução esperada nos custos de trigo e óleo de palma, o banco vê pressão adicional vinda do aumento das despesas com frete, após reajustes nos combustíveis, além de maiores gastos com pessoal e marketing.
Com isso, o Safra projeta EBITDA ajustado de R$ 326 milhões no segundo trimestre, queda de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem operacional estimada é de 12,1%.
Valuation ainda não indica gatilho para valorização
Segundo o Safra, as ações da M. Dias Branco (MDIA3) são negociadas atualmente a 8,9 vezes o lucro estimado para 2026, o que representa desconto de 23% frente à média histórica dos últimos cinco anos.
Apesar disso, o banco avalia que ainda existe pouco espaço para uma reprecificação positiva no curto prazo. A percepção é de que o cenário da indústria continua difícil e que as projeções do mercado permanecem excessivamente otimistas para os próximos anos.
Além disso, o aumento esperado dos investimentos deve reduzir a geração de caixa livre. O Safra estima um retorno de fluxo de caixa livre de 4% em 2026, abaixo dos 20% projetados para 2025.
Principais riscos para a tese de investimento
O Safra aponta cinco fatores principais de risco para a tese envolvendo a M. Dias Branco (MDIA3):
- Oscilação nos preços de commodities e no câmbio
- Ambiente competitivo mais intenso
- Mudanças no sistema tributário brasileiro
- Alterações nos hábitos de consumo
- Piora do cenário macroeconômico brasileiro